Capítulo 32

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Sarah point of view

Ao passar dos dias, Kiara ainda se mantinha introspectiva. É fácil ler suas expressões e ver como ainda está confusa e desconfiada. Ela não queria conversar com ninguém e a única coisa que fazia era olhar a agitação da cidade pela janela do quarto. Cuidados especiais precisaram ser tomados. Enfermeiros e médicos masculinos estavam proibidos de entrar, exceto em caso de emergências. Luzes de baixa intensidade foram colocadas no quarto, para que não ficasse totalmente escuro durante a noite.

Sua saúde estava melhorando com lentidão. Passou por uma cirurgia no abdômen e está tomando os medicamentos intravenosos, mas... Estava difícil faze-la se alimentar e beber água, mesmo que no resgate ela tenha pedido por comida.

Meu peito dói por vê-la desse jeito e também pelos outros, é tão ruim assistir todos cabisbaixo por ter Kiara tão perto e ao mesmo tempo tão longe. Por enquanto, sou a única pessoa que tem vindo visita-la e ficar perto.

Uma psicóloga passou a conversar com Kiara, é do hospital e está tentando ajudar, mas sem muitos avanços. Eram sessões curtas, a médica apenas recebia o silêncio e o olhar apático em si.

[...]

Se passaram quatro meses do resgate de Kiara, a situação segue na mesma. Evita comer quando pode e permanece em silêncio nas sessões. Hoje era quinta-feira, a doutora Pamela entrou no quarto e eu estava assistindo do lado de fora, estava sozinha.

- Boa tarde, Kiara.

Kiara tirou sua atenção da janela e olhou para a doutora, algo nela estava diferente. Estava mais... Emotiva.

- Como está se sentindo? - Pela primeira vez desde que acordou do coma, sua voz ecoou pelo quarto.

- Eu fui resgatada e estou segura. Verdadeiro ou falso? - Assim como eu, a doutora ficou surpresa, mas feliz. Pamela ajustou sua postura e sorriu leve.

- Verdadeiro. - Kiara assentiu, parecendo absorver a resposta. - Você está se sentindo bem para conversar? Verdadeiro ou falso? - Kiara encarou Pamela em silêncio por minutos que pareceram horas.

- Falso. - A doutora acenou positivo e se levantou, saindo do quarto. Kiara voltou a olhar pela janela.

- Isso é um avanço, não é? - Pergunto, vendo seu sorriso.

- Sim. Desconfiança e confusão sempre vão acompanhar o ser humano, por toda vida, mas quando estamos cansados de sentir isso, nós vamos atrás de respostas. Kiara está procurando o próprio caminho para ter certeza de que está livre e que isso não é uma ilusão. É uma grande vitória. - A doutora deu algumas batidas no meu ombro e seguiu para seu próximo compromisso.

Você vai conseguir, Kiara. Você vai conseguir.

[...]

6 meses. A doutora Pamela passou a ir todos os dias no quarto de Kiara e a cada palavra, cada pergunta, era uma vitória e motivo de alegria. Ela estava conseguindo. A medida que a conversa fluía, Pamela conseguia tirar informações importantes, que também serviram de testemunho para a condenação de Matthew e cúmplices.

De pouco em pouco, Kiara foi se abrindo sobre suas dúvidas e suas inseguranças com as pessoas. Ela contou como era submetida as ilusões e histórias fantasiosas de Matthew, como ele conseguiu distorcer lembranças verdadeiras e criar lembranças falsas. Ele distorceu toda vida dela.

Tudo que eu queria era matar aquele desgraçado!

Com essas novas informações, nós decidimos que era hora de agir e fazer o possível para reverter o máximo de coisas possíveis. Foi marcada uma reunião no hospital para conversar sobre a confusão mental de Kiara. Estão presentes os médicos, Camila e seus pais, Eduarda, Matheus e sua família. Com tudo pronto, a Dra.Pamela começou a falar.

Minha Médica(Hiato)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora