Capítulo 26

316 11 4
                                        

Evelyn

Trouxe elas aqui pra casa, Judy pediu tanto e não tive como negar..

-O que você achou, Judy? -pergunto a ela.

A menina olhava toda encantada para tudo, por sorte não vi as crianças e nem a Sarah.

-È bonito! Grande também!

Dei risada.

-Bem grande mesmo.. -olhei pro baú. -Ali está cheio de brinquedo, pode pegar alguns pra brincar.

Ela olhou pra mãe.

-Posso, mamãe? -pediu com os olhinhos bem abertos.

-Pode sim. -Mafe falou sorrindo.

A menina correu em direção ao baú e começou a pegar alguns brinquedos.

-Não tem problema ela pegar? -cochichou pra mim.

Olhei pra Maria Fernanda.

-Não.

Ela apenas assentiu e me seguiu até a cozinha, resolvi preparar algo pra gente comer.

-Sabe Eve, eu tava pensando sobre esse seu casamento com o Leon..

Virei pra ela e fiz menção pra que continuasse.

-Vocês são o oposto um do outro, tu é doce e ele um cavalo! Fora que ele te trata muito mal, não entendo porque você insiste nisso..

Suspirei pesadamente.

-É complicado explicar, mas eu e Leon temos que nos casar..

-Peraí, vocês estão sendo obrigados?

Assenti com má vontade.

-Que coisa péssima, Evelyn! Por que tu não foge? Eu se fosse tu já teria fugido pra bem longe! Procurado abrigo em uma outra favela.. -aconselhou.

-As coisas não são bem assim, sabia? Esse casamento vai ajudar a minha família, a minha favela.. eu tenho que casar!

-Mas, você não gosta dele! Leon é um ogro, macho escroto, tu merece coisa melhor.

Assenti começando a fazer um sanduíche, não quero prolongar ainda mais esse assunto..


Estávamos comendo e conversando na cozinha mesmo, aproveitando que Judy estava tirando uma soneca na sala.

-Aí sabe, eu gosto muito de ter minha filha mas preciso confessar que sinto uma saudade dessa vida despreocupada.. Vida fácil, sabe? Igual tu tem! -Mafe falando enquanto comia.

-Eu não tenho vida fácil, te contei aquela hora pela babaquice que to passando! -rebati irritada.

-Aquilo lá pode ser resolvido, eu já falei! Você que não quer..

Abri a boca pronta pra rebater aquele insisto, mas ouvimos um choro alto..

Corremos pra sala e Judy estava chorando, Lauane do lado com uma cara feia.

-Meu amor, o que aconteceu? -Mafe falou perto da filha.

-Foi ela, mamãe.. Machucou eu! -Judy contou aos pratos.

Mafe olhou pra Lauane de cara feia.

-O que você fez com a minha filha?!

-Peguei a minha boneca dela, sua filha tava babando em cima! -Lauane rebateu.

-Não pode fazer isso, mostra que você não tem educação! -Mafe falou já de pé com a Judy nos braços.

-Ela me deu educação sim, e me ensinou a não deixar minhas coisas com os outros!

-Ah, mas eu vou te ensinar uma lição..

Mafe levantou a mão pra bater na Lauane e quando eu ia impedir, Leon chegou.

-Se você bater na minha filha, eu te boto pra fora desse morro!

-Sua filha machucou a minha, Judy não estava fazendo nada! -rebateu irritada pra defender a filha.

-Não me interessa, a casa é da Lauane! Tua filha não tinha o direito de pegar as coisas dela..

-Ela é uma criança, só queria brincar!

-Foda-se, se ela quer brincar que traga os brinquedos dela! Agora some daqui, porque tu já abusou da paciência.

Maria Fernanda olhou pra mim incrédula.

-Você não vai me defender?!

-Eu não posso falar nada, a Lauane não é minha filha. -falei fazendo pouco caso e fui pro meu quarto.

Quero que se foda essa história toda, não vou ficar me metendo na criação dos filhos dos outros. Odiaria se fizessem comigo.

-Fico feliz que não tenha tentado defender a sua amiguinha..

Tomei um susto ao ver Leon ali na porta do meu quarto.

-Só fiz o que tinha que fazer, nem a Lauane e nem a Judy são minhas filhas. -dei de ombros.

Ele se aproximou com um sorriso debochado.

-Quando casar comigo, você será madrasta da Lauane.. terá que cuidar dela também.

Dei risada.

-Nunca! Sua filha não me respeita e você não faz nada para mudar isso.

-Ela tem gênio forte..

-E uma má educação forte também! -rebati irritada.

Ele me olhou sério.

-Não adianta me olhar assim, tu sabe que estou falando a verdade! Sua filha não tem um pingo de educação.

Ele não disse nada e continuo me olhando.

-Por que tá me olhando assim?

-Porque quanto mais braba tu fica, mais a minha vontade de te beijar aumenta..

-Não ouse!

Ele riu debochado e me puxou para si, atacando meus lábios com um beijo feroz. Seus braços fortes me sustentavam em pé, e sua língua explorava cada parte da minha boca.

Um beijo sem carência alguma, misturado com saudade e raiva..

Leon encerrou o beijo com selinhos e me olhou nos olhos, em seguida me deixou ali sem falas e saiu do quarto.

Não acredito que o beijei...

Única Chance Histórias para pegar e não largar. Descubra agora