Elisa se desespera em silêncio. Não sabia se devia abrir a porta, se pedia ajuda ou se tentava fugir. Enquanto isso as batidas continuam.
- Será que foi isso o que aconteceu? Será que a minha mãe abriu a porta para alguém que batia, e deixou o inimigo entrar? Será que ela foi inocente a ponto de abrir a porta no meio da noite, estando sozinha, e permitiu que aquele mascarado invadisse a casa e a fizesse sua vítima?
Antes mesmo de continuar suas perguntas a si mesma, os barulhos da batida são interrompidos por uma voz familiar.
- Senhor Augusto. Abra a porta, sou eu, Thanus. Posso falar com o senhor?
O alívio tomou conta dos pensamentos de Elisa, que correu até a porta. Não era o Mascarado, era Thanus, atual chefe do vilarejo. Ela segura o trinco que fechava a porta, mas antes de tirá-lo, logo sua mente lhe trai, colocando mais suposições em sua cabeça.
- E se ele esta com o Thanus como refém? E se ele for capaz de imitar a voz, ou... Ou até mesmo se ele for o Thanus? - Ela leva a mão a cabeça, soltando o trinco ainda no lugar. - Não, eu não posso deixar o medo fazer com que eu invente bobeiras na minha cabeça, eu vou abrir essa porta e falar com ele. Talvez ele esteja correndo perigo lá fora, não posso ser egoísta e deixar o nosso chefe nas mãos de um assassino.
Ao terminar seus delírios ela puxa o trinco da porta rapidamente, sem pensar, afim de que o medo não a impeça de fazer isso. Quando abre, Thanus estava parado, ensopado e tremendo de frio.
Thanus era o chefe do vilarejo, assumiu a posição de seu pai, que havia morrido dias depois da mãe de Elisa. Era alto, forte e não aparentava ter seus 40 anos, cabelos pretos e olhos mais pretos ainda. Solteiro, não se dava ao trabalho de se relacionar com mulheres do vilarejo, segundo ele, com medo de que atrapalhasse sua liderança.
Ele entra a pedido de Elisa, questionando-a:
- Cade teu pai? Preciso falar com ele, Elisa.
- Meu pai? Ele não esta aqui, saiu com os outros homens do vilarejo. Alguma coisa esta acontecendo? Algo que eu deva saber?
- Ele... Ele te deixou sozinha? - Thanus parecia surpreso. - Ele foi com os outros homens pra caça e te deixou aqui?
- Sim, como em todos os outros anos ele saiu pra caçar, mas dessa vez me deixou aqui, e não com Teresa, como sempre fez. - Elisa não compreendia o motivo de tal questionamento.
- Me admira seu pai, mesmo após a morte da sua mãe ainda deixar você aqui, sozinha. Acreditei que ele estava aqui pela luz da vela, visível até para quem está ao lado de fora de sua casa... Não imaginei que a veria aqui, frágil e desprotegida.
Elisa se irrita com o comentário, mas em respeito ao chefe de Hamles, se limita a perguntar:
- Mas o que o senhor quer com meu pai? É algo tão importante assim para fazê-lo enfrentar essa chuva?
- Sim! - Responde categoricamente - Um dos moradores do vilarejo disse que viu o homem mascarado rondando por aqui, você pode estar em perigo.
- Então meu pai pode estar em perigo! - Emenda Elisa.
- Se preocupe com você, seu pai sabe se defender. Não saia dessa casa por nada e só abra a porta caso seja seu pai ou eu, nem mesmo pra nenhuma mulher do nosso vilarejo você deve abrir, esta me escutando?
Elisa faz que sim com a cabeça, e Thanus se apressa em sair da casa dela. Antes de dar o primeiro passo, olha em volta, como se checasse se o mascarado não estivesse por perto.
Ele sai correndo pela chuva, e Elisa fecha a porta ao perdê-lo de vista. Ofegante, e com medo, pensa:
- Me desculpe Thanus, mas meu pai pode estar em perigo e eu não vou deixá-lo sozinho. Eu vou encontrá-lo e vou avisa-lo da presença desse ser do inferno e antes mesmo de notarem, já estaremos em casa.
Elisa veste uma blusa feita da pele de alguns animais mortos em caça e abre a porta, correndo dentre os pingos de chuva que agora caiam mais devagar, como se a natureza quisesse ajuda-lá a encontrar seu pai logo.
Na mata, o silêncio é quebrado pelos gritos e a escuridão é cessada pelo fogo de uma tocha que, mesmo sob a chuva, não se apagava, que os homens de Hamles seguravam.
