Capítulo 22

1.2K 87 1
                                        

Sinu não se prolongou com o marido em linha, correu escada acima e avisou a babá que estava de saída, e quando o carro que Alejandro mandou estacionou em frente casa, ela acompanhada das demais, entraram no mesmo. No hospital, Martin esperava por elas na sala de espera. Sinu andou rapidamente até ele, e com os olhos vermelhos e mãos tremendo, perguntou pela filha.

— Ela está! O medica já acabou de examina-la. Alejandro está no quarto com ela. — Tranquilizou a latina, apertando seus ombros. — Você pode entrar, quarto de número oito a esquerda. Sinto muito, garotas. Apenas duas pessoas são permitidas no quarto.

Sinu praticamente correu em direção ao quarto, enquanto na sala de espera, os demais sentaram e esperaram.

— Kaki... — Sinu sussurrou ao entrar no quarto, encontrando a filha sentada na cama enquanto conversava com o pai. — Oh meu amor, eu tive tanto medo...

— Eu estou bem, mama. Estou bem. — Apesar da fala, Camila aceitou o abraço da mãe, afundando o rosto em seu peito, sentindo-se acolhida.

— Eu sinto muito, meu amor. Eu jurei que não deixaria isso acontecer... e olha só. Eu sinto muito. — As palavras saiam falhas devido ao choro.

— Não foi culpa sua, mama. Estou bem... — Se afastou, deixando que sua mãe conferisse seu rosto, tendo certeza que não estava ferida. — Dessa vez, eles não me machucaram.

— Oh querida... — Chorou, voltando a abraçar a filha, tendo o marido abraçando ambas.

Após Sinu e Alejandro terem certeza do estado físico da filha, foram deixando as meninas entrarem. Essa foram de uma em uma, pois apesar de Alejandro ter ido para casa ficar com Sofia, Sinu negou se afastar de Camila.

Quando Lauren entrou no quarto, encontrou a namorada sentada na cama tomando um pouco de agua, enquanto conversava com a mãe. A televisão fazia fundo ao ambiente, onde passava um programa local. Camila percebeu uma terceira pessoa no quarto, e se virou para a porta.

— Laur... — Não passou de um sussurro, a latina notou os olhos vermelhos e inchados da namorada, que estranhamente se mantinha perto da porta, longe da cama hospitalar. 

— Entre querida. — Pediu Sinu, fazendo a hispânica fechar a porta atrás de si. — Ela perguntou de você, se aproxime. Ninguém será hostil com você. — Lauren tentou responder, mas sua voz não saia.

— Estou bem, Laur. Vem... — A morena se aproximou, sentindo suas mãos serem tomadas pela latina, para em seguida esmagar a namorada em um abraço apertado. — Desculpa fazer você levar esporro... — Sussurrou em seu ouvido.

— Camila... — Foi só o que Lauren conseguiu dizer, afundando o rosto nos cabelos da namorada. — Eu sinto tanto... Eu devia tê-la esperado, não devia ter te deixado sozinha.

— Não foi culpa sua... — Tentou se afastar para olhar em seus olhos ao repetir, mas Lauren a apertou mais, impedindo-a de se separarem.

— Foi sim, eu devia estar lá e...

— E eles teriam machucado você, por favor não de culpe. Olhe para mim... — Se forçou a afasta-la, encarando seus olhos claros cheio de lagrimas. — Eu estou bem, isso teria acontecido de uma forma ou de outra. Eu devia ter mostrado aos meus pais o desenho... mas não se culpe, por favor. Eu só quero tentar esquecer isso tudo, só isso. — Lauren acariciou a bochecha da namorada, limpando algumas lagrimas e por fim, sorrindo aliviada. Camila estava ali, viva e bem, era o que importava.

— Tudo bem, podemos fazer isso. O que você quiser!

...

Mais tarde, Camila recebeu a visita da policia, que colheu seu depoimento na presença de seus pais e um advogado. Um contrariada Lauren se despediu da latina, Sinu passaria a noite com Camila, e provavelmente no manhã seguinte ela seria liberada.

— Como você está filha? — Perguntou Michael, quando Lauren se jogou no sofá ao seu lado.

— Cansada, tanto fisicamente, quanto mentalmente. — A hispânica deitou a cabeça nos ombros do pai, que por longos segundos fez um carinho em seus cabelos.

