Pouco tempo atrás, a solidão era o maior dos meus medos. A perspectiva de não ter ninguém crepitava arrepios em cada pedacinho de mim.
Mais do que qualquer mar aberto, eu tinha medo da imensidão dos meus pensamentos. Mais do que a morte, eu temia passar por ela sem nenhuma companhia.
Então me matei mil vezes para agradar a todos ao meu redor.
Desfolei quem era, vesti seda e sorrisos, lapidei-me para atingir a perfeição. Mas ela nunca chegou.
Por mais que eu tentasse.
Quando eu procurei, em meio a todas aquelas pessoas, não consegui me encontrar.
Os holofotes sufocavam.
Gritei.
Colhi de volta minhas paixões, devolvi os enfeites e me permiti abraçar as minhas fraquezas.
Me envolvi com meus próprios braços, colando de volta tudo que arranquei de mim.
Cada pedacinho cortado.
Eu virei a minha melhor amiga.
E, desde então, nunca me senti só.
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O que o coração não sente
ŞiirAqueles sentimentos que os olhos nunca chegaram a ver.