Our love

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Waverly

   "CASAR? Eu estava maluca quando aceitei isso, certo? Diga que sim."-Wynonna me balançava de um lado para o outro freneticamente. Sinto meu almoço parar em minha garganta.

   "Calma,Wyn. Vai dar tudo certo, okay?"-Ela suspira e nega algumas vezes.

   "Poderíamos só viver juntos, como já fazíamos desde sempre. Doc me ama, eu...bom, eu gosto dele."-Reviro os olhos e desfiro um tapa no braço de minha irmã, que permite um sorriso maroto escapar por seus lábios rosados. -"Brincadeira. Mas é claro que eu amo aquele cabeça de vento. O bigode dele parece um esquilo? Parece um esquilo. Mas não imagino minha vida sem ele e seu esquilo de pelúcia." -Riu.

   Aí estava minha irmã de verdade.

   "Então já tem sua resposta. Você o ama, ele te ama. Vocês são companheiros, se respeitam, confiam um no outro, pra quê mais?"-Pigarreio, tentando espantar as lágrimas teimosas.

   Uma semana desde que Nicole havia voltado para casa. Estava distante, acordava no meio da noite por pesadelos que nunca a deixavam, tinha medo até de ir ao banheiro sozinha e ainda não conhecia segurar uma arma. Peguei, uma ou duas vezes, suas mãos tremendo enquanto ela puxava a respiração com força, como se as paredes estivessem se fechando.

   Começo de depressão, era o diagnóstico que o psicólogo que contratamos fez questão de nos dizer.

   Pela manhã deixava Via na escola, Theo na creche e Nicole em sua sessão, em seguida ia até meu estúdio e trabalhava até às seis da noite. Meu orgulho era o estúdio que consegui abrir no centro da cidade.

   Theo estava enorme, já conseguia andar e já balbuciava um punhado de palavras compreensíveis. Via estava no começo da aborrecência, mas nada fora do controle. E eu eu consegui meu tão sonhado estúdio de fotografia.

   Terminei a faculdade há alguns poucos meses e já estou conseguindo conquistar meu espaço na área de trabalho.

   Se tudo parasse por aí, seria ótimo.

Flashback on

   "Você quer jantar em algum lugar?"-Sussurro, pousando minha mão na coxa de minha ruiva. Hoje ela estava mais calada que nunca.

   "Pode ser."-Ela sussurra de volta.

   Fomos o caminho inteiro até o restaurante em completo silêncio. Via lia seu livro silenciosamente,Theo dormia em sua cadeirinha e Nicole olhava através do vidro fumê do carro.

   Estaciono em frente a um restaurante e saímos. Tiro o cinto de Theo, fazendo-o acordar em um choro abrupto.

   O local era bastante acolhedor. Tons de marrom, mesinhas com toalhas brancas,algumas luzes brancas penduradas desde a porta até o balcão.

   Resolvemos sentar em uma mesinha mais afastada onde havia uma janela enorme. Theo logo vai brincar em alguns brinquedos no cantinho do local e Via pede licença e se direciona ao banheiro.

   "Estou me sentindo mal."-A voz rouca de Nicole invade meus ouvidos.

   "Vamos para casa então. Vou chamar as crianças,e..."-Me levanto para chamá-los, mas ela segura em minha mão.

   "Estou mal por não ser o que você merece."-Suspiro, cansada desse papo mais uma vez.

   "De novo com esse assunto? Já disse,se estou aqui do seu lado, é porque eu te amo."-Acaricio sua mão por cima da mesa.

   "Eu sou um fardo."

   "Lógico que não. Isso é apenas uma fase complicada, tudo bem? Muitas coisas te atingiram de uma vez só. Iremos passar por isso juntas."-Ela sorri de lado. -"Como foi com o psicólogo hoje?"

   "Conversamos bastante. Estou conseguindo, aos poucos, me entender e superar tudo que passou. Estou dando o máximo de mim."-Sorrio, feliz.

   "Sei que está. E fico feliz por isso."

   "Mãe."-A voz de Via atrai nossos olhares.

   "Sim?"-Nicole responde e a ruivinha senta em seu colo, colocando a cabeça em seu ombro.

   "Eu te amo,tudo bem?"-Percebo que o corpo de Nicole se agita na cadeira, e um sorriso grande logo toma seus lábios.

   "Eu também te amo, meu amor."

   "E eu também amo você, Waves."-Sorrio grande e pego as mãos das duas entre as minhas, deixando um beijo em cada.

   "Vocês são meus amores."-Rebato.

   "E o Theo."

   "E o Theo."-Repito a fala de Via, seguindo o olhar até os pequenos brinquedos coloridos. O moreninho brincava animadamente de pintar algo em uma folha branca.

   Meu lar dividido em três.

Flashback off

   "Waverly Earp!"-Acordo de meus devaneios ao sentir um tapão em minha cabeça.

   "O que foi?"

   "Estou dizendo que seu celular está tocando aí ó!"-Me atento ao aparelho que piscava sem parar.

   Número desconhecido.

   Atendo rapidamente.

   "Sim?"

   "Senhorita Earp?"

   "Ela. Quem fala?"

   Conhecia aquela voz de algum lugar.

   "É a diretora da escola de Olívia Haught. Preciso que venha até aqui."

   Meu coração palpita forte, imaginando mil e um cenários de coisas ruins que poderiam ter acontecido.

   "Aconteceu algo? Via está bem?"

   Nessa hora,Wynonna me olha ansiosamente e pede para eu falar o que estava acontecendo. Apenas peço para ela esperar.

   "Ela está bem, mas fez algo que não nos agradou muito. Só poderei falar pessoalmente, senhorita."

   "Tudo bem. Chego em alguns minutos."

   "Passar bem."

   "Mas que diabos aconteceu?"-Pego as chaves do carro, documento, bolsa e sigo para fora de casa.-"Waverly!"

   "Aconteceu algo na escola da Via. Preciso ir até lá. Não se preocupe, qualquer coisa eu te ligo. Amo você.

   Nem sei como consegui chegar em frente a fachada azul, só me dou conta de onde realmente estou o perceber que estou esbarrando em algumas pessoas pelo corredor da escola.

   Percebo uma porta marrom com o nome da diretora da escola. Bato duas vezes e entro ao escutar a permissão.

   Meu olhar cai para a ruiva de olhos vermelhos e a pontinha do nariz também corada. Tão rápido quanto cheguei ali, fui parar ao seu lado.

   Um menino que parecia ter a idade de Olívia, jaqueta preta de couro, cabelos para cima e um sorriso maroto no rosto, me olhava de cima a baixo. Minha boca abre em um perfeito 'o'.

   "Boa tarde, senhorita Earp."

True colorsOnde histórias criam vida. Descubra agora