Posso segurar sua mão?

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Ei galerinha! Eu sei, estou atrasada. Sorry! Achei que pela demora vocês mereciam um capítulo doce. Espero que gostem.

E ah, tem capa nova, feita pela fofa @semshawn. Aliás, duas. Irei revesar. Obrigada, ficaram lindas!

***

Era noite, Lauren e Camila haviam terminado de jantar e a mais nova estava no sofá abraçando um cobertor lilás e balançando seus pezinhos enfeitados por um par de meias com estampa de bananas.
Ela desviava o olhar do desenho a sua frente para encarar a prima e então disfarçava ao ser flagrada.
Lauren ergueu a sobrancelha na quarta vez que se deu conta dos olhos da menina sobre si.

- O quê? Riu e Camila desviou o olhar com uma carinha sapeca de quem foi flagrada.

- Nada! Falou e enfiou um punhado de balas na boca para se distrair da atenção de jovem.

- Eu estou vendo a senhorita me encarando, pensa que sou boba? O que é? Lauren provocou e Camila fechou a boca apertado, passando seus dedos pelo lábio como se fechasse um zíper e fingindo atirar uma chave imaginária pelos ombros. Fofa! Pensou a mais velha, satisfeita com o clima tranquilo que se instalara após a visita de Dinah. Até que a loira não era de todo ruim, era divertida e sabia lidar com Camila, chegando até dar dicas para a morena de olhos verdes.

- Sabe o que eu faço com meninas que não querem falar? Isso! Lauren atacou a menor com cócegas na costela a fazendo gritar excitada e se contorcer abaixo dela.

- Para Lauren, páara! Camila gargalhava já com as bochechas vermelhas.

- Você vai me contar? A mais velha deu uma pausa.

- Não! A pequena era teimosa.

- Ah, está fazendo jogo duro huh? Pois bem, sua escolha! Lauren mais uma vez a encheu de cócegas, se deliciando com a gargalhada gostosa que conseguia tirar da menina.

-Camila conta, Camila conta! Gritou a pequena, finalmente se dando por vencida. Lauren se endireitou puxando a prima pelas mãos e ajudando-a a se sentar, então ergueu uma sobrancelha e esperou que falasse.

Camila enrolou os dedos na barra de seu pijama como se estivesse nervosa e reunindo um pouco de coragem, soltou: Camila acha que Lauren é muitão bonita! Colocou as mãozinhas de ambos os lados do rosto envergonhada. A maior deu uma risada alta, surpresa pelo comentário e divertida com a reação de Camila. - Hum, então era por isso que estava me encarando igual um gato olha para a presa? Brincou.

Camila arregalou os olhos. "Nãoooo! O gato quer machucar a presa, Camila nunca machucaria Lauren. Não, não.

Lauren sorriu da inocência da menor: - Não foi isso que eu quis dizer bobinha. Fez uma pausa, analisando os traços da menor. Seu rosto bem desenhado, olhinhos brilhantes e expressivos, a boca cheia e rosada, as bochechas coradas... Sim, a criaturinha era linda. - Você também é muito bonita! Disse, tirando uma mecha de cabelo da testa da menor.

Camila suspirou, contente com o elogio e deitou a cabeça no encosto do sofá, olhando para o desenho a sua frente com um sorrisinho bobo nos lábios. Lauren a acompanhou, olhando para a tela mas perdida em seus próprios pensamentos, avaliando que estar ali com Camila não passava nem perto de ser o aborrecimento que ela pensou que seria. Claro, ela não era uma pessoa muito paciente e não tinha muita experiência com criança, menos ainda com jovens com infantilismo.

Além disso, Camila era um pouco teimosa e insistente quando queria alguma coisa. Característica de família, pensou a jovem, sorrindo para si mesma ao constatar que tinha isso em comum com a menina. Mas Lauren não era do tipo de fugir de um desafio, e embora soubesse que ela e a prima teriam algumas dificuldades, sabia que poderiam fazer isso. Ela estava disposta a fazer o melhor possível.

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A chuva caía forte no telhado e o vento sacudia as janelas, cantando um sopro agudo quando encontrava alguma fresta. Tempestades era comuns naquela época do ano quando o clima mudava rápido e o calor aliviava dando lugar a brisa cortante.

Lauren olhava no relógio, 02:45h, ela costumava dormir pesado mas a forte chuva a acordou e agora ela perdera completamente o sono. Não que estivesse com medo, gostava de tempestades, sempre achou que combinavam com sua personalidade. Trocou mensagens com Vero, a amiga baladeira estava se divertindo e Lauren desejou que também tivesse onde gastar a energia extra que estava em seu corpo. Ela foi até a cozinha, fez um sanduíche e levou para o quarto, pegou um livro e se posicionou na cama na esperança que a leitura lhe trouxesse um pouco de sono.

A chuva só parecia aumentar, os raios brilhavam no quarto e havia alguns trovões de vez em quando. Pouco incomodada com isso, Lauren estava imersa na história quando percebeu batidas na porta. Pelo jeito, a chuva não mantinha somente ela acordada. -Entra Camila!

A menina abriu a porta e entrou devagar no quarto, fungando, com uma carinha de choro e segurando seu inseparável cobertor. - Ei, o que foi? Teve um sonho ruim? Lauren perguntou. A mais nova balançou a cabeça negativamente, olhando para baixo. - Está com medo da chuva? Ela fez que sim. Lauren então bateu as mãos ao seu lado na cama, convidando a menina a subir. Camila aceitou imediatamente, se ajoelhando na extremidade e engatinhando até a cabeceira, onde deitou de lado, apertando o cobertor contra o peito e olhando para a prima.

- Está tudo bem, é normal chover assim nessa época, você não precisa ficar preocupada. Você está segura. Tentou tranquilizá-la.

- Mas Camila não gosta. Não gosta dos raios e dos trovões. E mamãe e papai não estão aqui então Camila fica com mais medo e não gosta de dormir sozinha e com medo! Falou tudo rapidamente e então começou a chorar. Lauren se comoveu. Sua prima era tão sensível! Estranhou sua própria necessidade de confortar a menor. Geralmente não era assim, ela reviraria os olhos e não daria atenção para o que costumava considerar frescura. Mas não dessa vez, não com Camila. Decidiu não racionalizar seu comportamento. Por hora, só queria que a menina parasse de chorar.

- Ei, você não está sozinha. Eu estou com você, não estou? Deitou de frente para a menina, passando a mão em sua testa suada, afastando a mecha de cabelo que caía sobre os olhos molhados por lágrimas. - Não chore, está tudo bem!

A menina foi se acalmando aos poucos, embora a tempestade não compartilhasse da mesma calma. Seu corpinho tremeu levemente e Lauren puxou o cobertor, se certificando de que ela estava confortável e fez o mesmo consigo. Não se lembrava da última vez em que fora tão carinhosa com alguém.

Olhou para a prima que havia parado de chorar e agora a encarava séria. Esperou que ela falasse alguma coisa mas nada veio. Quando estavam a um tempo em silêncio ouvindo a água bater na janela e no telhado, a voz suave falou baixinho: - Posso segurar sua mão?

Lauren atendeu ao doce pedido, estendendo uma mão para Camila segurar, não sabendo que aquele simples conforto aqueceria o coração de ambas, sendo o primeiro passo de uma conexão que se tornaria forte como a tempestade lá fora.

***

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⏰ Última atualização: Oct 11, 2017 ⏰

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