Capítulo 2: Reencontro

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Passo a mão no cabelo e olho o relógio que se encontra na parede da cozinha. Volto a ligar para a Dania mas nada, ouço a porta de casa abrir e logo sei que é ela.

"Fica à vontade, sabes o Zayn deve tar fora. Ou seja sozinhos aqui." ouço algo a cair e assim que chego ao corredor vejo o que mais me queima o sangue.

"Dania."

"Zayn." logo afasta o rapaz que lhe beijava o pescoço. "Não é o que tás a pensar."

"Foi esta a tua escolha do vestido?" olho-a irritado. "Foi esta?" grito na sua cara.

"Zayn não, ouve-me." agarra-me.

"Não ouço mais nada, e fica à vontade. Fiquem, aliás." agarro nas minhas coisas.

"Amor, eu amo-te." chora.

"Eu odeio-te." grito de novo na sua cara e saio de casa.

Conduzo para longe e mesmo com a chuva ando rápido, vejo um vulto na estrada o que me faz travar rápido, sinto o meu coração a mil. Eu ia atropelando uma pessoa. Saio do carro e corro.

"Sente-se bem? Precisa de ir ao hospital?" assim que o olhar do ser encontra o meu sinto um enorme arrepio.

"Eu só preciso que me largues." começa a chorar e eu logo abraço o pequeno corpo.

"Bonnie." sussurro e começo a chorar. "Voltaste mesmo."

"Não te importa para nada." afasta-me. "Afasta-te de mim."

"Deixa-me levar-te a casa." peço. "Tá a chover muito."

Ela não diz nada e entra no carro em silêncio. Entro de seguida e arranco.

"Para...?"

"Hotel Flower." responde sem me deixar acabar. Arranco e vou olhando-a. Ela está tão mais linda. Assim que chego paro e embora este silêncio seja muito constrangedor olho-a e sinto o seu olhar em mim.

"Porque é que quiseste voltar?" pergunto num sussurro.

"Sabes eu sei bem que a Nancy já te contou que eu fui abandonada no altar."

"Era segredo?"

"Não, não importa mais. Mas também não estejas a tentar meter conversa." o silêncio volta a instalar-se e os nossos olhares continuam colados. Sinto a sua respiração perto do meu rosto e sem conseguir controlar beijo-a com saudade, logo se envolve e passa as mãos ao longo dos meus braços.

"Zayn.." sussurra e continua no beijo.

"Não precisas de falar." mordo o seu lábio, o seu corpo passa para cima do meu e logo sinto mais arrepios. Como eu tinha saudades deste toque, deste cheiro, destes lábios. Os seus braços rodeiam-me, aperto-a.

"Senti tanto a tua falta." sussurra.

"Sentiste?" ela assente.

"Há sentimentos que o tempo não congela."

"Disseste isso no momento em que foste embora." sorrio.

"Porque eu sabia bem que eu não te iria conseguir esquecer, és a minha vida." olho-a. "Zayn não." afasta-se um pouco. "Vamos com calma." pede fazendo-me gargalhar.

"Desde que não me obrigues a ficar longe de ti, tudo bem bebé." ela assente e saí do carro, agarro no seu braço. "Amanhã vejo-te?" com o olhar baixo assente e faz com que eu a largue, caminha em passo rápido para dentro do hotel e nem uma vez olhou para trás.

Ela ficou tão estranha. Fecho os olhos com força, só de pensar que ela se pode voltar a ir dá-me vontade de enterrar logo o meu corpo.

Encaro-me pelo espelho do retrovisor e passo a mão no cabelo. Como posso eu volta-la a conquistar? Ela é tipo... A minha vida.

Conduzo de novo para casa e assim que chego olho a porta. Encarar a Dania agora é o que menos me apetece, mas não tenho onde ficar e já é tarde para ligar alguém.

Saio do carro e rezo a cada passo para que ela esteja a dormir, ou apenas tenha ido sair com aquele rapaz. Por um lado até foi bom tê-la encontrado. Entro em casa e ando até a um quarto de hóspedes.

Ela disse que o tempo não congelava sentimentos, e é verdade. Mas fogo, porque é que ela ficou assim para mim de um momento para o outro? Quer dizer... Não pode fingir que o beijo não aconteceu.

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