— Ela está bem agora querida, tente focar nisso. Quer que eu ligue para o doutor Charlie?

— Nah, estou bem. Se precisar eu mesma marco uma consulta. Preciso organizar umas ideias.

— Tem certeza? Sua mãe já marcou para seus irmãos...

— Isso é bom, eles ficaram com medo.

— Sim, todos ficamos. Não quero você passe por isso novamente, posso te lavar. — Após o diagnostico de Nathalia, Lauren passou a ver uma psicóloga para ajuda-la a lidar com a situação e os sentimentos que isso lhe despertaria. Ela passou por momentos sombrios após o falecimento do namorada, e seu pai tinha medo que isso voltasse a acontecer. Lauren sorriu para tranquilizar seu velho.

— Não se preocupe, estou bem. Mas serei a primeira a ligar para ele se precisar.

— Tudo bem. Vá descansar um pouco, qualquer coisa estou aqui.

Quando Lauren acordou na manhã seguinte, sentiu seus olhos inchados. Ela havia dormido realmente de forma profunda, não lembra se chegou a sonhar, e notou que acordou na mesma posição em que se deitou. Desde o dia em que Camila desapareceu, ela não dormia tão profundamente dessa forma. Finalmente conseguiu descansar.

No hospital, enquanto Camila se vestia no banheiro, se librando da camisola, sua mãe conversava com o doutor.

— Como ela passou a noite? — Perguntou enquanto chegava a ficha, onde a estava dando alta.

— Não muito bem. Houve muitas vezes que ele acordou de pesadelos, se negava a voltar a dormir, e só cedeu pelo cansaço... — O doutor deixou a prancheta pendurada em frente a cama, entregando a Sinu o papel para ser apresentado na recepção. 

— Sabíamos que isso aconteceria. Ela precisará de um acompanhamento psicológico, e novamente, de tempo. Essa situação ativou muitos gatilhos...

— Ela estava indo tão bem, não acredito que vamos passar por tudo novamente.

— Sinto muito, Sinu. Talvez seja diferente dessa vez, tem a Sofia e isso pode ajudar.

— Obrigada, doutor! Qualquer coisa entramos em contato.

Quando Camila deixou o quarto, o doutor já havia se retirado. A latina forçou um sorriso para a mãe, e seguiu com a mesma para a recepção. Alejandro já estava acertando as questões financeira, e pegou o papel de liberação com a esposa, entregando para a recepcionista. Camila sorriu verdadeiramente quando viu Sofia em um canguru preço nas costas do pai, e sem hesitar, pegou a irmã em seu colo. Logo a família Cabello deixava o hospital. 

Em casa, Camila recusou a comida, e preferiu passar um tempo com Sofia. Brincou e assistiu desenho com a mesma, e quando Sinu a pegou para faze-la dormir, Camila se despediu, indo para seu quarto. O banho foi extremamente longo, a latina deixou seus pensamentos vagarem, mas se recusou a chorar. Estava cansada. Quando saiu do banheiro já vestida com um moletom fino e confortável, encontrou Lauren deitada em sua cama, encarando o teto.

A troca de olhares durou apenas dois segundos, Lauren sentiu o coração apertar ao encontrar o olhar perdido da latina, sua expressão era vazia ao mesmo tempo que cansada. Não havia o que dizer, por isso apenas abriu os braços, chamando-a para perto de si. Ficou feliz quando Camila não hesitou e se jogou em seu abraço, inspirando seu cheiro.

— Achei que nunca mais veria você... — O sussurro saiu abafado, pois a latina não fez questão de se afastar. — Só conseguiu pensar em olhar para você novamente, sentir seus braços...

— Eu não consegui dormir direito. Os pesadelos me rondavam todas as vezes que eu fechei os olhos... Ter você em meus braços novamente... é... e-eu... — Não conseguiu completar a frase, sentindo um nó se formando em sua garganta.

— Eu sei... estou feliz de estar aqui, assim com você novamente.

— Estou aqui, o que você precisar que eu seja, serei! É só pedir, Camila. Dessa vez iremos passar por isso juntas. Promete para mim?

— Eu prometo tentar, amor. — E naquele momento, aquilo era tudo o que Camila podia oferecer, pois algo voltava a crescer dentro de si e ceder a solidão era mais fácil... assim como da primeira vez.

Broken HeartsOnde histórias criam vida. Descubra agora