Por perto, o mascarado sabia que o mês de setembro se iniciava. O mesmo mês em que a alguns anos atrás sua vida mudou. Conforme se aproximavam, com medo de ser descoberto ele tentava se esconder, e ia em direção ao vilarejo, pois sabia que nenhum homem estaria por ali e lhe machucaria. Corria sob a chuva, com a máscara em teu rosto se molhando. Talvez fosse melhor tira-lá, logo pensava mas, contrariamente imaginava que o que existia por trás dela poderia ser pior. Continua correndo para longe daqueles homens até que um grito lhe fez ficar estático. De longe era possível escutar aquela voz, que ele logo reconhecera como a mesma que escutou aquele dia no riacho.
- Pai? Pai? Sou eu, Elisa. Pai? Cadê você? - Ela gritava, olhando para todos os lados. O medo que sentia era visível.
- Elisa? Então ela... Ela não é aquela mulher! Ela não é a Sarah. Só pode ser a criança naquele quarto... Só pode ser aquela criança daquele berço, a criança que presenciou tudo.
Antes mesmo de concluir seus pensamentos, ele notou que Elisa se aproximava cada vez mais. Ele então, como da primeira vez se esconde atrás de uma árvore, enquanto a via passando mais próximo do que na primeira vez. Apenas alguns passos separavam ele daquela garota, que agora já tinha nome. Não sabia o que fazer, se viu encurralado, mas achava que devia ir até a garota para tentar explicar o que havia acontecido anos atrás.
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Enquanto isso, no vilarejo, Teresa se assusta com o barulho da porta da casa de Elisa sendo arrombada. Não acreditava que iria passar por tudo aquilo denovo, não queria imaginar a sua menina em perigo. Mesmo sendo uma senhora de idade, tirou forças de onde não imaginava ter e se levantou já correndo até sua porta. Naquele momento não se importava com si mesma, apenas com Elisa.
- Mas que diabos essa garota resolveu dormir sozinha? Justo hoje, depois de tantos anos, isso pode estar se repetindo? Não é possível, não é possível!
E repetiu tais pensamentos até sair de sua casa, e encontrar a porta da casa de Elisa no chão. Não pensou duas vezes e em grande velocidade entrou, vasculhou a casa toda e não a encontrou, muito menos viu aquela imagem que havia visto a 18 anos atrás. Não havia ninguém ali, nem quem ela quisesse encontrar, nem quem ela não quisesse.
- Não acredito! Elisa? Elisa? Minha filha, cadê você? - E os pensamentos deram lugar a um grito de desespero, chamando pelo nome da garota.
Ela vasculha a casa toda novamente e, cansada, senta-se na cama da garota. Logo, lamentando o que poderia ter acontecido, ela resolve ir até Thanus.
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Enquanto isso, Elisa continuava aos gritos a procura de seu pai, e nem imaginava que a alguns passos estava o Mascarado. Não imaginava, até notar que havia alguém atrás daquela árvore a sua frente.
- Quem esta ai? Eu, eu estou te vendo, diga-me, quem é que esta ai? - perguntou, já com medo da resposta enquanto pensava: - Maldição! E agora? O que faço? Será ele? Será o maldito? - Ela tenta se manter firme, e temendo quem veria, chama pela mãe. - Mãe, onde a senhora estiver, me ajude, lhe imploro, não me desampare, por favor.
Ao terminar de perguntar a identidade de quem se escondia atrás daquela árvore, um silêncio pairou no local. Era como se as cigarras na mata tivessem ficado mudas, como se as gotas não fizessem mais barulhos e como se só pudesse ouvir sua respiração, descompassada. Antes mesmo de criar um plano de fuga, o mascarado dá um passo para o lado se revelando na frente de Elisa, que surpresa, leva a mão á boca.
Agora estavam os dois, frente a frente, Elisa e o suposto assassino de sua mãe, o Mascarado, o homem mais temido de Hamles.
A chuva nesse momento passa a cair cada vez mais forte, encharcando-os rapidamente.
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Mascarado
غموض / إثارةATENÇÃO: CAPÍTULOS DO LIVRO PARA DEGUSTAÇÃO. PLAGIO É CRIME! OBRA REGISTRADA! NOVO LIVRO NO WATTPAD: Vale Dos Suicidas: http://w.tt/1nikOCO Mascarado conta a estória de Elisa, filha de uma mulher que foi assassinada brutalmente em um vilarejo onde...
