Chego em casa já cansado e decido ir para o meu quarto descansar, mas sou interrompido por meu pai que nesse momento esta parado na minha frente de braços cruzados, me olhando com uma cara nada boa
-Noah onde ocê tava? - Sua voz sai grossa e alta
-Já te disse Fernando ele foi na livraria da dona Lívia, não é mesmo meu fi – Minha mãe me defende, saindo da cozinha com um pano de prato em mãos
-Sim mãe só fui entregar os livros!
-E cadiquê ocê não me atendeu? - Agora quem diz é meu pai e me seguro pra não revirar os olhos.
Não sei porque mas essas gírias me irritam um pouco. Meu pai sempre foi mineiro, já minha mãe pegou algumas gírias depois que veio de São Paulo, diz ela que se apaixonou pelo estado, mas eu sei que sua razão maior foi o meu pai, não é que não goste daqui, amo esse lugar, mais nunca me acostumei realmente com as gírias, pareço um peixe fora d'água
-Mais que trem Noah, to falando com ocê! -ele vocifera e eu o olho irritado
-Não consigo andar a cavalo e mexer no celular ao mesmo tempo pai -digo
-Calma meu fi, vá toma seu banho vá e Fernando deixe o menino em paz – diz minha mãe – Amanhã ele vai embora e vocês não vão parar de brigar nunca mesmo?– ela diz e meu pai continua na minha frente de cara fechada
-Ocê não vai a lugar nenhum – meu pai diz e começo a rir com puro deboche
-Eu o que? Como assim não vou, boa piada pai, boa piada -digo
-Desde quando sou homem de piada, muleque! -ele diz
-E desde quando você me prende aqui em? Desde nunca! -digo revoltado e minha mãe entra na nossa frente já prevendo uma nova briga
-Parem os dois, já chega, não aguento mais – ela diz e a olhamos – Fernando você querendo ou não nosso fi, vai pra faculdade e você vai ter que aceitar isso de uma vez por todas tá me ouvindo! -ela diz apontando o dedo pro meu pai e logo depois se vira para mim – E você meu fi, altera a voz de novo pro seu pai, que eu mesmo faço questão de quebrar os seus dentes bonitos, tá me escutando. -assinto – Que bom, agora vai tomar banho e descansar seu voo é amanhã logo de manhã
Depósito um beijo em sua testa e vou em direção ao meu quarto sem olhar pro meu pai.
Fecho a porta e tiro minhas roupas, indo em direção ao banheiro, tomo um banho bem demorado e logo depois me seco, coloco uma cueca boxer e uma bermuda, me jogo na cama pego meu celular e entro no Skype e ligo por chamada de vídeo para o meu melhor amigo Nícolas, conheci ele através de Eloah, eles se conheceram em uma festa aqui na cidade e depois ficavam conversando por Skype, até achei que iria rolar alguma coisa entre os dois, mas ai Eloah faleceu e Nicolas veio de São Paulo pra se despedir dela, foi algo legal da parte dele, depois disso peguei amizade com ele e até hoje conversamos.
Espero um pouco até que ele me atende
-E ai viado, como se tá? -Nicolas diz e dou risada
-To bem e você corno? -digo
-To na mesma, tá mo tédio aqui! -ele diz e faz bico
-Desde quando Londres é tedioso? -pergunto
-Mano sei lá, to morrendo de saudade da minha mãe e da minha irmã -ele diz e logo pergunto
-Ta pensando e voltar pra São Paulo então?
-Não só queria que elas viessem pra cá sabe, pelo menos minha irmã, sei que minha mãe não viria nem amarrada no avião – não aguento e dou risada e ele me acompanha -Mais e ai quando vai ser seu vôo mesmo? - ele pergunta depois que sua respiração tranquiliza
-Vou embarcar amanhã – digo isso e ele se senta na cama
-Ta brincando né? -ele pergunta e nego -não acredito
-É não to mais aguentando mais de tanta saudade do meu viado lindo -brinco com um voz bem feminina e ele entra na brincadeira também
-Ai sério! Então vou te pegar no aeroporto mesmo seu gostoso - ele diz e não aguento, caio na gargalhada
-Fecho então -dou risada.
