Thanoszinho e o Morro do Bug

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Era uma vez, há muito tempo, pra ser exato um mês atrás....

Thanoszinho havia acabado de chegar de mais uma festa da faculdade, fedendo a bebida e tropeçando nos vasos caros de sua mãe.

Os pais dele, que se preparavam para o chacha chaca na butchaca, se assustaram com o barulho e desceram ás escadas, alarmados.

— Que tu tá fazendo ô titã maluco? — Gritou o pai, ao ver o filho jogado no sofá sem forças pra levantar.

— Eu vou destruir metade do universo. — Ele estralou os dedos e começou a rir sem seguida.

— Não acredito que eu pari essa coisa. — Sra. Jezabel murmurou, desacreditada.

— O que você andou usando em Thanoszinho? — O pai do garoto perguntou, se aparoximando filho.

— Fumei as pedras do infinito. — Ele riu novamente, o rosto se tornando vermelho e lágrimas se formando no canto dos olhos.

Cansado, Stan Lee, pai de Thanos, esfregou o rosto com as mãos e olhou decidido para a esposa:

— É hora de tomar medidas desesperadas.

Foi como se raios e trovões surgissem atrás dele, tamanha frase de efeito, e Jezabel suspirou apaixonada enquanto Stan ia até a cozinha para fazer um telefonema.

— Alô? — A voz do outro lado soou sonolenta e Stan se xingou por não ter olhado o horário antes de ligar.

— Matydrugas, é o Stan. — Cumprimentou o senhor de idade. — Desculpe ta acordar.

— Não acordou, tô ajudando umas paradas a atravessar a fronteira. — A garota do outro lado da linha deu de ombros, embora Stan não pudesse ver. — Fiquei supresa por ligar, achei que tava morto, não acha que tá fazendo hora extra?

— Olha, se depender do idiota do meu filho eu vou morrer mesmo. — Lamentou o velho.

— Quer que eu chame o pessoal pra dar uma surra nele? — Ofereceu Maty, alegre com a ideia de quebrar o nariz plastificado do patricinho.

— Não, isso não vai adiantar. — Stan coçou o bigode, pensativo. — Pensei que talvez ele pudesse ir passar uns tempos aí, no morro Bug, pra aprender a ser mais humilde.

— Tá chamando a gente de pobre, coroa? — Matydrugas aumentou o tom de voz, ofendida.

— Na verdade eu tô sim. — Riu o velho. — Mas posso te deixar menos pobre, pago pela estadia dele aí, por um único mês.

— Eu vou te falir, velho babão. — Garantiu Maty, ela ponderou por alguns segundos e olhou ao redor, sabia que o morro do Bug precisava de uma reforma na escola e faria qualquer coisa pela comunidade, isso incluía tentar consertar o caráter podre de uma versão mal-feira do Ken. — Só não garanto que devolvo ele inteiro.

Dizendo isso Matydrugas desligou o celular e entregou outro pacotinho de drogas para Alli engolir, esta lhe lançou um olhar mortal.

— Não é você que vive com fome? — Questionou a chefe, arqueando uma sobrancelha. — Então come isso logo.

— Então come isso logo. — A vesga resmungou, imitando a dona do morro, depois de engolir. — Se eu morrer volto pra puxar seu pé.

— Só tem que atravessar a fronteira com a mercadoria. — Explicou Matydrugas pela décima vez. — Tomar alguns laxantes e ver a mágica acontecer.

— Da próxima vez você manda a Tati. — Alli rolou os olhos vesgos. — Ela também vive reclamando de fome.

— Ela ia ficar sem bateria na metade do caminho e não íamos conseguir falar com ela.

O Morro do BugOnde histórias criam vida. Descubra agora