Capítulo 6

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— eu acho que ela combina mais com o amigo dela — Jungkook comentou ao mesmo tempo que opinou sobre o filme que assistíamos

— eu não acho, ele é só um babaca que ilude ela por diversão e ela é a trouxa que não percebe — estávamos cobertos por um lençol de tecido fino e um edredom pesado

— não fala assim, se coloque no lugar dela, neném. Ela é apaixonada pelo babaca, qualquer pessoa fica assim quando ama. Por isso eu prefiro não me apaixonar — jungkook cobriu meus ombros com o edredom já que o pano tinha escorregado me deixando exposto ao frio

— você não escolhe se apaixonar, se você ainda não se apaixonou é porque a pessoa certa não apareceu — segurei o tecido pra que não escorregasse novamente, mas que já sabia que eventualmente eu soltaria e me descobriria

— talvez essa pessoa tenha aparecido e eu nem mesmo tenha percebido, quero dizer, eu tenho uma certa diversidade de pessoas na minha lista e talvez uma delas seja a pessoa certa mas deixei passar — meus ombros ficaram expostos à baixa temperatura novamente depois de eu ter soltado o edredom. Percebendo minha dificuldade com o cobertor, Jungkook me puxou para que eu me aproximasse dele, me abraçou e passou a segurar o tecido pesado, mantendo-o no lugar — seu coração está batendo forte. Já falei pra ir ao médico ver isso — vira e mexe meu coração realmente começa a bater fortemente, e sim, eu já havia comentado que iria ao médico ver se isso era sinal de algum problema mas dessa vez tinha motivo para sua agitação. Eu assenti mostrando a ele que entendi e que concordava apensar de saber que, naquele caso, não era bem ir ao médico o que eu precisava fazer

— já imaginou se namorássemos? — ele perguntou e, mentindo, neguei com a cabeça — talvez com você eu não fosse um idiota completo, poderia até ser fiel — ele riu do próprio comentário enquanto eu continuava tenso com o caminha que a conversa tinha tomado

— eu nem nunca pensei nisso — mentira, eu tinha imaginado, e terminava com a nossa amizade destruída, eu morando em Nova Jersey trabalhando numa penitenciária e ele voltando pra casa da mãe dele comendo nachos pro resto da vida, mas só talvez eu tenha viajado um pouco

— nós seríamos o casal perfeito, neném, imagine...nos assistiríamos filme todas as noites e todas as noites eu abraçaria você, assim — apertou o abraço em que estávamos — depois eu daria pipoca na sua boca, assim — pôs a mão no pote que eu segurava pegando apenas uma pipoca e colocando na minha boca e eu aceitando como um cachorrinho dependente — aí eu olharia para as suas bochechas vermelhinhas, como estão agora, e as beijaria, assim — meu rosto ficou quente quando Jungkook encostou seus lábios na pele sensível de minhas bochechas — depois eu beijaria um pouco mais pra cá — dessa vez, beijou o canto da minha boca e eu me senti arrepiar pelo toque — e aí, finalmente, eu... — meu lábios entreabriram e olhei para os seus já entreabertos também, quase se tocando e estavam tão perto disso mas a campainha tocou e eu pulei de susto rendendo uma risada escandalosa de Jungkook — eu beijaria você, neném, era isso que aconteceria. Mas, na minha imaginação, campainhas não nos interromperiam — ainda rindo ele me afastou pra que pudesse levantar e foi atender a porta

Ouvi Jungkook dizer algo como "podem entrar" e pra mim estava tudo bem nessa pequena oração tirando a parte em que, nela, existia um plural no verbo poder conjugado no presente da terceira pessoa do plural, ou seja, eram mais de uma pessoa e eu poderia aceitar a ideia de serem dois ou três visitantes mas, oito pessoas?

E todas elas daquele típico jeitinho Jeon Jungkook de ser, integrantes do time de futebol, calças que não tampavam completamente o que tinham que tampar, sorrisos cafajestes e alguns com cigarros

Jungkook tinha dito que chamou os caras do time, como ele mesmo titulou, pra fazer uma "reuniãozinha", com isso eu já soube que não dormiria a noite e que de manhã teria que obrigá-lo a arrumar o apartamento e expulsar as pessoas bêbadas que cairiam praticamente desmaiados no chão e não se levantariam pra ir embora. Eu também sabia que teria que trancar a porta do meu quarto ou eu teria que lavar meu edredom no dia seguinte

E bom...com exceção de um, todos os outros tinham aquelas quatro características básicas pra fazerem parte do grupinho descolado do primeiro ano da faculdade, o único que não tinha suas calças no final da bunda e não fazia parte do time era Bruce, mas não vamos nos enganar, ele ainda tinha um cigarro na orelha, estava sorrindo como um típico cafajeste e fazia parte do time quando estudava da faculdade, se estudasse ainda então com certeza faria

— eai Jiminie, nem tinha te visto, você é tão pequenininho que não enxerguei daqui — taehyung, um dos amigos de Jungkook veio até mim e me cumprimentou com um abraço um pouco exagerado. Tudo era exagerado com ele. Eu gostava dele, poderíamos estar no lugar mais chato do planeta se estivéssemos com ele então riríamos até explodir. Os outros meninos acabaram vindo até nos dois talvez porque taehyung não deu nenhum sinal de que me soltaria do abraço

— eu não acho que ele esteja gostando disso, taehyung — Hoseok falou olhando minha expressão um pouco incomodada. Era contraditório o fato de Hoseok ter sido convidado, Jungkook não é muito fã dele mas mesmo assim ele está aqui

— é, eu tenho certeza, mas essa carinha dele é engraçada então pode continuar apertando — Jungkook disse se divertindo com a minha, desconfortável, situação. Eu gosto de abração como qualquer pessoa mas taehyung...bom...exagerava

— Quando o pessoal vai chegar? — um outro garoto perguntou me confirmando que seria mais uma festa repentina que Jungkook gostava de dar

— sei lá, daqui a pouco. Vamos pegar o resto das coisa no carro e trazer pra cima, eu acho que vai caber tudo na geladeira dessa vez — Jungkook disse aos meninos que já seguiam pra fora do apartamento  e antes que ele fizesse o mesmo eu o puxei

— odeio quando mente pra mim, sabe disso — falei me referindo a reuniãozinha que na verdade seria mais uma festa dele

— você roubou o meu carro, tenho direito a uma mentirinha — não era característica dele guardar rancor, só quando precisava pra conseguir sair na vantagem, como era o caso agora. Querer sair na vantagem com certeza era uma característica sua — foi uma mentirinha de nada, e de qualquer jeito não vai ser uma festa gigante nem nada assim, vai ser tranquilo. Prometo a você, neném. Agora deixa eu ir lá ajudar os caras — selou rapidamente minha bochecha e desceu pra ajudar

Por algum motivo eu acreditei um Jungkook, por um segundo eu acreditei que não seria mais uma festa tão extravagante quanto às outras. Não sei o motivo, talvez tenha sido os olhinhos castanhos me olhando como se dissesse "acredite em mim, eu sou um anjinho". Mas os segundos finalizaram quando Jungkook chegou com os meninos que tinham chegado cedo e mais umas quinze pessoas, e eu tinha certeza de que seria dali pra cima

𝑴𝒚 𝒅𝒂𝒏𝒄𝒆𝒓 {𝘑𝘪𝘬𝘰𝘰𝘬}Onde histórias criam vida. Descubra agora