O sol nasce e o alarme toca.
Me reviro na cama com sono ao pensar: "Se eu faltar, será que alguém nota?"
Me forço a levantar mesmo assim. Em alguns instantes a água quente se derrama em mim.
As ruas avançam velozes e distantes em um borrão, enquanto minha mente está trancafiada nesses murmúrios internos de solidão.
Me perco em meio a tantos rostos,
tantos "bom dia" desejados a contra gosto.
Em meio a nomes que não me recordo, luto e me desdobro para abrir um sorriso.Diálogos frágeis e perdidos,
risadas falsas e pensamentos escondidos.
Humanos ocos, um mundo torto com coração louco e reprimido.
Cada segundo apenas prolonga e intensifica a sensação de estar em um castigo.
Talvez realmente exista um purgatório.
Talvez ele esteja escondido em uma escola, um escritório.
A noite chega, a lua permanece a mesma em todas as suas fases. E nós também.
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O que o coração não sente
PoesíaAqueles sentimentos que os olhos nunca chegaram a ver.