Passei o sábado e domingo enfiada em casa com vídeo-jogos que a minha mãe tanto odiava. Dizia sempre: “Se continuas assim vais acabar por ter de usar óculos. “
Eu também tinha o meu próprio discurso que era: “ Preferes aqui ou fora de casa com os meus amigos influenciáveis.”
Agora já não tinha desculpa visto que todos aqueles com que se relacionara durante muitos anos estavam distantes, o sentimento de solidão invadira-lhe, começou a chorar, secalhar nunca mais teria alguém em quem confiar verdadeiramente, aliás, nunca tivera. Chorava não por tristeza mas por raiva.
“Ao que eu cheguei”- Funguei um pouco, mas decidi pôr fim áquela choradeira desnecessária, limpei as lágrimas às mangas da camisola fina em algodão que me atingia os cotovelos.
Sentada na sua cama, apertou as suas pernas contra o peito e pegou novamente no controle abstraindo-se dos pensamentos negativos, apenas pensando no seu jogo de playstation 3 preferido.
A porta rangiu.
-Aurora, está um rapaz à porta a pedir para falar contigo, vai e recebe-o bem . Parece muito simpático, quem diria logo no primeiro dia de aulas... Devias ter contado à mãe.- Disse ela com um brilho nos olhos que não lhe agradava.
-Mãe o que quer que seja em que estás a pensar, podes esquecer, porque eu nem sequer conheci um rapaz.- resmungou ao ver o olhar de desilusão que a mãe fizera com a sua afirmação.
-Mas que raio de mãe és tu!? Devias ficar preocupada em vez de tirares conclusões precipitadas.
-Ai, Ai! Calma estava só a brincar. Vai lá ter com o miúdo que está à tua espera na porta.
Aurora estava com medo de quem veria e de qual seria a sua reação. “Por favor que não seja o Duarte, por favor que não seja o Duarte”
-Aurooraa!- cumprimentou Duarte esboçando um enorme sorriso.
“Nããããããão”
-O que é que queres Duarte?
-Ficámos por conversar, lembras-te? Temos um acordo a fazer!
-Duarte é o teu nome? Entra, fica à vontade! Por que não vão um pouco para o quarto da Aurora enquanto eu faço um lanchinho? Aurora onde estão as tuas boas maneiras?
Aurora revirou o olhar e suspirou.
-Vem.
Duarte inspecionava cada canto da casa, em tons de branco e leves tonalidades de vermelho, muitos quadros nas paredes e plantas que enfeitavam os espaços mais vazios. Passando pelo hall acolhedor viu uma pequena moldura com a foto duma criança que aparentava estar muito feliz, sorrindo enquanto levitava num baloiço azul. Lembrou-se como era bom estar num baloiço e sentir o vento na cara, a liberdade que dava quando era novo , subir, e subir mais alto. Como se estivesse a voar.
-Quem é o puto?
-O meu irmão.
-Como se chama? –Perguntou curioso.
-Duarte.
Ele riu-se e continuaram a andar, a casa era aberta e facilmente conseguia ver todas as divisões, entraram no quarto de Aurora. De acordo com toda a casa o quarto dela era também bonito, simples e elegante. Trazia alguma tranquilidade observar as paredes que se dividiam em amarelo torrado e amarelo claro, fazia lembrar o início de um pôr-do-sol e o nascer dele. Havia uma cama com uma colcha numa cor creme e um controle da playstation pousava em cima da mesma. As paredes tinham quadros e havia também uma moldura com um cavalo selvagem branco que corria contra o vento, enquanto os seus pés chutavam furiosamente a água límpida. Móveis brancos e cortinados completavam o quarto limpo e organizado da rapariga que se sentava na cama.
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Iridescente
Teen FictionIridescente- Reflete as cores do arco-íris. Sobre uma rapariga um pouco conflituosa, que sofre alterações na sua vida após ser expulsa ao oitavo ano e afastada de todos os seus amigos. Recomeça lentamente, aprende a engolir o seu orgulho e ser sinc...