Bônus Valentina Parte 2

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- Como eu iria saber? Você nunca demonstrou gostar de mim mais que uma amiga quase irmã, e depois você começou a dedicar sua atenção a Lilli, então eu só decidi tentar esquecer. Tentar seguir em frente.

Nunca pensei que teria essa conversa com ele, lógico que cheguei a sonhar com esse dia mas foi há muito tempo.

- Seguir em frente? Como? Ficando cada dia com um cara diferente?

Eu não pensei quando vi ele já estava com a marca da minha mão em seu rosto.

- EU NÃO VOU ADIMITIR VOCÊ ME TRATAR ASSIM, ESTÁ ENTENDENDO?

- Valentina? Me desculpe, não foi minha intenção...

- Não foi uma pinóia. Você praticamente me chamou de puta. Coisa que eu não sou, posso sair e beijar quantos homens eu quiser mais nunca fui para cama com nenhum deles. E não me venha com essa conversa fiada como se você fosse um santo, como se você não tivesse comido metade das mulheres dessa cidade.

- Me desculpa Tininha.

- Tininha? Você não me chama assim desde que eu tinha 12 anos.

- Porque foi quando eu comecei a te ver de forma diferente. Eu sei que você vai me achar um doente mais nunca naquela época eu te olhei com malícia, e sim com muito carinho. Eu queria poder te proteger mas não podia me apressar.

- Me proteger de que? Do que você está falando?

- Da sua mãe.

Minha respiração travou. E foi como se eu tivesse com 12 anos de novo. Posso até ouvir a voz dela.
"Sua imprestável." "Não vejo a hora de receber tudo que gastei com você." "Some da minha frente que eu não aguento mais olhar para sua cara."
Foi difícil achar minha voz.

- Do que você está falando? "Minha voz saiu em um sussurro quase inaudível"

- Chega de mentir para mim Valentina. Você acha que eu não sabia do que ela fazia com Você? Que eu não sabia o que ela falava? Eu sempre soube. Eu via e ouvia toda aquela merda que ela falava para você.

- Mas como? "Deus eu acho que estou hiper-ventilando"

- Ei olha para mim. Respira. Puxa e solta. Isso continua.

Não posso acreditar que ele sabe sobre isso. O Deus não. Isso não.

- Eu não quero falar sobre ela.

- Mas é preciso para que você entenda.

- Entender o que? Que minha própria mãe, a mulher que devia me amar e proteger tentou me vender como se eu fosse uma coisa qualquer? Que minha virgindade era o seu ticket para ficar rica e se livra de mim?

Nunca falei sobre isso com ninguém, nem com a Lilli só a mãe dela a tia Lolla sabia.

- Você acha que porque ela te emancipou aos 17 anos? Uma mulher que queria te vender numa hora e na outra te da a liberdade. Não faz sentido não é?

- O que você sabe sobre isso? Como você sabe que fui emancipada?

- Porque fui eu que a obriguei a fazer isso.

- Como é que é?

- Eu fiz ela te emancipar.

- Como você fez isso? Como conseguiu?

- A primeira vez que vi o que ela fazia com você eu fiquei sem reação. Descobri naquele dia que lhe dei a rosa e te acompanhei em casa, depois de te deixar lá, fui embora mas quando cheguei em casa a Lillian estava na porta me esperando e pediu que fosse pegar com você a matéria que ela tinha perdido e você tinha pegado com uma colega dela. Então eu voltei, você estava no quintal no fundo. Eu chamei mas ninguém ouviu então ouvi a voz da sua mãe gritando com você e fui entrando pela lateral, quando cheguei lá ela estava gritando com você dizendo coisas horríveis que não vale a pena repetir, fiquei lá até quando ela terminou de te ofender, não querendo ser pego fui embora, quando cheguei em casa conversei com meu pai não disse que era você mas ele me deu a ideia de se eu queria te ajudar que tentasse gravar para que ele pudesse levar na delegacia que ele trabalhava e denunciar ela, mas eu sabia que se ela fosse preza você poderia ser levada sob custódia do juizado, então isso não era uma opção porque eu não estava disposto a te perder, então eu tive que ter paciência e fé de que o meu plano desse certo.

- E qual era o seu plano.

- Esperar que você ficasse um pouco mais velha para que pudesse ser emancipada. Ser livre.

- Você... Você fez isso por mim? Você esperou praticamente 4 anos para me dar a liberdade que eu tanto sonhava? "Nesse momento estava chorando de tanta emoção, ele cuidou de mim todos aqueles anos sem eu nem sonhar."

- E não foi só isso.

- O que mais você fez?

- Eu...eu te seguia. Nas baladas, nos bares, no shopping.

- O que? Você estava me vigiando todos esses anos? Por que?

- Eu dizia a mim mesmo que era só para ter certeza que você estava segura, mas eu sabia que não era só por isso.

- E por que você fazia isso?

- Porque mesmo dizendo que eu era apaixonado pela Lillian eu não te esqueci. Eu não consegui tirar você da minha cabeça. Sempre que tinha folga eu dava um jeito de te seguir, quando você saia com algum cara eu procurava envestigar ele para saber se você estava segura, mesmo não estando comigo eu tentava me convencer que eu só queria a sua segurança. Mas toda vez que te via com alguém aquilo era como uma facada, eu não suportava saber que você preferia qualquer um menos eu.

Não pode ser. Ele esteve cuidando de mim todo esse tempo. Esteve cuidando que eu não estivesse em perigo com algum dos caras com quem me envolvi.

- Meu Deus que loucura. Esse tempo todo Taylor? Esse tempo todo eu te amando em segredo achando que você nunca se importou comigo e você sendo praticamente minha sobra. Vê como tudo isso é fodido?

- Eu sei. "Eu já andava de um lado a outro do quarto enquanto ele estava sentado na cama com a cabeça baixa apoiada nas mãos."

- Eu sempre te amei Valentina, mais não podia te obrigar a ficar comigo sendo que você não queria. E dizer que estava enteressado na Lillian foi uma forma de tentar te punir te mostrando que eu valia á pena, que eu seria capaz de fazer você feliz. Eu queria te mostrar o que você estava perdendo.

- Com certeza eu vi o que perdi. "Disse olhando em seus olhos."

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