Capitulo 6 - Males que vem para o bem

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Lena

- Ué, se te incomoda tanto que te olhem, porquê tá saindo com essa blusa aberta? Você gosta de chamar atenção, Lena...

A raiva que me subiu ao corpo era tanta, mas tanta, que quase parti para cima dela. Mas me segurei e não saí do salto. Retruquei algo que nem eu mesma lembro direito e fui direto para a sala da minha mãe.

- Não quero mais trabalhar com a Kara! - falei revoltada -

- Porquê meu amor? O que houve? - ela me olhou preocupada -

- Eu não aguento mais, mãe! Não precisa desce-la de cargo de novo, só tira ela de perto de mim por favor.

Ela ficou em silêncio... Parou para pensar...

- O que você fez, Lena Luthor? - falou séria -

- Como assim ''o que eu fiz''?

- Para irritar a Kara.

Fiquei em choque... Ela estava realmente pensando em defender a menina?

- Eu não fiz nada, mãe! Ela que tá fazendo... Ela é insuportável! Promove ela, faz qualquer coisa, só a deixe longe de mim.

Bom... Ninguém poderia dizer que minha atitude de falar com a minha mãe era antiética. Eu estava pedindo para ela promover a Kara, e não demiti-la. Não queria que ela fosse demitida nem que ela descesse de cargo, apenas a queria longe de mim.

- Você ainda não me respondeu o que fez com ela, Lena.

- Por que você acha que eu fiz essa coisa? E... Que adoração é essa que você tanto tem por ela? - falei revoltada, não conseguia entender de fato a minha mãe gostar tanto dela -

- Porque eu conheço a filha que eu tenho e sei que você deve ter feito alguma coisa que prejudique a relação de vocês. A Kara é uma menina educada, efetiva e completamente calma... Nunca lhe daria motivos para qualquer tipo de briga!

- Eu não quero mais ela trabalhando comigo! - elevei o tom de voz -

- Mas você terá! - ela se levantou da mesa e elevou o tom de voz também - E mais... Você vai pedir desculpas a ela por causa do seu comportamento.

Tive que rir.

- Você tá brincando, só pode. Isso é impensável!

- Ou pede desculpas a ela, ou você não terá mais carro.

Congelei... Colocar meu carro na brincadeira foi injusto, até porque a coisa que eu mais queria nesse mundo era ele. Já que, aos 18 anos, minha mãe disse que eu era ''muito imatura para dirigir''. Imagina que péssimo: Todos meus amigos dirigindo e eu sobrevivendo de taxi...

Suspirei - de raiva! - e acabei saindo da sala sem nem falar mais com ela.

Primeiramente porque eu não entendia o motivo da minha mãe gostar tanto da Kara. Ela era irônica, estupida, grosseira e arrogante. Me tirava do sério com aquele sorrisinho irônico tão fácil que até eu chegava a me impressionar.

''Como que uma pessoa que eu conheço a tão curto tempo me irrita tanto assim?!''

Voltei para a sala disfarçando minha raiva, o que pareceu impossível.

O resto do dia foi péssimo. Tentei de várias maneiras pedir desculpas a ela, mas travava. Primeiro, porque eu não era acostumada a pedir desculpas a ninguém e, segundo, que eu ainda estava com muita raiva dela. Como resultado, errei muito no trabalho e acabamos tendo que nos falar, mas apenas assuntos profissionais e não comentamos mais nada sobre a discussão anterior. O dia passou lento e tediante... Quando menos percebi, ela já havia ido embora e eu não havia pedido desculpas ainda.

Inevitável - SuperCorpOnde histórias criam vida. Descubra agora