Festa I

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Camila tocava os lábios com as mãos trêmulas. Por que Lauren tinha beijado a garota?

Encarava a porta ainda sem entender. Perdeu a noção de quanto tempo estava ali quando ouviu o barulho de salto no corredor. Era Sinu.

-Kaki, eu estou te chamando, não ouviu? - a mulher caminhou até a garota beijando a cabeça dela. Sinu esteve fora em uma viagem, e para Camila a mulher só voltaria no dia seguinte para a festa de aniversário dela - Como a minha princesa está?

Camila sorriu abraçando a mãe, uma vontade de receber colo a fez soltar lágrimas. Estava triste. A mulher analisou o rosto da filha franzindo o cenho, ela enxugou as lágrimas na bochecha dela carinhosamente.

-Eu posso dormir com você hoje, mamá? - perguntou chorosa e ela sorriu.

-Claro, meu amor - abraçou novamente a garota - Seu pai só chega amanhã.. podemos conversar sobre a festa, que tal? - sugeriu e Camila riu anasalado assentindo - Ótimo! Agora me diga, por que está chorando?

A garota ponderou a resposta e finalmente disse.

-Estava com saudade - Sinu sorriu doce e puxou a filha para a cozinha, ela tagarelava durante o jantar, Camila mal tocava na comida. Estava apática e Sinu tentava de todo jeito fazer a garota comer.

...

Pela primeira vez, Lauren sentia que não controlava mais o seu corpo. Só de pensar no beijo ela sentia o mesmo esquentar. Estava deitada na cama olhando o teto, sua cabeça rodava em direção a uma pessoa só. Camila.

Ela pegou o celular, nenhuma mensagem, nada. Bufou.

A tv ligada iluminava o quarto minimamente e ela não estava vendo o que passava. A todo momento os olhos castanhos invadiam sua mente e ela suspirava.

O celular vibrou e ela o pegou, o nome de Brad brilhava, ela silenciou e deixou a chamada ir para a caixa postal. Estava cansada e não queria brigar mais. Tinham discutido feio no dia anterior.

-Por que você fez isso? - perguntou e ela suspirou desviando os olhos para o outro lado do corredor. Apesar de baixa a voz dele era exigente - Você não vê que isso pode prejudicar a todos nós!?

Ela o olhou incrédula e riu irônica.

-Se você não notou, já estamos na merda, Bradley! E mais ainda, Austin foi o único culpado, você sabe disso, eu sei que sabe - acusou e ele negou - Você via as drogas e nunca fez nada!

A voz dela era pura mágoa e ele comprimiu os lábios sem saída.

-Acha que eu sabia? Que ele drogava a Ariana!? Me poupe, Lauren! Eu sempre fui o primeiro a defender você, a Mani e a DJ de qualquer cara, imagina se eu não faria isso, ainda mais por ela - disse magoado e Lauren franziu o cenho, ele suspirou - Eu não sabia de nada!

-Ainda mais por ela? Você a deixou lá - disse sentindo a voz falhar, sua garganta estava doendo por segurar o choro - Você não fez nada!

-Todos nós a deixamos lá, ninguém fez nada, nem você - ela se levantou olhando duramente para ele, as lágrimas caíram e ele se desculpou com o olhar - Lauren.. eu-

-Vai para o inferno, Bradley - disse saindo dali e o deixando lá. Ele estava sendo injusto, Lauren tinha tido a pior reação ao saber que estavam na estrada naquela noite, ela socava o braço dele tentando fazê-lo parar. E ele a levou para casa, ela chorou a noite toda naquele dia.

Ela sentiu o peito doer. Aquilo nunca ia passar? Pegou o remédio ao lado da cama e tomou dois, o efeito era rápido e ela torceu para não ter nenhum pesadelo, mesmo sabendo que isso seria impossível.

Aposta (CAMREN)Onde histórias criam vida. Descubra agora