Capítulo 2

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Beatriz

Péssimo era pouco para denominar meu mau humor. Depois de passar praticamente a noite em claro ouvindo meu vizinho depravado transar, levanto e tomo uma ducha gelada para acalmar meus nervos.

Talvez eu deva reclamar com a imobiliária que me vendeu o apartamento. Já que pelo preço que paguei, esperava que as paredes fossem mais resistentes aos barulhos. Todavia, quando penso no motivo, desisto imediatamente. Afinal, não posso abrir uma reclamação alegando que ouvi o meu vizinho transar a noite toda. No máximo, posso agradecer aos céus por não ter filhos pequenos para explicar aqueles sons absurdos que aquele casal fazia!

Saio do banho enrolada na toalha e ouço meu celular tocando. Pego o aparelho sobre o criado-mudo e vejo o nome de Jessie no visor.

— Alô?

Bom dia, amiga! — ouço sua voz animada do outro lado da linha. Um grande contraste com o meu aborrecimento. — Vamos correr? Estou passando no seu apartamento em 10 minutos! Um beijo! Até mais! — antes que eu responda, ela encerra a chamada.

— Filha da mãe! — xingo em voz alta.

Certamente, já sabia que eu recusaria correr no domingo de manhã. Faço o que posso para cuidar do meu corpo, no entanto, não sou nenhuma bitolada no mundo fitness.

Olho as horas e vejo que ainda são 7:30 da manhã. Agora que o sono passou, não me resta mais nada a fazer do que ocupar meu tempo para espantar o tédio.

Ah se eu encontrar aquele depravado outra vez...

Respiro fundo para conter minha raiva e coloco uma roupa confortável. Calço meu tênis esportivo e passo o secador em meus cabelos rapidamente, para prendê-los num rabo de cavalo logo em seguida. Pego uma maçã na fruteira e dou a primeira mordida, antes de ouvir o interfone tocar.

— Sim?

Cheguei! Já to aqui embaixo! — Jessie afirma num tom ofegante.

— Estou descendo. — desligo o interfone e saio de casa, mastigando a fruta.

No corredor, volto minha atenção para a porta de Daniel. Depois da maratona de sexo noturno, ele e sua parceira parecem ter sossegado. Uma vez que no momento só se ouve o som do silêncio.

Ainda aborrecida pela noite mal dormida, desço pelo elevador e atravesso o hall. Dou bom dia para o porteiro da entrada e atravesso o portão assim que ele o abre para mim, encontrando Jessie na calçada, correndo sem sair do lugar.

— Oi, amiga! Bom dia! — ela me cumprimenta, num tom bastante animado para um domingo de manhã.

— Bom dia? Só se for para você! — respondo sem esconder meu péssimo humor, ao mesmo tempo em que jogo o resto da maçã na lixeira ao lado e começo a alongar meu corpo junto à grade que circunda meu prédio.

— Nossa, que bicho te mordeu? Ainda é aquele assunto de ontem? Você parece péssima. Com olheiras do tamanho do mundo. — observa, parando de movimentar suas pernas para alongar seu pescoço e braços.

Ela veste um macacão de ginástica colado ao seu corpo, acentuando sua magreza e alongando sua silhueta. Os cabelos loiros estão presos num rabo de cavalo mal feito, mas que lhe caem perfeitamente bem. Parece até uma modelo, com o visual tão despojado. Ao passo em que eu visto uma calça legging preta comum, junto com uma camiseta branca e velha do Piu-Piu, por cima de um top que amassa meu peito.

— Não é nada disso... Vamos? Te conto no caminho. — alego, tomando a iniciativa de começar a correr.

Jessie repete meu gesto e me alcança, ficando ao meu lado.

Amor de AluguelOnde histórias criam vida. Descubra agora