Arrependimentos
Terça-feira. 10 de novembro, 2015.
Louis se lembra de muitas coisas das quais havia se arrependido ao longo de sua vida.
Houve aquela vez em que ele pintara o cabelo de vermelho aos 15 anos, no ápice de sua fase emo, quando ele apenas vestia roupas pretas, escutava músicas depressivas e não tinha uma vida social. Deus, suas irmãs nunca o deixariam esquecer daquilo, elas mantinham fotos e vídeos guardadas sob sete chaves, prontas para serem usadas contra ele.
Houve uma vez em que ele fizera uma aposta com Liam, seu melhor amigo. Ele ao menos se lembra do que exatamente se tratava a aposta, mas ele perdeu, e teve de correr completamente pelado na frente de toda a sua escola (incluindo os professores) durante um acampamento de verão no sétimo ano. Aquilo havia sido vergonhoso, e o fato de que a garota por quem ele era apaixonado, tinha presenciado a cena, não ajudou muito. Ele tem sorte de isso ter sido há muito tempo, quando os smartphones e a internet não eram essa grande febre, ou ele com certeza teria sido o que chamam de "viral".
Ele se lembra de quando havia decidido contar para sua namorada do ensino médio que era gay. Ele decidiu que honestidade era o melhor, já que ambos estavam juntos há quase um ano. Não seria justo que Louis ao menos lhe desse uma explicação. O problema foi o momento em que ele decidira fazer isso.
Com seus dezoito anos de idade, era de se esperar que Louis estivesse completamente tomado pelos hormônios da adolescência, que o fariam querer se masturbar apenas ao ver um comercial de peças íntimas. Então, quando mesmo depois de meses, ele não havia sentido nenhum desejo por sua namorada, ele começou a se questionar. Por favor, ele namorava Darla Johnson, capitã das líderes de torcida e garota mais desejada do colégio, ele deveria se sentir ansioso para entrar nas calças da garota (ou saias, considerando que ela usava o uniforme de torcida noventa por cento do tempo).
Para ser sincero, a única razão pela qual ele a havia pedido em namoro era que todos no colégio diziam que eles seriam o casal perfeito. O típico clichê de filmes americanos: o capitão do time de futebol e a capitã das líderes de torcida. Ele tinha de concordar, a garota era linda e Louis também, ele não seria falsamente modesto dizendo que não era tudo isso, porque bem, ele era. Tendo superado sua fase emo vergonhosa, ele havia decidido fazer o teste para o time de futebol do colégio. Qual não foi sua surpresa ao descobrir que levava jeito pra coisa, o que o fez, não muito tempo depois se tornar capitão. O futebol havia lhe rendido uma boa forma física, e isso somado aos seus olhos azuis e cabelos castanhos que pareciam sempre perfeitamente desorganizados, lhe concederam o título de garoto mais popular do colégio. Sua vida parecia perfeita, ele tinha amigos, popularidade e uma namorada perfeita. Sua corrida nua no acampamento de verão era agora nada mais que uma história engraçada, da qual as pessoas tinham orgulho de falar, contando sobre como Louis Tomlinson sempre fora foda. Ele deveria estar feliz e satisfeito.
Só que na noite do baile, no último ano do ensino médio, quando ele estava com Darla no banco de trás do Corolla que havia ganhado de presente de aniversário adiantado de seu pai, ele decidiu que era a hora de ser sincero. Ele provavelmente deveria ter tido essa conversa há alguns meses quando se masturbara vendo um filme pornô gay, mas antes tarde do que nunca, certo? Errado.
Seus amigos sempre disseram que ele não tinha o time pras coisas, mas ele nunca havia acreditado realmente. Isso é, até escolher o momento em que Darla estava de joelhos à sua frente, com seu pênis em sua boca, pra confessar que era gay. E ok, ele se sente realmente agradecido por ela não ter arrancado seu pênis fora a base de mordidas ou algo assim, mas a reação que ela teve não esteve muito longe disso. Ela parecia ter levado um tapa durante alguns instantes, então ficou irritada, muito irritada. Ela gritava à plenos pulmões que Louis era um mentiroso nojento e que havia a usado pra fingir não ser um viadinho. E Louis não pôde ficar bravo realmente, porque ele meio que tinha a usado. Não da maneira que ela estava insinuando, mas tinha. Ele apenas ficou feliz pelo baile ainda estar rolando na quadra do colégio e a música alta abafar o surto de sua provável ex-namorada. Uma semana depois ele descobrira que ela havia transado com metade dos caras do time logo depois de eles terem rompido. E tudo bem, Louis não se importava, entendia que ela estava brava e quase se sentia mal por não sentir nada em relação à sua ex-namorada estar fodendo com todo o seu antigo time.
Ele se sentia grato por não ter mais que conviver com nenhum deles. Era o último ano do ensino médio, o baile havia sido a grande despedida. Todos iriam pra faculdades em lados opostos do país e se encontrariam apenas daqui há 10 anos numa daquelas reuniões idiotas que as pessoas insistiam em fazer.
Então, sim. Louis realmente tinha algumas coisas das quais se arrependia. Mas nada se comparava ao momento em que ele ouviu o barulho de portas sendo derrubadas, seguido de sons muito parecidos com tiros, pessoas gritando e então policiais gritando para que todos ficassem parados.
Louis definitivamente odiava Liam Payne, seu melhor amigo idiota, por tê-lo arrastado para aquela festa.
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Opposés
Hayran KurguOnde Louis vai à uma festa, Harry vive de aventuras, e ambos se esbarram durante uma operação policial.