Apresentação do último caso

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- Vocês viram o Sr Lobo culpar a primeira vítima por não ter corrido. Ele estava errado e a condenação da réu provou isso. Vocês viram ele também tentar culpar a segunda vítíma, mas dessa vez por ter corrido. Ele também estava errado e a condenação da réu provou isso. - iniciou o porco. - Mas eu deixei a pior para o final caros amigos. Essa Leoa desalmada atacou nossa vítima, sem dó nem piedade, enquanto nossa vítima nem olhando estava. Foi terrível... terrível.

- PROTESTO!!! Leoa desalmada??? Ora, isso é um insulto! Nossa querida Leoa 3 já é uma avó... tem dificuldade de visão, audição e locomoção! - gritou o Sr Lobo.

- E mesmo assim teve forças para atacar a vítima número 3 direto no pescoço, a destroçando por completo em poucos minutos. - rebateu o porco.

Nesse momento a Leoa 3 tocou o ombro de seu advogado e trocou algumas palavras com ele bem baixinho. O Sr Lobo arregalou os olhos para ela, abriu um grande sorriso e falou:

- É verdade, ela matou a avestruz número 3...

- Viu??? Ela está se declarando culpada!!! - Gritou o Sr Porco interrompendo o Sr Lobo.

- Não, ela não está. Na verdade, ela é a vítima nessa história e queremos pedir-lhe indenização  por ter perdido todo o dia de hoje de caça para estar aqui. - retorquiu o Sr Lobo.

- O QUEEEEEEE???' - gritou o Sr Porco quase desfalecendo de choque em sua cadeira de advogado.

- É isso mesmo. Minha cliente diz que, mesmo com seu problema de audição, ela ouviu as pombas e sabia que não se podia mais atacar avestruzes naquele dia, a não ser se ela encontrasse um suicida. Por já ser idosa e não ter como correr muito ela apenas caminhou pela mata a procura de uma carcaça já morta, mas que tivesse sobrado ainda um pouco de carne para  se alimentar quando se deparou com a Avestruz nº3.

Nesse momento o lobo fez uma pequena pausa para o suspense e nem o senhor porco, que também estava extremamente curioso do que poderia vir a seguir, abriu a boca para falar algo.

- Bem, - continuou o Sr Lobo - a Avestruz a viu e sabemos disso porque imediatamente ela começou a olhar ao redor. Vendo que só haviam outros avestruzes ao redor ela sabia que mais ninguém poderia ser o alvo caso houvesse algum ataque, certo?

Ele então olhou para todos da plateia e para o senhor porco. Ninguém respondeu. Ele retomou a argumentação.

- Só que ela também não correu para fugir. Se tivesse corrido minha cliente não teria a atacado pois saberia que ela queria viver e também porque não tem mais força nem velocidade para alcançar uma avestruz que corre pra salvar a própria vida. O que a avestruz fez então???

Mais silêncio de todos. Agora nem os grilos da floresta estavam mais fazendo barulho. O silêncio era absoluto.

- Ela enfiou a cabeça num buraco!!!! - disse o Lobo.

Ouviu-se um burburinho ao redor da plateia e foi nesse momento que o Sr Porco lembrou que tinha que falar alguma coisa. Então disse:

- Mas todos sabemos que colocar a cabeça num buraco na terra é um reflexo normal dos avestruzes quando estão com medo. Isso não quer dizer nada!

Diante de tal afirmação o Sr Lobo apenas respondeu: - Mas medo de que? É a lei, os avestruzes não poderiam mais ser atacados aquela semana e todos deveriam saber disso. Além do mais, tudo que ela precisava fazer era correr e teria se salvado.

Se seguiu ainda mais algumas discuções entre acusação e defesa e quando todos terminaram de falar a Dona Coruja disse que iria proferir sua sentença.

- Mas a senhora nem parou para analisar o caso ainda Dona Coruja. - argumentaram juntos o porco e o lobo.

- Não é preciso. Eu absolvo a ré e condeno o clã dos avestruzes a encontrar alimento para ela pelas próximas duas semanas.

- Mas Juiza... - começou o porco que foi rapidamente interrompido pela juiza.

- Nem tente, senhor porco. Ela não correu para se salvar e tinha perfeito conhecimento de tudo que estava acontecendo ao redor dele... sabia que seria devorada se ficasse parada e não fez nada para evitar isso. Ela deu a entender que para ela tudo bem morrer, logo, a culpa é dela.

O Julgamento na FlorestaOnde histórias criam vida. Descubra agora