Capítulo [5]

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-Emma

   A minha primeira aula é filosofia, a única disciplina que me suscita algum interesse. Assim que avisto a sala onde iria decorrer a aula reparo que estava atrasada 5 minutos. Não corro nem aumento a velocidade dos meus passos. Eu ia chegar atrasada na mesma, qual é que seria a diferença?

  Bato levemente na porta, pedindo licença para entrar na aula. Assim que a mesma me é concedida, caminho de encontro ao meu habitual lugar. A aula continua a decorrer normalmente até que o toque de saída a cessasse. Saí da sala e caminhei até ao exterior.

  Sempre a mesma rotina. Sempre as mesmas pessoas. As mesmas condições. Uma vida monótona, para uma adolescente particularmente melancólica. Mesmo que desejasse o contrário, eu tenho plena noção que assim que coloque os pés em casa, e o meu pai já esteja tocado pela bebida, que vou levar na certa. Este quotidiano causava angústia e ânsia por todo o meu ser. Mas era algo a que apenas tinha de me habituar. Teria de me habituar à recente obstinação da vida nojenta a que o meu pai se sujeitou.

  O toque de entrada é breve e audível a todos os compartimentos escolares. Novamente, caminho lentamente, até aos balneários, preparando uma boa desculpa para não fazer novamente a aula. Sim, porque se eu tivesse a fatalidade de começar a transpirar, a base que encobre os fortes hematomas do meu rosto iria escorrer pela minha face, como todas as lágrimas por elas transportada.

  Vou de encontro à sala, onde estão todos os professores de educação física, e peço há auxiliar que se encontra à porta para chamar pela Miss.Todlo. A mesma pede que aguarde, mas pouco tempo depois avisto a cabeleira ruiva da minha professora.

  "Emma, a aula ainda não começou. Que se passa? "

  "Pois...Eu não posso fazer a aula"

  "Novamente? "- indagou incrédula.

  "Sim, eu ainda sinto muitas dores no joelho."

  "Eu não posso compactuar com mais uma falta da tua parte, a menos que tenhas uma declaração por escrito afirmando isso mesmo, fazes a aula! "

  "Eu não posso, por favor não me obrigue."- imploro tentando apelar à sua sensibilidade.

  "Desculpa, Emma."

  Estou fodida.


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