Com medo, Elisa coloca toda a roupa de volta no balaio e se apressa a sair do riacho. Olha novamente em volta a procura de alguém, mas só enxergava aquelas árvores frondosas, com troncos enormes e cheias de galhos de diversos tamanhos. Talvez estivesse ouvindo coisas, ou um animal havia passado por perto e feito aquele barulho, mas o calafrio era tão intenso que não podia evitar o medo.
Por trás de uma árvore robusta, descascada e cheia de frutos estava o homem mascarado. Ele observava atentamente cada gesto de Elisa e via nela algo tão familiar que prendera totalmente a sua atenção. Talvez as semelhanças no rosto de Elisa e Sarah, sua mãe, eram tamanhas que ele havia ficado vidrado naquela mulher que ele via se banhar no riacho e se lembrava daquela mulher daquela fatídica noite. Quando resolve se aproximar, um grito corta o silêncio que agora Elisa havia deixado no ar.
- Elisa! Elisa! Cade você?
Com medo, o homem se afasta, sem que Elisa pudesse vê-lo. Ao notar que estava distante, corre para não ser descoberto.
Ela então suspira, imaginando estar segura assim que Talla, sua amiga, grita, mesmo estando longe.
- Elisa? Seu pai me disse que estava aqui no riacho, mas imaginei que estava acompanhada. Estás louca em vir até aqui sozinha? - Talla a repreende assim que a enxerga.
- Talla, você sabe que conheço isso aqui com a palma da minha mão, e sabe também que não sou como a maioria dessas donzelas de Hamles, dependentes do marido ou de outras pra fazer qualquer coisa. E antes que brigue comigo, isso também se aplica a você, nós duas somos as mulheres mais independentes de todo esse vilarejo.
- Talvez por isso somos tão amigas - Talla completa, sorrindo
- Mas o que foi? Qual é o motivo desse desespero todo?
- Eu, acho, bem..
- Para de gaguejar e me conta logo, aconteceu alguma coisa?
- Não, mas vai acontecer - Talla suspira, e completa: - É o Vicente... Ele pretende se mudar de Hamles. Ele quer ir pra tal cidade grande, pra tal civilização. - Diz, com cara de deboche
- E? Quer dizer que você passou a ser dependente de alguém agora? - Elisa a repreende. - Você sabe que adoro o Vicente, mas você não deve tê-lo como suma importância em sua vida. Há tanta coisa a se preocupar, como por exemplo sua mãe.
- Não é isso, eu, eu só não imaginei que o único menino por quem eu me apaixonei iria embora assim, sem mais nem menos. O único a quem me entreguei... O meu noivo.
- Você devia se acostumar Talla. Aqui no vilarejo serão poucos os jovens, principalmente homens. Todos querem sair daqui, e isso aqui vai cada vez mais se tornando menor, até o dia em que nós duas morrermos como as últimas moradoras. - Elisa ri ao terminar a frase, mesmo sabendo que aquilo era um fato que aconteceria em alguns anos. - Pelo menos ainda teremos uma a outra.
As duas voltam ao vilarejo, enquanto Elisa em seu subconsciente ainda continuava tentando decifrar o que teria feito tal barulho. Sabia que não podia ser sua amiga, já que ela havia chegado pela direção contrária.
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Enquanto isso, o Mascarado continuava correndo, até se sentir seguro e longe da vista de qualquer pessoa daquele vilarejo. Ofegante, se senta em uma pedra enorme que havia ao seu lado, e com o olhar confuso fala a si mesmo:
- Aquela menina? Me era tão familiar... não é possível. Ela estava morta. Sim, morta. E como não envelheceu? Como continua com aquele rosto perfeito, aquela pele intacta mesmo após tantos cortes que a faca havia feito em seu corpo? Não posso estar vendo coisas, aquela imagem era tão real. Será que ela resolveu me assombrar assim como todos aqueles moradores daquele maldito vilarejo têm feito com a minha vida desde aquela noite?
Mesmo com a máscara branca que cobria metade do teu rosto, era visível o olhar confuso daquele homem.
- Sarah... Será... será você?
Com receio do que havia visto, ele resolve não voltar tão cedo àquele riacho. Não tinha forças para encarar aquela que ele imaginava ter visto.
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O mês de setembro chega.
Tido como o mês da caça em Hamles, todos os homens, independente de sua idade, passavam noites em claro caçando.
Isso incluía Augusto, o pai de Elisa.
Aquele mês não era um mês de recordações boas para ele e Elisa, afinal era o mês em que sua mãe foi brutalmente assassinada. Um assassinato que completaria 18 anos. Um assassinato que chocou Hamles e fez com que abrissem os olhos para o perigo que aquele homem que escondia sua face por trás de uma máscara representava.
Como de costume, quando o sol se pôs os homens, armados com arcos e flechas e outros materiais de caça entraram mata adentro, na esperança de voltarem com uma grande quantidade de carne para suas famílias.
Elisa, nessa época do ano costumava ficar com Teresa, mas pela primeira vez preferiu ficar sozinha e mostrar pra si mesma que era independente como costumava bradar aos ventos. Embora não tivesse concordado com isso, seu pai Augusto permitiu que ela dormisse desacompanhada em sua casa. Acreditava que não devia "trancar a filha em uma prisão" pelo resto da vida.
E na primeira noite sozinha, remetendo ao passado, a chuva começa a cair forte, como a 18 anos atrás. O barulho das gotas caindo sob o teto da casa feita de barro era a única coisa que Elisa ouvia durante toda a noite, e, sendo assim, o que chamava toda a sua atenção, seu interesse naqueles pequenos estalos era tão grande, a ponto de acompanhar até mesmo a sincronia que os pingos tinham ao cair no teto e no chão ao lado de fora de sua casa. Aquele era o único barulho que se ouvia até que batidas fortes e frenéticas na porta quebram a sincronia daquelas gotas.
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Mascarado
Mystery / ThrillerATENÇÃO: CAPÍTULOS DO LIVRO PARA DEGUSTAÇÃO. PLAGIO É CRIME! OBRA REGISTRADA! NOVO LIVRO NO WATTPAD: Vale Dos Suicidas: http://w.tt/1nikOCO Mascarado conta a estória de Elisa, filha de uma mulher que foi assassinada brutalmente em um vilarejo onde...
