Enquanto Rosé juntava as varias caixas, com enfeites velhos, e sem graça, seu pai arrumava a mesa, com alguns pratos a mais, que haviam sido colocados para os amigos da menina.
- Que amigos são esses?
Ela não poderia falar. Com certeza não. Ou, como contar a seu pai que talvez, seu irmão fosse aparecer para a ceia de natal? Exato. O irmão de Rosé. O irmão cujo ela não deveria nem saber da existência. O menino que, do nada, desapareceu da vida de seu pai, como se fosse fumaça.
- Amigos, pai.
E enquanto a pequena permanecia feliz, e nervosa, Jimin estava apenas nervoso. Tantos motivos para aquele nervosismo, o deixavam cada vez mais confuso, até pelo fato de que Jeon o importunou tanto para ir aquele jantar, que se sentiu obrigado a ceder. Mas afinal, o que teria de tão importante em uma ceia, besta, de natal?
Talvez ele tivera inúmeros traumas de milhões de vezes que brigas fúteis, e inúteis, se colocaram na frente de toda aquela “família” sem graça, e ridícula que ele teve durante anos.
°°°
- Jimin, vem logo. E trás as coisas.
Como se já não bastasse toda aquela falsidade familiar, que só acontecia aos fins de ano, Jiminnie ainda era obrigado a aturar seu pai se aproveitando de sua boa vontade de não causar confusão.
- Já vou...
Suspirou, e pegou as bandejas carregadas de comida, levando-as até a sala.
Ele odiava fingir que amava tudo aquilo. Ele odiava fingir que aquela era sua família, porque afinal, ele, em sua cabeça, nunca tivera uma família.
- Depois da meia noite, eu vou na casa do Kookie, tudo bem?
O menino, então, colocou as bandejas na mesa, e dirigiu seu olhar diretamente ao seu pai. Ele sabia que o mesmo não ligava para onde iria, contato que passase o natal com a sua suposta família. E era sempre assim.
Depois da meia noite, Park Jimin catava suas tralhas, e ia até a casa de Jungkook, festejar o natal com quem realmente lhe importava, e com quem realmente se importava com ele.
- Você sabe que tudo bem.
Que estava tudo bem ele sabia, mas algo de que o menino nunca soube, era que seu próprio pai, tinha receio em o deixar ir. Ele tinha um horrível pavor de que Jimin fosse o largar, e mesmo sabendo, que sim, talvez ele fosse um péssimo pai, mas um péssimo pai que tentava dar o seu melhor em tudo, para a felicidade dele. E se a felicidade dele estivesse na família Jeon, que problema tinha nisso?
- Obrigado...
E aquela foi a primeira vez na vida que o coração de ChimChim doeu ao escutar que não teria problema se ele fosse, porque aifnal, estava tudo bem.
Por mais que amasse fugir dali, e correr para os braços de Jungkook, correr para os braços que o protegiam, ele amaria que esses braços fossem o de seu pai, e que ele não precisasse sair dali nunca. Jimin só gostaria que, por uma vez, seu pai se importasse de verdade com sua felicidade.
Quem diria, ambos se preocupando com a mesma coisa, mas de jeitos diferentes. E o mais irônico disso, é que um, nunca iria saber o que o outro queria.
°°°
- Chiminie, você vai lá, e vai arrasar nesse jantar, okay?
Hosoek segurou seus ombros, e o empurrou até a porta da casa de Rosé.
"Por favor não atenda.Por favor não atenda..."
Os pedidos de Jimin foram realizados, pois foi a mãe de Rosé que atendeu aquela porta, e ele ainda teria mais alguns segundos para pensar com que cara encararia seu pai.
- Vocês estão bem?
A senhora Kim sorriu, e lhes deu passagem para entrar, e por mais que seus corações estivessem acelerarados, ou talvez só o de Jimin, eles entraram, e foram em direção a sala de jantar, onde estavam postos os pratos, e onde provavelmente seria a ceia de natal.
- Jiminnie!
Rosé gritou ao vê-lo, e correu para abraça-lo forte. Era natal, e o contato daqueles dois, até então, havia ficado cada vez mais forte, e cada vez mais intenso. Além de irmãos, agora, eles passaram a ser amigos, amigos próximos, e confidentes um do outro.
- Hey!
O barulho de seu coraçãozinho, ecoava pela imensa sala da casa, enquanto suas mãos começaram a tremilicar, e enquanto ele suava frio, e engolia palavras, palavras que gostaria de dizer, mas que seu orgulho o impedia.
- Eu fico feliz que vocês vieram.
Pelas escadas se ouve um barulho de passos, e esse barulho já se torna algo perturbador, ainda mais, quando esses passos se alastram pelo ambiente, e finalmente param.
- J-Jimin?
Claramente o espanto da voz, e o gaguejo instantâneo, só podiam ser reação de seu pai ao vê-lo.
- Oi...
O menino ajeitou uma de suas mechas atrás do cabelo, e sorriu fraco, tentando não parecer nervoso, algo que ficou quase impossível, pois ele estava nervoso, e aquilo era visível até demais.
Se seu pai desse a chance para que ele falasse, talvez ele podia se explicar. Mas o senhor Park não queria explicações. Ele queria seu filho. O filho que não via a doze anos.
- Por que você sumiu por tanto tempo? Por onde andou? Com quem você esteve por tanto tempo que sumiu? Como encontrou a Rosé? Por que não veio antes?
Aquelas milhões de perguntas, desesperadas, fizeram sua cabeça girar, e Jimminie arregalou os olhos, e engoliu um seco. Seu pai estava mesmo preocupado?
- Eu...
Quem imaginaria que depois de horas, tudo teria se explicado, e todos estaria bem, sentados em uma mesa, esperando a meia noite para celebrar, o primeiro natal de Jimin, com seus amigos, seu pai, e sua irmã?
Todos os outros anos, seus natais haviam sido parados. Mas ele nunca havia ligado, afinal, seus natais parados eram juntos de Yoongi. E era isso que faltava naquele momento.
Park Jimin sentia a falta de Min Yoongi. E adivinhem, faltava apenas... O relógio bateu. Meia noite. Agora faltavam apenas seis dias para que os dois finalmente se reencontrassem.
Aquele natal estava sendo melhor do que todos imaginaram. Aquele natal, estava sendo quase perfeito. Quase.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Tomorrow - Yoonmin
Fanfiction" - Não espere por mim, Park Jimin. E se amanhã eu não estiver mais aqui? O que você fará? Esperará para sempre? Você realmente pararia sua vida para me esperar, mesmo sabendo que eu posso nunca mais voltar? - Naquele momento, seu corpo gelou. Jimin...
