Capítulo 2
O salão principal da mansão Viegas exalava um cheiro metálico de tensão. O pai de Alejandra, Hernández, estava sentado à cabeceira da mesa de carvalho, observando o herdeiro Serpentinius com um misto de desprezo e necessidade.
— O acordo é simples, Valerius — disse Heitor, a voz rouca. — Você quebra a maldição de Alejandra através do vínculo de casamento, e as rotas de comércio das criaturas das sombras passam a ser vigiadas pelo meu clã.
Valerius inclinou-se para trás, os olhos fixos em Alejandra, que permanecia imóvel como uma estátua de gelo.
— Um preço alto por uma noiva que não pode sequer caminhar comigo sob o meio-dia — provocou Valerius. — Mas eu aceito. Sob uma condição: o controle total sobre a linhagem dela após o herdeiro nascer.
Alejandra sentiu o estômago revirar. Ela ia protestar quando um barulho de passos rápidos ecoou no corredor superior. Uma figura pequena, de cabelos claros e olhos vibrantes, apareceu na balaustrada, fugindo das mãos de uma babá.
— Papai! O senhor prometeu que eu poderia ver os cavalos hoje! — a voz doce da menina cortou o silêncio mortal.
Alejandra sentiu o chão sumir sob seus pés. Ela olhou para o pai, a confusão nublando sua fúria.
— Quem é essa criança? — a voz de Alejandra saiu como um sussurro cortante.
Hernandez não olhou para a filha. Ele manteve os olhos em Valerius, que agora sorria com uma descoberta perversa nos olhos.
— Conheça Gemima, Alejandra — disse Hernández, com uma frieza que congelou o sangue da primogênita. — Sua irmã. A garantia de que, se você falhar em quebrar a maldição, o clã Viegas ainda terá uma herdeira "pura" para oferecer ao sol.
O mundo de Alejandra desmoronou. Ela não era apenas a herdeira amaldiçoada; ela era o sacrifício descartável. Bianca tinha a luz que lhe fora roubada.
— Você me escondeu que tinha outra — Valerius levantou-se, sua aura de sombra preenchendo o salão. — O acordo mudou, Hernández. Agora, eu quero as duas linhagens sob meu domínio.
Valerius partiu antes que o sol se pusesse, deixando Alejandra fervendo em uma mistura de ciúmes e instinto de proteção por uma irmã que ela sequer sabia que existia.
Ao cruzar os portões de ferro forjado do território Serpentinius, o ambiente mudou. O ar era mais frio, saturado pela magia das criaturas que seu povo criava e escondia. No salão de assembleia, um grupo de anciãos e guerreiros já o esperava, prontos para a insurgência.
— Você foi negociar com os porcos dos Viegas, Valerius? — um guerreiro cicatrizado cuspiu no chão. — Eles nos massacraram. Devíamos estar colhendo a cabeça daquela herdeira cega, não se casando com ela!
Valerius não hesitou. Com um movimento rápido, ele canalizou as sombras que obedeciam ao seu sangue, prendendo o homem contra a parede de pedra.
— Eu não negócio, eu conquisto — Valerius rosnou, a face obscurecida por um poder antigo. — Alejandra Viegas será a chave para restaurar nossa honra, e quem se opuser a essa união, servirá de alimento para os carniceiros que escondemos no porão.
A rebelião foi esmagada pelo medo antes mesmo de começar. Mas, enquanto Valerius limpava o sangue das mãos, um de seus espiões se aproximou.
— Senhor, há movimentos nas fronteiras leste. Eles não usam o brasão dos Viegas, nem o nosso.
Valerius estreitou os olhos. Um novo brasão surgia: O Clã Nixes. Um grupo de renegados que não servia nem à luz, nem às sombras tradicionais. O tabuleiro estava mudando, e Alejandra, com seu coração partido e sede de vingança, seria a rainha ou o peão naquela nova guerra.
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BLOODLINE (em revisão)
RomanceDois segredos. Uma promessa de sangue. E uma guerra onde o amor é a única sentença de morte. Alejandra aprendeu cedo que, no mundo da alta aristocracia, o silêncio é a melhor defesa. Mas nenhum segredo a preparou para o destino que a aguardava: ser...