Ficamos conversando e fazendo piada um com o outro por mais algum tempo, até que nós despedimos e me deito para dormir, já que amanhã eu tenho uma viajem pra fazer. E seja o que Deus quiser. Amém!
***
Vou em silêncio no táxi até a chegada ao aeroporto, foi uma guerra pra eu sair de casa, minha mãe teve que entrar na frente do meu pai pra que eu pudesse sair com as malas, e nesse momento ela está me levando até o aeroporto local. Chegando entrego meus documentos e já se anuncia meu vôo
-Fi você vai mesmo ficar bem? -minha mãe me pergunta pela milessima vez e sorrio concordando
-Obrigado por me dar a melhor educação, te amo muito viu -beijo sua testa e a abraço
-Também te amo muito meu fi, vá com Deus -ela diz e me afastando – E menino comece a namorar logo, quero uma norinha -sorrio
-Ok dona Marta, beijos e se cuida!
-Você também, a e meu fi, não engravida ninguém viu, to muito jovem pra ser vó- E nisso eu começo a gargalhar, minha mãe literalmente é uma peça.
Pego as minhas malas e vou em direção ao embarque de passageiros.
Me sento no banco da janela ao lado de um senhor engravatado, antes de colocar meu celular em modo avião, mando uma mensagem pra Nicolas avisando q já estou a caminho.
Depois de um tempo decido ir dormir um pouco já que a viagem vai ser longa, são mais de onze horas de vôo, preciso descansar um pouco.
Acordo e fico assistindo pela pequena televisão a minha frente o filme do Velozes e Furiosos 7, amo filmes de ação e ficção científica, mais os meus favoritos são os de heróis, esses eu até maratono. Faltando apenas meia hora para aterrisarmos pego meu cassaco que deixei do lado de fora da mala e visto ele.
Ao desembarcar pego minhas bagagem e vou para a saída, chegando lá vejo varias pessoas com cartazes nas mãos esperando passageiros, vasculho o ambiente em busca de Nicolas e o encontro com um cartaz escrito meu nome e vou em sua direção.
Ele entrega o cartaz a um homem totalmente engravatado e vem em minha direção
-Meu viado loiro, você tá aqui mesmo-ele diz com a mesma voz feminina de ontem e me abraça e sorrio pela brincadeira
-Ai para se não eu me apaixono - digo imitando uma voz fina e nós dois caímos na gargalhada
-Mano, vai ser muito top você morando aqui - ele diz -vai rolar altas loucuras até as aulas começarem
-Com você do meu lado não duvido nada -digo
Vamos em direção a saída conversando, o homem engravatado pega duas malas, eu arrasto uma, enquanto Nicolas leva minha mochila da Adidas nas costas. Entramos na Land Rover branca que certamente é do pai de Nicolas e pegamos a estrada, até que me lembro
-Nicolas tem como vocês me deixarem nesse endereço -mostro um papel pra ele -e o hotel onde eu vou ficar -ele me olha e nega
-Ta louco, tu vai ficar na minha casa -ele diz autoritário - já falei com meu pai e pra ele não é problema, até porque daqui a algumas semanas vamos voltar pra faculdade e tem alojamento lá mesmo
-Mano não sei não, tem certeza que não tem problema -pergunto e ele assento - então beleza
-Uma pergunta - digo -porque você não veio dirigindo? você não tinha um Mustang? -pergunto
-Eu tenho, mais ele está na oficina e meu pai não deixou eu pegar nesse carro, porque digamos que é o xodó dele entendi -ele disse fazendo careta - aí Davis veio comigo, não é mesmo Davis? - O motorista só assente indo em direção a enorme mansão de Nicolas. Será que eu vou me adaptar aqui? Assim eu espero!
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Meu Recomeço (Em Andamento)
Teen FictionMirella Bittencourt Santiago é uma garota de apenas dezessete anos, que não sabe ao certo o que fará da vida depois que o ensino médio acabar, como vários adolescentes do seu colégio. Uma garota que possui muitos talentos e um deles é o canto, tími...