Capítulo 4
A mansão Viegas não cheirava mais a mofo e veludo; cheirava a pólvora e ferro. Hernandez havia transformado o jardim em um campo de trincheiras. Mas, dentro dos corredores escuros, o perigo era outro.
Alejandra estava no observatório quando a porta se abriu. Não era o passo pesado de Valerius. Era algo mais leve, quase predatório. Gael, o líder do Clã Nox, entrou com a confiança de quem já se sentia dono do lugar.
— Você não deveria estar aqui — Alejandra disse, sem se virar. — Meu pai daria o comando para atirar se visse um Nox tão perto da luz das velas.
— Seu pai está ocupado demais contando balas, Alejandra — Gael parou a poucos centímetros dela. Ele não recuou diante da frieza dela; ele sorriu. — Valerius sempre teve bom gosto para relíquias, mas ele não mencionou que a herdeira amaldiçoada tinha um fogo que queimava mais que o sol.
Ele estendeu a mão, tocando uma mecha do cabelo prateado dela.
— Se eu fosse o noivo, eu não estaria negociando fronteiras. Eu estaria garantindo que ninguém mais pudesse olhar para você.
Valerius apareceu no batente da porta, as sombras ao seu redor tremulando como chamas negras. O maxilar estava travado.
— Tire as mãos dela, Gael — a voz de Valerius saiu como um trovão baixo.
Gael se afastou devagar, mantendo o olhar fixo em Alejandra por um segundo a mais do que o necessário.
— Relaxa, irmão. Só estava confirmando o que eu suspeitava — Gael passou por Valerius, sussurrando apenas para ele ouvir: — Ela é fascinante. Se você hesitar por um segundo, eu tomo o lugar dele no altar... e na cama.
Quando Gael saiu, o silêncio no quarto tornou-se sufocante. Valerius caminhou até Alejandra. Ele estava receoso, uma emoção que Alejandra nunca pensou ver naquele homem controlador.
— O que ele disse a você? — Valerius perguntou, a voz rouca, prensando-a contra a parede de pedra fria.
— O que importa? — Alejandra desafiou, embora seu coração estivesse disparado.
— Você não disse que eu era apenas um contrato? Uma cura para o seu clã?
Valerius não respondeu com palavras. Ele segurou o rosto dela com as duas mãos, os polegares traçando o contorno dos lábios dela com uma possessividade feroz.
— Você é minha, Alejandra. Pelo sangue, pela maldição e por cada sombra que habita este lugar. Se meu irmão tocar em você, eu queimarei o mundo dele até que não sobre cinzas.
Ele a beijou — um beijo que não tinha nada de gentil. Era uma mistura de fome, medo de perda e o desejo desesperado de marcar território. Pela primeira vez, Alejandra não sentiu a dor da rejeição; ela sentiu o calor de ser desejada como algo precioso e perigoso.
O momento foi interrompido pelo toque estridente do alarme da mansão. Luzes vermelhas de emergência começaram a piscar.
— Estão aqui — Valerius se afastou, recuperando a máscara de líder frio, mas seus olhos ainda ardiam.
Lá fora, o horizonte não mostrava o amanhecer, mas sim as tochas de um exército que ninguém esperava. O Clã Nox e os Serpentinius podiam estar negociando, mas havia uma terceira força se movendo na escuridão, aproveitando a paranoia de Hernandez.
Alejandra correu para o quarto de Gemima. Ela não lutaria por um clã, nem por um pai. Ela lutaria pela irmã. Mas, ao olhar para Valerius, que sacava sua espada de sombras na entrada do salão, ela soube que sua lealdade estava começando a ter um novo e perigoso nome.
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BLOODLINE (em revisão)
RomanceDois segredos. Uma promessa de sangue. E uma guerra onde o amor é a única sentença de morte. Alejandra aprendeu cedo que, no mundo da alta aristocracia, o silêncio é a melhor defesa. Mas nenhum segredo a preparou para o destino que a aguardava: ser...
