❄️
Era inverno. O tempo estava tão frio que mal se conseguia sair na rua com menos de dois casacos.
Naquela manhã eu fui resumido a nada mais que um café e duas fatias de queijo quente. Estava debruçado contra a minha xícara, inalando o aroma forte que saía. Estava tudo tão calmo.
— Você vai ir viajar amanhã, não é? — Ouço uma voz aguda e delicada ricochetear o ambiente que a segundos atrás era silencioso. Era minha mãe, eu não reconheci sua voz pela calma, algo que era com certeza fora de sua carcaça humana em dias de semana.
Aquela mulher de cabelos castanho escuro e olheiras, é de longe a pessoa mais forte que eu conheço. Essa dona de uma humilde cafeteria perdia todos os seus dias atrás de uma bancada, servindo desconhecidos e mal conseguindo fechar o caixa no fim do dia, e mesmo assim tinha tempo para me adular, nem que seja com um simples café da manhã.
— Sim... — Respondo melancólico, quase que depreciando a situação. Ficamos alguns segundos em silêncio até ela finalmente se sentar e quebrar o clima.
— Eu sei que você vai conseguir — Disse com um pequeno sorriso no seu rosto exausto.
— Eu tenho medo de travar na frente de todo mundo...
— Mas mesmo assim vai dar o seu melhor — Indaga com um tom de certeza na voz, à medida que aproximava nossas mãos.
— Você é um menino tão especial, — Logo voltou a abrir um sorriso. — mas você tem que confiar mais em si mesmo. —Aquelas palavras me fizeram levantar de vez a cabeça. Ela tinha razão, eu não poderia desistir antes de tentar.
— A senhora tem razão! — Respondo com um sorriso enorme e consequentemente com os olhinhos fechados. Eu exalava confiança por fora, mas por dentro estava tremendo mais que uma vara verde, se já era assustador me imaginar em um palco cantando e dançando, quanto mais sendo julgado por olhares e coreógrafos.
Como era possível ter paciência em uma situação como essa? Meus poros pareciam estar sendo furados por pequenas agulhas, fazendo todo meu sangue ferver.O silêncio voltou a tomar conta da nossa mesa, até que um homem de cabelos castanho, postura firme, terno e um sobretudo, entrou no estabelecimento.
Ele era assustador.
Minha mãe rapidamente virou em sua cadeira para poder ter uma visão do homem, ela também pareceu um pouco relutante.
— Como posso ajudá-lo? — Perguntou logo se levantando, ajeitando seu avental e tirando um bloquinho de notas de dentro dos bolsos. Continuo sentado enquanto levo a pequena xícara até os lábios, encarei o líquido negro do recipiente, provavelmente com o rosto corado pelo frio. Finalmente viro o café, que por sinal estava muito amargo e quente, passou rasgando por minha garganta, o ardor foi descomunal até chegar ao meu estômago e me aquecer, entretanto, no final a sensação tinha sido agradável.
O misterioso finalmente abaixa o cachecol que cobria seu rosto. Que por sinal carregava um maxilar travado, a maçã do rosto abundante e um nariz perfeitamente delineado ao seu rosto. Continuo a observá-lo por de cima dos cílios, até que, em uma fração de segundos, seus olhos se encontraram com os meus. Eu sinto minhas pernas se estremecerem, seu olhar era tão dominador, e ao mesmo tempo tão incompreensível que até um cavalo selvagem o temeria.
— Por um acaso aqui vende cappuccino? — Delicadamente as palavras saem de seus lábios, como se carregassem toda a paciência do mundo. Desvio meu olhar ao notar que ainda nos encarávamos.
— Claro! O senhor tem alguma preferencia? — Minha mãe o responde educadamente com um sorriso de orelha a orelha assentindo em um breve sinal. Volto meus olhos para o homem que já estava sentado em um dos assentos, no entanto, agora olhando o cardápio que estava colado sob a mesa.
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• All Again • {jjk + pjm}
FanfictionA solidão te incomoda? Você tem vivido ou apenas sobrevivido? Mesmo que isso tenha um motivo... você aceitaria fazer tudo isso de novo? Nascido em Geumsan-dong, Busan, Park Ji-min tem problemas típicos de solidão: tanto quanto falta de tato até o je...