Uma grande lufada de ar fresco. Foi o que senti ao abrir a porta da varanda do meu quarto naquela manhã de Agosto. Apesar do calor que se fazia sentir, típico da época do ano em que estávamos, corria uma leve brisa. Deixei-me ficar encostada e apoiada ao parapeito da varanda. Fiquei a olhar em redor e a sentir aquela leve brisa típica de uma manhã de verão em San Francisco. Ainda estava com o pijama vestido mas estava-me a saber tão bem ficar ali que continuei. Era uma terça de manhã mas estava toda a gente de férias. Tanto as pessoas que ainda andavam na escola tanto como as pessoas que tinham emprego. Na rua de minha casa não aparecia ninguém. Fui então ao meu quarto e agarrei num livro que estava a ler. “Belos e Malditos “ de F. Scott Fitzgerald. Voltei de novo para a varanda onde comecei a ler sentada no sofá que tinha nesta.
?: Rachel! Rachel!
Estava alguém a chamar-me no jardim de minha casa, á frente da varanda. Levantei-me e espreitei apoiada ao parapeito da varanda para ver quem era.
Eu: Bom dia Camille. Já voltas-te de New York?
Camille: Sim. E foi lindo! A sério devias mesmo ter vindo!
Eu: Hahaha. Aposto que me teria divertido imenso, mas não podia. Sabes que tenho muitas coisas a tratar aqui.
Camille: Eu sei que sim. Bem, mas porque é que daqui a dois dias não vais comigo para Miami para irmos ter com o grupo?
Eu: Não dá Camille. Ainda tenho muitas coisas para tratar aqui antes de Setembro. É pena.
Camille: É mesmo. Ainda estás de pijama? Vai te lá vestir para irmos dar uma volta! Siga para a praia!
Eu: Ok, vou-me só vestir e já desço.
Camille: Ok. Vou entrar então. O teu irmão ainda deve estar em casa, certo? Ele assim abre-me a porta.
Eu: Sim deve estar. Toca a campainha. Pode ser que ele abra.
Camille: Ok. Até já.
Entrei para dentro do meu quarto, vesti um biquíni e vesti por cima uma saia e um top. Procurei uma mala onde pus uma toalha, bronzeador e uns óculos de sol. Desci depois para o andar de baixo. A Camille estava sentada no sofá da sala.
Camille: Estás pronta?
Eu: Sim. Foi o Nathan a abrir-te a porta?
Camille: Foi.
Eu: Onde é que ele está?
Camille: Ele disse que ia ao ginásio.
Eu: Ahh. Pois ele nesta última semana tem ido lá mais vezes. A época está quase a começar de novo e o treinador disse-lhe que durante as últimas semanas de férias ele tinha de intensificar os treinos.
Camille: Pois. Quando é que ele vai voltar lá para a universidade?
Eu: Ele vai uma semana depois de eu ir. Ele está mesmo desejoso de voltar para lá. O futebol faz-lhe falta. E isso nota-se.
Camille: Imagino. E a equipa dele o ano passado saiu-se mesmo muito bem.
Eu: Pois foi. Ficar em 4ºlugar no campeonato de futebol americano universitário em toda a América não é para qualquer equipa.
Camille: Pois não é mesmo. Então, vamos?
Eu: Sim vamos. Vou só buscar uma maçã.
Fui então até á cozinha para ir buscar uma. Os meus pais ainda deviam estar a dormir por isso deixei na bancada da cozinha um papel a dizer que ia á praia com a Camille e que voltava por volta da hora de almoço.
Eu e a Camille saímos então de minha casa.
Camille: Já vendes-te o teu carro?
Eu: Já. Vieram-no buscar na semana passada.
Camille: Opá! Eu adorava o teu carro!
Eu: Pois eu também.
Camille: Vais ter um carro lá?
Eu: Não sei bem ainda. Mas vamos agora no teu carro ou queres apanhar o autocarro?
Camille: Vamos no meu.
Eu: Ok.
Começámos então a andar pela rua até á casa da Camille para irmos buscar o carro dela. Ela era minha vizinha desde que nós andávamos no 9ºano. Andávamos as duas na mesma escola na altura e éramos grandes amigas. Continuávamos a sê-lo. A rua onde morávamos era uma típica rua dos subúrbios. Casas grandes e bonitas, jardins muito verdes e arranjados, vedações pequenas que faziam a separação entre os jardins das casas e uma estrada que percorria a rua toda em que muito poucos carros passavam.
Chegámos a casa da Camille e entrámos no carro dela para irmos para a praia. Quando lá chegámos, estacionámos o carro e fomos para a areia onde estendemos as nossas toalhas e deitamo-nos nelas. De biquíni e com óculos de sol postos, ficámos ali as duas a aproveitar o sol que se fazia sentir naquele dia.
Camille: Não vais ter saudades disto?
Eu: Disto o quê?
Camille: Da praia. Do sol. Do calor. Do bom tempo.
Eu: É normal que vou sentir. Eu cresci aqui na Califórnia. Óbvio que vou ter saudades. De tudo, mesmo…
Disse enquanto dei uma olhadela a um grupo de rapazes que estavam a jogar voleibol mesmo á nossa frente.
Camille: Pois minha amiga… Se tu fosses para a Universidade de L.A.… Este cenário passava-se a toda a hora.
Eu: E lá estás tu com a Universidade de L.A.
Camille: Eu não percebo qual é o teu problema com a Universidade de L.A. Mandas-te a candidatura e foste aceite.
Eu: Camille, vamos comparar a Universidade de L.A. á Universidade de Oxford. Não temos termo de comparação possível.
Camille: Temos sim. Ficas aqui na Califórnia. Tens praia, tens festas e não são poucas, tens os teus amigos, podes ir a casa quando quiseres…
Eu: Eu sei disso tudo. Mas a licenciatura em literatura inglesa na Universidade de L.A. em nada se compara á qualidade e ás saídas profissionais que vou ter para jornalismo se a tirar em Oxford. E por outro lado eu quero ter a minha independência. Quero sair daqui. Acho que preciso mesmo disso. Vou ter saudades, claro, mas vou começar uma nova fase na minha vida e tenho de aproveitar esta oportunidade. Tenho mesmo.
Camille: Vamos ter saudades tuas aqui.
Eu: Eu também vou ter muitas saudades vossas. Mas é uma grande oportunidade e eu lutei por ela e vou aproveitá-la ao máximo. É o meu futuro que está em jogo.
Comecei-me a lembrar do dia em que recebi em casa a carta com a resposta á minha candidatura á Universidade de Oxford. Quando vi que eles me tinham aceite fiquei tão contente. Muita coisa na minha vida ia mudar, mas o liceu tinha acabado. Era a altura de eu mudar a minha vida de alguma forma. Crescer. Aproveitar as oportunidades. Eu queria ir longe no meu futuro. O meu sonho era tornar-me numa grande jornalista. Para enviar a minha candidatura para Oxford imensos professores meus, o diretor do jornal do colégio onde eu andava e trabalhava e um jornalista do LA Times que leu alguns dos meus artigos e entrevistas escreveram todos cartas de recomendação. Apoio não me faltou. Todos achavam que eu tinha um grande futuro como jornalista e que Oxford era um grande sítio para eu conseguir esse grande objetivo. E tirar literatura inglesa enquanto trabalhava no jornal da universidade iria ser algo que me iria trazer grandes oportunidades no futuro.
E claro, ir para Inglaterra. Ir viver durante 5 anos em Inglaterra. Um país tão fantástico e maravilhoso. Tinha ido lá algumas vezes em viagens e de todas as vezes tinha adorado. Ia ser um sonho viver lá durante 5 anos enquanto estudava na universidade em que eu sempre quis entrar. Iam ser anos fantásticos e depois deles quem sabe o que o futuro me poderia reservar...
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Everything Has Changed
FanfictionO meu nome é Rachel. Tenho 18 anos e sou de San Francisco. Mudei-me da minha cidade natal para Inglaterra, onde quero e vou tirar um curso em literatura. O meu sonho é tornar-me numa grande, reconhecida e importante jornalista e estou a lutar muito...
