Pretty When You Cry

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Lucy POV's
Lana foi pra minha casa, já eram quase cinco da manhã, ela tomou um banho e logo se deitou, peguei meu celular e liguei pra mãe dela

-Alô? - Escutei uma voz sonolenta do outro lado da linha.

-Tia? Desculpa por te acordar, só liguei pra te dizer que a Lana tá bem, ela tava numa festa e acabou bebendo demais, e não queria que você a visse bêbada e acabou vindo pra cá.

-Ah, finalmente ela apareceu! Liguei pra ela a noite toda, ela poderia pelo menos ter me avisado com uma mensagem ou qualquer outra coisa. Garota endemoniada!

-Calma tia, pelo menos ela tá bem né?

-Sim, Lucy, obrigada.

Ela não me deu nem a oportunidade de responder, apenas desligou e eu fiquei ali observando Lana, e pelo jeito que seu peito subia e descia rapidamente, eu podia ver que ela estava chorando, e fui até ela devagar.

-Oi, posso deitar um pouquinho aqui com você?

-P-pode - Ela disse tentando controlar o choro.

Me deitei do seu lado e fiquei fazendo carinho na sua cabeça.

-Lucy?

-Oi Lana.

-Porque eu não te escutei? Você disse que ele era problema e eu não te escutei - Ela disse chorando mais enquanto eu a abraçava.

-Calma, já passou, agora tá tudo bem, você tá aqui comigo.

Flashback on

-Não acho isso uma boa ideia Lana, você nem conhece ele direito acho bem mais produtivo você ficar aqui em casa comigo vendo um filminho e comendo pipoca, o que você acha?

-Nem morta Lucy, cansei de ficar em casa fazendo nada, quero me divertir e sair um pouco, conhecer gente nova, fazer coisas novas, porque você não vem comigo Lu, vai ser divertido!

-Eu não confio nesse cara, e acho que você também não deveria, ela não tem cara de ser boa pessoa.

-Uma pena pra você, porque eu vou me divertir e você vai ficar aí sozinha.

-Prefiro ficar sozinha, do que com gente que eu não confio. Ainda não acho uma boa ideia.

Flashback off

-Você não tinha como saber amiga.

-Você me avisou Lucy, você me avisou... M-mas...eu não escutei - Ela se encolheu.

-Calma. - Eu apertei ela nos meus braços, enquanto fazia carinho no seu cabelo.

-Me perdoa por não ter te escutado, por favor. - Ela se encolheu nos meus braços

-Eu não tenho porquê te perdoar. Só vamos tentar dormir um pouco.

(...)

O resto do dia nós passamos dormindo, a noite anterior foi desnecessáriamente cansativa e acabou sugando todas as minhas energias.

Acordei e olhei o celular eram 15:30 da tarde, perdemos a aula, mas eu não me importava, não queria acordar a Lana, ela estava tão em paz enquanto dormia.
Levantei devagar, fui até o banheiro, escovei os dentes, entrei no box e tomei um banho quente, devido ao tempo frio que fazia lá fora, lavei o cabelo e botei uma calça de moletom e a minha blusa de manga preta, sai do banheiro tentando não fazer barulho e olhei pra cama, Lana ainda estava dormindo.
Desci as escadas e fui até a cozinha e preparei alguma coisa pra comer, alguns ovos mexidos com bacon, fui até a geladeira e botei um copo de suco de uva, e fui comendo até ouvir um barulho na escada.

-Oi. - Lana disse descendo a escada com os cabelos molhados e com uma roupa minha. - Tá frio demais.

Pude ver ela dando uma leve tremida e ri, dei umas batidinhas de leve na cadeira e disse

-Senta aqui, eu vou fazer alguma coisa pra você comer.

-Não precisa Lu, acho que eu vou pra casa agora, minha mãe deve estar querendo me matar.

-Ah, mas você não vai sair daqui mesmo, sua mãe me mandou mensagem avisando que ele teve uma viagem de última hora, ou seja, você vai ficar aqui comigo até ela voltar! - Ela ficou me olhando sem entender nada -Essa é a hora que você fica feliz e me abraça.

Ela veio e me deu um abraço de leve

-Desculpa, eu ainda estou com um pouco de dor. - Ela disse tentando passar as mãos nas costas.

-Deixa eu ver.

Ela levantou a blusa e eu quase gritei, as costas dela estavam totalmente arranhadas, e em algumas partes roxas, botei a mão na boca não conseguindo acreditar e pude sentir algumas lágrimas rolando pela minha bochecha.

-Meu Deus Lana. Está tudo arranhado e Roxo.

-Eu vi no espelho ontem quando eu fui tomar banho, não mostrei porque não queria te preocupar. - Ela direcionou o seu olhar para os próprios pés.

-Você acabou de me preocupar justamente porque não me mostrou, droga Lana, você pelo menos mostrou isso para os políciais?

-Mostrei. Eles me olharam com pena.

(...)
Já eram quase oito horas e estávamos sentadas no sofá vendo um filme qualquer quando eu escutei uma batida na porta, me levantei e fui ver, não tinha ninguém, apenas uma caixa com um bilhete pendurado
"Só passamos pra dar um oi, espero que ainda se lembre de nós."

-Quem é Lucy?

Escutei Lana me chamando e fechei a porta imediatamente, escondendo a caixa.

-Hm, ninguém Lana, era só engano.

Eu conseguia sentir o sangue todo descendo para os meus pés, eu estava suando frio, e com certeza eu deveria estar com uma cara de quem acabou de ver o capeta. Eu posso não ter visto, mas senti bem de perto.
Voltei pra sala fingindo estar o mais calma o possível, se Lana desconfiasse que as vagabundas tinham voltado pra me atormentar, ela ficaria pior do que já estava, eu não queria que ela se preocupasse.
Sentei do lado dela como se nada tivesse acontecido, mas eu ainda podia sentir que meu sangue estava gelado, e que eu ainda estava suando, porque tudo que eu passei com elas, voltou na minha mente como um maldito flash de memórias.
Eu odiava aquelas garotas com todas as minhas forças, elas me humilharam, tentaram abusar de mim e depois ainda tentaram me matar, esperei Lana cair no sono no sofá, e fui até a caixa ver o que era.
Meu Deus, eram todas as minhas fotos com Lana, eu abraçando ela, rindo, no shopping, em todos os lugares.
Fui passando horrorizada, até chegar a última e ver a minha foto de ontem abraçada com a Lana na cama, elas...entraram na minha casa.
Joguei a caixa no chão e me encolhi, chorei baixinho, depois de um tempo fui organizar as fotos para enfiar dentro da caixa e sumir com ela, na última foto tinha uma coisa escrita atrás:
"Se quiser que a vagabunda continue viva, acho melhor você obedecer todas as ordens."

Eu estava fodida.

ULTRAVIOLENCEOnde histórias criam vida. Descubra agora