Lembranças de um passado

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Ao enfrentarem um congestionamento fora do normal para uma manhã de sexta-feira, a Madame e o garimpeiro observam o Motorista buzinar, na intenção de liberar caminho, sem o menor sucesso.

A tempestade não cedia um instante sequer, o que preocupava a todos os que permaneciam expostos a rua, incluindo a Madame:

__ Essa tempestade não vai passar nunca? Desse jeito, eu só vou chegar em casa, quando entardecer e olhe lá!

Enquanto a mulher esbravejava, irritada, sem um pingo de paciência, Mariano seguia em sua prece silenciosa, para que consiga se manter o mais longe possível da patroa.

O trânsito começa a andar, com lentidão, e Sophia suspira mais aliviada, dedicando a atenção a Mariano:

__ Eu posso saber o porquê de tantas preces, rezas, seja lá o nome que você dê a isso, que está fazendo agora? Alguma penitência, por um acaso, rapaz?

Mariano encerra os pedidos com o sinal da cruz e se vira em direção a mulher, que o observava com certa curiosidade:

__ Por que a Madame quer saber? Ficou surpresa, porque um cara como eu gosta de fazer alguns pedidos e agradecimentos? Vamos fazer assim: se eu responder você, ganho o direito de perguntar de volta, fechado?

O garimpeiro estende a mão a ela, que acena positivamente, para não precisar apertar a mão dele. Mariano balança a cabeça em negação e comenta em seguida:

__ A Madame é toda cheia de frescura, hein? Eu sou pobre, mas sou limpo, sabia? Não tenho nenhuma doença!

O clima tenso se instala dentro do automóvel e Sophia é salva por seu motorista:

__ Dona Sophia! Aconteceu um acidente grave na pista, logo ali à frente! Isso, somado a chuva, causou o engarrafamento! Os guardas de trânsito estão isolando uma parte da pista, para que os carros voltem a circular com cautela, e maior rapidez também!

Minutos se passam e os homens liberam a pista, atentos ao movimento, para que nenhum espertinho viole alguma regra, para o alívio de Sophia, que tentava a todo tempo, escapar das encaradas intimidantes de Mariano.

Ele, reparando o "desconforto" da mulher, se acomodou melhor no banco e sentiu a barriga roncar, a deixando sossegada. O barulho da chuva insistia em estar presente, mas isso não impediu que o garimpeiro fechasse os olhos e tirasse um cochilo.

Quase uma hora depois, o Motorista chega a Casa e estaciona o veículo. Como já é tarde, Sophia o convida a entrar, para que ele pegue um prato de comida e se alimente no carro, afinal a última coisa, de que ela precisaria era um funcionário seu doente, ou pior, reivindicando direitos trabalhistas.

Mariano desperta, logo que o carro reduz a velocidade e se surpreende com a atitude bondosa da patroa, mas nada diz. Ao invés disso, cruza a porta, sendo impedido de caminhar:

__ Aonde pensa que vai? Espere na porta, rapaz! Não quero que o piso fique todo encharcado! Silas, por favor, traga duas toalhas! Conseguiu resolver a contratação do novo cozinheiro?

Silas retorna com tudo o que ela pediu e entrega uma toalha a Mariano e outra a patroa, que enxuga os cabelos rapidamente, orientando ao funcionário, que prepare algo, para que ela se alimente.

O garimpeiro seca as próprias roupas, como pode, encharcando a toalha. O funcionário, prontamente a recolhe e deposita no lava – roupas, respondendo a patroa, que estava resolvendo a contratação do novo funcionário.

Sophia sobe as escadas e orienta que Mariano a acompanhe. O garimpeiro registra cada detalhe da luxuosa casa, que parece ter sido planejada a dedo por Sophia, tamanho o requinte do lugar, antes de seguir a Madame:

Fire, Gasoline And Secrets - Soriano (CONCLUÍDA)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora