-Emma
Corri o máximo que pude dali para fora. Eu não posso ser descoberta. Ele não pode ser descoberto.
Eu não entendo, nem quero entender.
Estou confusa, mas, quero e não quero, permanecer na ignorância. Já me sinto familiarizada com a mesma, por isso, o resto é só uma questão de orgulho...
Sinto que lhe devo uma oportunidade, mas sei que não merece. Eu quero desculpar, mas não quero esquecer. Quero que cada sinal de tristeza seja sentido de cada vez que esteja junto dele. Eu quero seguir em frente. Mas sei que é uma tarefa inexplicavelmente errada, uma vez que o passado, nas piores circunstâncias, vir-me-à assombrar. Colar-se ao inevitável.
As dores estão a voltar, e mesmo que daqui a pouco tempo entre num estado de insanidade e imobilidade eu não estou minimamente interessada nisso. As dores trazem-me alguma paz, mesmo que com essa paz eu tenha de viver com o triste sorriso da minha mãe, que outrora emanava felicidade, mas que agora apenas dor. Se morresse agora, para além de ter uma morte lenta e dolorosa, teria para aumentar o peso da culpa, o sorriso devastado de uma mulher com o coração partido.
Mas também sei, que assim que entre no meu estado débil, não terei ninguém para me salvar. Ninguém entrará de rompante, e salvará o restante de mim, uma vez que a minha alma já fora devorada pelos meus demónios e eu nem dei por isso.
Agora sou uma mera rapariga sem alma, mas que como castigo permanece ainda com um coração... Todos nós temos um castigo, e o mesmo, impossibilita-nos a vivência, remando-nos para a sobrevivência. O meu castigo não tem fim, e eu já estou cansada de sobreviver. Eu só queria que a doença se propaga-se por todo o meu corpo, tendo como alvo principal o coração. Seria finalmente, vazia.
As minhas pernas acabaram de embater contra o soalho. Sinal de que em breve o resto do meu ser entrará num processo de autodestruição interna. Não tenho medo da morte. Mesmo que isso seja incomum à população geral.
Uma corrente de adrenalina entra em contacto com o meu ser por breves instantes sendo depois substituída por uma onda de melancolia. A minha respiração torna-se irregular assim como os meus braços, que ficam dormentes. Vozes apoderavam-se da minha cabeça enquanto eu me arrasto pelo chão, já ofegante, para chegar de encontro à minha mala. Por cada arrasto as vozes vão aumentando.
"TU CONTINUAS A SER A MIÚDA FANTASMA"
"Foge Emma"
"TU DEVIAS MORRER"
"Emma chora! Assim nós vamos embora"
Era um aglomerado de vozes, mas uma era nítida na minha cabeça. A voz de uma mulher. Estaria ela a ajudar-me? Ou simplesmente a fazer jogos com a minha cabeça? As dores agora estavam mais fortes, a respiração quase que retirada e as vozes em mais quantidade que nunca. A minha mala encontra-se distante e eu não consigo chegar ao meus compridos. Por isso eu vou desistir, de sobreviver...
Apenas anseio pela paz. Aí eu serei feliz...
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demons + harry
Hayran KurguSoltar os demónios pode ser muito educativo em certas ocasiões. [História de: @Mata_Putos e @laurianaa]
