Não vi quando cheguei ao meu apartamento, também não faço ideia de como vim parar na minha cama, a última coisa que lembro é de sofrer um ataque de pânico na garagem do estúdio do Sai e ter sido socorrido pelo Neji, agora se me perguntarem como foi à viagem até a minha casa, eu não saberia dizer.
Em momentos como esse é impossível não lembrar a primeira vez que tive ataque de pânico e tudo que aconteceu depois. Eu tinha dezessete anos, estava na escola no meio de uma aula de história, estava fazendo uma prova, as coisas ficaram difíceis para mim depois do acidente de carro que eu e o Menma sofremos, as pessoas de Konoha, como sempre, só sabiam julgar.
Enquanto lia as perguntas da avaliação, por um momento contemplei a possibilidade de não passar na prova, e foi aí que um ataque de pânico me acertou, pensei na hora que estava tendo um ataque cardíaco, do nada meu coração palpitava forte e respirar se tornou algo muito difícil. Tudo o que eu conseguia pensar era que iria morrer e que precisava chegar urgentemente no pronto-socorro, seja para me salvar ou para morrer em um lugar que não fosse tão público e humilhante. Esse pensamento tinha muito a ver com meu medo de passar vergonha em público.
Mesmo quando eu passei, a saber, que ataques de pânico não matam, ficar doente em público continua sendo um grande medo para mim.
O pós-ataque, ou seja, os sintomas que vem depois de um ataque de pânico, são tão ruins quanto o próprio ataque. Uma fusão apavorante de depressão, exaustão e humilhação. A minha vó Tsunade, como médica chefe do hospital geral de Konoha, marcou uma consulta com o psiquiatra, e depois de algumas consultas ele me deu o diagnóstico de depressão, estresse pós-traumático e ansiedade.
Comecei meu tratamento com remédio e recebi ajuda psicológica, mas a pressão de ter que ouvir das pessoas – estranhas e conhecidas – que tudo o que eu estava sentindo era "frescura" ou "que estava fazendo isso para chamar a atenção" foi demais para mim. Não suportei todo o julgamento e preconceito, ninguém entendia que eu estava doente, isso culminou na minha primeira tentativa de suicídio.
Tomei um frasco pela metade de calmantes e tive uma overdose, se o Menma não tivesse chegado mais cedo do colégio e me encontrado inconsciente no chão do banheiro, eu já não estaria mais aqui. E foi depois desse episódio que meus avós resolveram me tirar de Konoha, a ideia original era para apenas eu ir embora da cidade, mas meus irmãos se recusaram ficar em um lugar onde havia pessoas que rejeitavam seu irmãozinho problemático.
Mas vim morar em Tóquio não foi tão bom quanto imaginávamos, meu emocional estava muito frágil e psicológico abalado, vê a tia Kurama, que é uma lembrança constante da nossa mãe, me deixou ainda mais desestabilizado. Passei a me cortar em busca de um alívio para a dor, foi nessa época que conheci o Gaara, assim como eu, ele lutava contra a depressão, nós tornamos bons amigos, apoiamos um ao outro e foi ele que me salvou quando pela segunda vez tentei tirar a minha vida.
Sai dos meus devaneios, olhei ao redor a procura do Neji, e falando no Hyuuga, será se ele me deixou passar a noite sozinho? Não, ele não faria isso, eu poderia passar mau novamente – devo admitir que isso já aconteceu mais vezes do que gosto de lembrar – e ele não correria esse risco.
Como só saberia o que está acontecendo se levantasse na cama, me vi obrigado a me arrastar para fora no quarto, assim que abri a porta, minhas narinas foram invadidas pelo maravilhoso cheiro de ramén de porco. Segui pelo corredor até alcançar a cozinha, onde o Neji cantarolava baixinho enquanto mexia algo em uma panela no fogão.
– O cheiro está bom – falei o assustando.
– Quer me matar do coração, seu idiota – resmungou.
– Desculpe, mas não resistir – falei sorrindo e depois sentei em uma das cadeiras do balcão.
O Hyuuga resmungou alguma coisa que não entendi e voltou a mexer nas panelas, aproveitei a oportunidade para apreciar as suas costas largas, seu cabelo estava preso em um coque alto e mal feito que deixava alguns fios soltos em sua nuca, vestia uma camisa social branca com as mangas dobradas até o cotovelo e uma bermuda jeans azul.
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Doce Amor
FanfictionFoi uma sorte encontrar o atual namorado da minha ex, nunca imaginei que teria a oportunidade de dá o troco na vadia da Hinata e que ela vai provar o quanto dói ser traída é algo que alegrou muito. Neji seria apenas mais um corno, fiz um favor a ele...
