O sol nascia de vagarosamente por entre as folhas das árvores. O vento úmido e fresco passava por seus cabelos e pelos. Se encolheu um pouco pelo frio e aproximou-se da fogueira ainda viva. Ficou com o último turno de vigília pois os combates do dia anterior lhe deixaram exausta.
Miarda olhava para o sol pensando onde estava sua amada. Luize era uma paixão e Miarda a amou na primeira vez que a viu, ainda numa pequena taverna de uma vilazinha perdida nos ermos do noroeste de Lancaster.
Algumas parcas mas intensas olhadas entre as duas foram suficientes para que Julie, uma moreau sem traços da bênção dos Irmãos Selvagens, sentasse à sua frente. Trocaram algumas palavras e Luize pediu duas canecas cheias de cerveja para verem qual das duas beberia mais e mais rápido.
Luize, com seu pequeno corpo, conseguiu vencer Miarda. A bárbara herdeira do leão (ou da leoa) não quis revanche nem quis brigar (o que era difícil com seu temperamento). Num impulso ergueu-se e com seu grande braço agarrou os cabelos ruivos e a beijou intensamente.
No começo houve espanto, depois retribuição. Por fim as bocas se soltaram e antes que Miarda reagisse sentiu o peso da mão de sua já amada: "Nunca mais faça isso. É só quando eu quiser".
O pensamento foi interrompido pelo despertar de seus companheiros. Pouco a pouco seus companheiros de busca erguiam-se mais uma vez para perseguirem um assassino em série que atacara algumas vilas e levara seu grande amor.
Todos levantaram para verificar seus equipamentos e caçarem algum alimento. Miarda ergueu-se letargicamente. O peso da saudades e a preocupação eram muito superiores às dores das batalhas. Olhou para Itkhar, o chefe da vila que acabou reunindo o grupo para perseguirem o assassino, os olhos dele também estavam cansados:
- Lyelle, Miarda e os demais que se uniram a nós recentemente, essa busca está me levando para muito longe de minha vila e eu possuo responsabilidades com a mesma. Que o Indomável me livre de falhar com meu povo e, por isso, preciso retornar ao meu lar. Espero que consigam achar o assassino e resgatar Luize.
Despedidas aconteceram com maior ou menor intensidade. Alguns membros do grupo entraram há poucos dias. Não houve tempo para formações de vínculos. Já Miarda e Lyelle faziam parte há algum tempo. Esta desde o começo da caçada.
- Nós encontraremos esse assassino. Ele já matou tantos, inclusive meus amigos kobolds, digo, gnolls. – Miarda achava que essa confusão de sempre trocar nomes era algo relacionado à maldição sofrida por Lyelle de ter em seu corpo duas mentes. A sua e à de seu irmão, Galvan.- Sinto falta deles. - Lyelle resmungou num ronronado.
- Tenham coragem e entrem nesta caverna com as bênçãos do Indomável. O assassino deve conhecer trilhas e como escapar dos monstros que nos afugentaram ontem. Então sigam em frente que vocês conseguiram se sobrepujar aos inimigos.
- Você é um grande líder e um excepcional guerreiro das artes druídicas. Quando achar esse nojento, levarei sua cabeça até sua vila.
Houve abraços de despedida a despeito de Itkhar e Luize tiveram um pequeno affair recentemente e dos bate-bocas entre a bárbara e o druida chefe de vila. Ambos reconheciam a força um no outro. Lyelle girou sobre os pés numa quase dança e pegou seu alaúde, dedilhando uma triste canção sobre os percalços de uma amizade. Assim, o grupo entrava na caverna instantes depois de ver seu antigo líder sumindo entre as árvores....
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Contos Contados
FantasyAqui publicarei contos focados em fantasia medieval, embora eu possa publicar outros gêneros. Não haverá uma periodicidade fixa. Capa de Giiovana29.
