Pizza é para todos

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O menino fez uma careta em frente ao espelho e se admirou por alguns segundos. Notou algo no seu rosto: uma espinha pequena que havia crescido na sua bochecha. Ele a acariciou por alguns instantes, após soltar um longo suspiro persistente. Ele, absolutamente, não se importava com ela ou com qualquer sinal da puberdade. Aquilo era tão natural quanto o ato de defecar.

Ele fez outra careta por ter feito uma comparação tão estranha quanto aquela, e depois balançou a cabeça de um lado para o outro, bagunçando os seus fios loiros. Essa tinha sido a mudança: a nova coloração do cabelo. Havia se cansado daquele preto padrão, embora amasse o brilho das suas antigas madeixas escuras quando molhadas. Talvez ele tenha se inspirado em algum ator de TV ou num personagem dos seus livros; mas ele achou que aquilo tinha sido uma boa ideia. Isso porque Park Jisung se achava muito belo com cabelo claro.

Após tanta delonga para se vestir e deixar a sua morada — com um abraço apertado no pai e uma balançada de cabeça quando o mesmo alegara para ter cuidado —, Jisung finalmente pegou a sua bicicleta preta com o seu nome e saiu pedalando. Aquela belezura tinha sido o seu presente de dezesseis anos, há uma semana.

Quando criança, Jisung sempre se mostrava feliz por estar fazendo aniversário, recheado com o seu prazer efêmero ao se gabar para os outros garotos da turma de que estava crescendo e se tornando um homem. Chegou até a pegar uma canetinha esferográfica preta e pintar todo o queixo, insinuando já estar com barba. Claro que aquilo arrancou gargalhadas de todos os alunos, e até a professora demonstrou um pouco de pena por tamanha inocência.

Agora Jisung não ficava tão feliz em estar fazendo aniversário, pois isso significa estar envelhecendo e um passo a mais para a vida adulta; Jisung a temia. Era um tanto frustrante se olhar no espelho todos os dias e ver o seu corpo mudar, mas ele já estava acostumado com isso. Até a sua voz soava estranha para ele e já era comum a sua voz falhar ou parecer diferente no meio de uma discussão filosófica na escola.

Jisung se achava estranho por gostar de disputar uma corrida com os carros na rua enquanto andava com a sua bicicleta. O motorista nunca sabia, pois Jisung fazia silenciosamente na sua pista de ciclista e escolhia um adversário a altura.

Ao chegar na escola, sempre cumprimentava o grupo de Jeno e Chenle. Eles sempre andavam juntos, e Jisung às vezes gostava daqueles garotos como companhia, embora sempre acabasse enfurnado na biblioteca da escola conversando com a senhorita Wang — uma chinesa muito divertida e com um ótimo gosto para livros e música. Batendo a sua caneta freneticamente no tampão da mesa, ele sempre mordia o seu marcador com desenhos de jujuba de ursinhos nas partes mais intensas e cômicas dos livros. Sempre recebia um sermão da senhorita Wang, mas os dois logo faziam as pazes com conversas calorosas sobre qualquer coisa que surgisse em suas mentes.

Na saída da escola, lá estava ele com a sua bicicleta a caminho da livraria do seu pai. Vez ou outra caía no chão, mas fingia que nada tinha acontecido ou que não se importava com um simples arranhão. Não tinha nem uma semana que havia aprendido a andar naquela coisa, e Jisung ainda estava pegando o jeito para o negócio.

O sino da lojinha logo soou quando o menino entrara ainda de capacete na cabeça. Seu appa viera apressado e alegre, pensando se tratar de um cliente. Sua expressão mostrou um pouco de decepção — já que o movimento havia caído 40% só naquele mês — ao ver Jisung, mas logo demosntrou alívio ao ver o filho bem e seguro.

— Estou faminto, appa! — exclamara, tirando o capacete amarelo da cabeça e o deixando no balcão.

— Aigoo, Jisung...! O que já falei sobre deixar as suas coisas no balcão da loja, huh? Suba para o seu quarto, vai se limpar antes! — tratou de mandar o menino para os andares superiores, onde ambos moravam.

Pizza | Mark.SungHistórias para pegar e não largar. Descubra agora