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O eclipse da Herdeira

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Capítulo 1

A mansão dos Viegas não era um lar; era um mausoléu de luxo.

Enquanto o mundo lá fora ardia sob o sol do meio-dia, o quarto de Alejandra permanecia mergulhado em um crepúsculo perpétuo. As janelas eram blindadas com vidro fumê e cobertas por camadas de veludo negro. Para qualquer um, era o ápice da excentricidade de uma herdeira cruel. Para ela, era a sua cela.

Alejandra ajustou as luvas de renda, sentindo o peso da joia de sua família no pescoço. Ela era a primogênita, o orgulho de uma linhagem de séculos, mas carregava no sangue o veneno dos Serpentinius. A maldição lançada anos atrás, quando o clã rival foi esmagado pelos Viegas, ainda pulsava em suas veias: nenhuma luz para a primeira herdeira.

— O líder do clã Serpentinius está no grande salão, senhorita — a voz da criada tremia. Todos temiam Alejandra, e ela não fazia questão de desmentir os boatos de sua maldade. Era mais fácil ser odiada do que ser digna de pena.

— Mande-o esperar — Alejandra disse, sua voz fria como mármore. — Ele esperou décadas para rastejar de volta; pode esperar mais dez minutos.

Quando ela finalmente desceu as escadarias, a iluminação da mansão foi reduzida ao mínimo. No centro do salão, uma silhueta imponente aguardava.

Valerius Bennet.

Ele não parecia o herdeiro de um clã derrotado. Ele exalava o poder das criaturas das sombras que seu império escondia do mundo. Quando ele se virou, os olhos de Valerius brilharam com uma curiosidade predatória.

— A lenda finalmente se materializa — a voz de Valerius ecoou, carregada de um sarcasmo cortante. Ele deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal de Alejandra. — Embora eu esperasse ver o sol refletido nas joias da herdeira Viegas. Por que estamos no escuro, Alejandra?

— A luz é para os fracos, Valerius. Eu prefiro ver meus inimigos onde eles pertencem: nas sombras — ela retrucou, sustentando o olhar.

Valerius soltou uma risada baixa, um som que fez os pelos da nuca de Alejandra se arrepiarem. Ele estendeu a mão, não para um cumprimento, mas em um gesto possessivo que fez Alejandra recuar um milímetro.

— Mentirosa — ele sussurrou, aproximando-se do ouvido dela. — Você não está nas sombras porque quer. Você está neles porque meu ancestral garantiu que o sol queimasse sua pele impura.

Ele a segurou pelo braço com uma força controlada, seus olhos fixos nela com uma intensidade que beirava a obsessão.

— Meu pai perdeu a guerra, mas eu vim cobrar a dívida. Você é a cura do meu clã, e eu sou a sua única saída dessa escuridão. Mas não se engane, passarinho... eu sou um mestre muito mais cruel do que a falta de sol.

Alejandra sentiu a dor da rejeição arder, mas o ódio foi maior. Ela cravou as unhas no pulso dele, o sangue de Valerius sujando a renda branca de sua luva.

— Você pode ter a maldição ao seu lado, bennet, mas eu tenho o veneno dos Viegas. Tente me controlar e eu garantirei que a última coisa que você veja antes de morrer seja o brilho que eu nunca pude ter.

Valerius sorriu, e naquele momento, Alejandra soube: a guerra entre seus clãs não tinha acabado. Estava apenas se tornando pessoal.

BLOODLINE (em revisão)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora