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                                         14 de Agosto de 1994

"Daqui te escrevo. Tudo o que em mim paira e assenta nestes pequenos ombros que tenho, desde a confusa caneta que absorve as forças trémulas dos meus dedos, outrora possuidores de uma beleza jamais efémera como a tua, até à ponta dos meus pés reconfortados das meias molhadas que os aconchegam de uma maneira gélida;  tudo isso desvanescerá depois desta carta ser enviada.
Nessa visão era debutante a quantidade de pequenos relâmpagos produzia a tua tempestade permanente nos copos que tenho pousados no cérebro.
E no fim como  eu sentia que todos os raios de sol do mundo se aconchegavam para me alegrar. . . Difamo os meus pensamentos em orações profundas, porém somente quero relembrar-te do essencial.
Ou talvez lembrar-te, quem saiba.

No meu mundo existem pequenas quantidades de emoções organizadas pela qualidade e tamanho. Por vezes algumas são substituídas, outras acrescentadas.

Acho que em tempos somente fui substituindo de acordo com a razão, chegando a paixão que primordialmente com a tua pessoa acrescentou de imediato uma nova caixa. E ela possui um carácter bastante peculiar, por vezes é preenchida por algo que eu ainda não decifrei por concreto.

De facto, essa caixa tem subindo em todos os componentes necessários e sinto que isso não está directamente relacionado com o meu controlo racional mas sim com aquilo que é despertado por ti, em todo o interior que me suga e que contigo veio a ser descoberto.

Pela primeira vez tinha uma caixa a mais, que inconscientemente despertava uma sensação diferente de todas aquelas substituídas.

Tornas-me incontrolavelmente poética e isso é distinguido por toda a minha pessoa. Encaixas em todas as curiosidades emocionais idealizadas que tinha, e sinto-me perdida na visão que pela primeira vez pertencia ao coração.

O meu racionalismo batalhava-se em momentos sóbrios que posteriormente eram substituídos pela empírica paixão. Tudo isto interferia no meu eu que saía de casa com uma esperança sorridente de um futuro feliz, onde a minha consciência irracional emitia raios num inverso constante, cujos sentimentos eram opostos a um futuro desconfortável.

Não sei porque partilho estas reflexões em papel quando sei que nunca as receberás.

Por vezes bebo para saber se ainda pertences ao meu subconsciente, é com toda a desilusão que lhe sorrio, pois sei daquilo que comigo ficou.

Uma paixão ardente, uma ilusão realista."


A pobre rapariga abandonava aquela cadeira, marcada pelos seus rebordos corporais onde uma temperatura excessivamente quente vincava aquele material de pano, e madeira.  Os seus olhos delinearam lamentavelmente aquele pedaço enorme de papel que havia sido preenchido com as suas honestas e ternurentas palavras, passando agora a embrulhá-las num compartimento ligeiramente mais estreito e de fácil abertura, -- o envelope que iria abraçar toda a nostalgia transcrita em meras linhas.

As suas trépidas mãos percorreram todo o revestimento de alumínio da pequena janela localizada ao seu lado, questionando infindáveis perguntas, antes de abrir aquele enferrujado compartimento, e deitar asas à sua carta que agora esvoaçava lá fora.

Fora da janela.

Fora de casa.

Fora do seu mundo.

Dentro de si.

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⏰ Última atualização: Jun 13, 2017 ⏰

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SAPPY // SKY FERREIRAOnde histórias criam vida. Descubra agora