“(...) When I hold
The warmth of your body
There is nobody
That I'd rather hold
Shattered and cold
The tip of your tongue
The top of your lungs
Is making me crazy(...)”
(Kings Of Leon - Beautiful War)
TRADUÇÃO
“(...) Quando eu abraço
O calor do seu corpo
Não há mais ninguém
Que eu gostaria de abraçar
Arrasado e com frio
A ponta de sua língua
Do topo de seus pulmões
Está me deixando louco(...)”
THEO
Ficamos na cama até nossas respirações se acalmarem. Tudo estava quieto, silencioso, menos o meu coração batendo alucinado no peito. Eu não tocava Eva depois que saí de dentro dela, tirei a camisinha cheia de esperma e sangue e a deixei amarrada no chão ao lado da cama. Por que ainda estava chocado com a intensidade de tudo que senti com ela, precisava de um tempo para mim, para entender o que foi aquilo.
Olhei para o teto branco. Era difícil me concentrar com seu gosto ainda na minha boca, seu cheiro me inebriando, seu corpo nu ao lado do meu naquela cama. Há muito tempo não sabia o que era transar com uma mulher sem jogos de dominação. Tinha me acostumado assim. Ficava com elas o tempo suficiente para ficar satisfeito, às vezes por poucas horas, outras a noite toda. Mas com nenhuma eu me satisfazia só com sexo tradicional, baunilha. Isso tinha ficado para trás, em um passado longo, se é que um dia existiu.
Abri uma exceção por ela ser virgem, nova e inexperiente ainda. Vi como ficou perdida e assustada no calabouço, como tentou esconder o medo por que me desejava. Resolvi iniciá-la aos poucos, ser paciente, pois também estava obcecado por ela. Mas não pensei que fosse gostar tanto, que aquela luxúria me consumisse só em tocá-la ou beijá-la. E queria mais. Queria de novo.
Moveu-se ao meu lado e, sem que eu esperasse, debruçou-se sobre mim. Eu a olhei de imediato e Eva se apoiava em um cotovelo e me fitava com aqueles enormes olhos verdes cheios de emoção, os longos cabelos caindo despenteados por seu ombro, os lábios carnudos entreabertos. Seu rímel estava borrado, mas nada atrapalhava sua beleza pura, doce, única.
- Theo ... – Não completou a frase, como se não tivesse ainda palavras para descrever o que sentia. Mas não falou, agiu. Ergueu a mão direita e acariciou minha face suavemente, passando-a sobre minha barba cerrada, fitando-me como se estivesse ainda surpreendida, dopada com tudo.
Eu também não disse nada. Para falar a verdade, não entendia tudo que sentia, o modo como estava ligado nela. Era como se ainda estivesse dentro de seu corpo, tão enraizada a sentia em mim. E aquele toque terno só aprofundava isso. Não sei por que não a impedi, por que não a dominei. Talvez pelo fato de gostar daquilo, de algo que eu nem sabia bem o que era.
Seus dedos foram perto da minha orelha, se infiltraram em meu cabelo. Veio mais perto, admirada, sem poder deixar de me olhar, surpreendendo-me ao beijar suavemente meu queixo e começar a espalhar beijos por todo meu rosto, maxilar, testa, sobrancelhas, cabelo, lábios, descendo por meu pescoço. Nunca me senti tão silenciosamente adorado. Mulheres tinham feito tudo que mandei, me dado tudo que eu quis, mas aquele carinho todo de Eva era único, inédito, pegou-me desprevenido.
Meu coração bateu forte novamente, fiquei imobilizado, olhando-a sem piscar. Cheirou meu pescoço, esfregou o rosto em meu peito, lambeu meu mamilo. Não fazia com o intuito de seduzir, de tentar me domar, não. Fazia por que parecia desejar ardentemente aquilo, sem controle, sem poder conter o que sentia por mim. Em sua inexperiência e doçura, deixava-me mais doido do que já estive um dia. E eu, que pensei que já tivesse visto de tudo, que me guiava pela força e pela violência, me vi domado pela delicadeza.
Seus cabelos macios se espalharam por meu peito quando o beijou todo, agora as duas mãos me percorrendo, resvalando meus braços, a clavícula, o pescoço e o cabelo. Desceu a boca por minha barriga e eu já estava completamente duro, a respiração pesada, passando meu olhar pelo contorno redondo e firme dos seus seios, pela maciez de sua pele branca. Não a toquei. Não dei ordens ou a dominei como queria. Simplesmente fiquei lá, subjugado por sua adoração.
Parou quando viu meu membro tão perto. Ergueu-se um pouco, as mãos espalmadas em minha barriga, os olhos enormes e cheios de desejo e outros sentimentos por mim. Fixou-os em meus olhos e entreabriu os lábios, umedecendo-os, murmurando:
- Você é lindo ... Nunca pensei que um homem pudesse ser tão perfeito como você.
E desceu novamente a cabeça por meu corpo. Evitou meu pau, mas tocou, beijou e acariciou cada parte minha. Do quadril até o pé direito, espalhou beijos delicados, quase como uma pluma, provou-me com a ponta da língua, adorou-me. E subiu pela outra perna da mesma maneira, como se não pudesse ficar longe de mim, necessitada do meu cheiro e do meu gosto.
O tempo todo eu a olhei. Seus longos cabelos loiros claros espalhados, a pele sedosa nua, o contorno de sua cintura, quadris e bunda. A delicadeza de suas formas e de seu jeito de me acariciar, os gemidinhos que deixava escapar, os dedos que subiam e desciam por meus músculos e pelos.
Tudo dentro de mim ardia e se revolvia quente, intenso, perplexo. Meu coração bombeava sangue com violência. Até respirar era difícil. E quando olhou fixamente para meu pau e deu um beijo em meus testículos, vi-me completamente dominado por ela, esperando ansiosamente por aquilo. Não o pôs na boca, mas beijou-o todo da base até a cabeça, da mesma maneira carinhosa que tinha feito com meu corpo todo.
Muito corada, subiu até se inclinar de novo sobre o meu peito, buscando meus olhos, nervosa, excitada. Infiltrou os dedos em meu cabelo e desceu o olhar até minha boca. E então, tão docemente quanto saboreou cada parte de mim, colou seus lábios nos meus e me beijou apaixonadamente.
Eu finalmente despertei do encanto que me lançou em sua sedução doce e delicada. Enfiei os dedos em seu cabelo, agarrei firme sua cabeça e tomei a posse do beijo, conduzindo-a, desejando-a tanto que meu pau chegou a doer. E mesmo quando voltei a ser eu mesmo, feroz, com ânsias de subjugar e dominar, eu senti que uma parte minha, bem funda e íntima, tinha sido invadida por Eva.
Ela penetrou uma terra de ninguém, árida e esquecida dentro de mim.
E isso me assustou mais do que tudo.
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FERIDA - Livro 2 da Série Segredos.
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