Capítulo 2 - Do céu ao inferno

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 Acordo com o barulho do despertador e sinto meu corpo pesado, como se não tivesse dormido bem à noite, mesmo que tenha apagado como uma pedra. Desligo o barulho infernal e me apresso em levantar. Não posso me atrasar ou não vou conseguir ver o meu pai fujão. Desde pequena sempre foi assim, muitos compromissos e pouco tempo para família. Depois de encontrá-lo preciso ir voando para a Paris dance. Eu e Marion temos um horário agendado com o estilista que faz os figurinos para a nossa apresentação de fim de ano.

Todo ano, em dezembro, a Paris Dance promove um lindo espetáculo de formatura de nossos alunos. O evento simboliza o fim de um ano de estudo dos alunos e também a mudança das etapas das turmas. É uma linda festa cheia de alegria e emoção, contudo esse ano será ainda mais especial, porque dois de nossos alunos foram selecionados para estudar Balé avançado, no Bolshoi. Um desses alunos é do nosso processo de inclusão que é voltado para crianças que residem em comunidades carentes. Sempre quis proporcionar a experiência do Ballet para crianças que não teriam a oportunidade por questões financeiras. Essa foi a forma que achei de abrir as portas do mundo da dança para esses pequenos. Meu sonho é conseguir incentivo para ampliar as vagas.

Me apresso em tomar um banho e me arrumo o mais rápido que posso.

Depois de pronta pego minha bolsa, as chaves do carro e saio do apartamento.

Meu pai mora há apenas 20 minutos da minha casa, como é cedo e não tem trânsito logo estou no prédio dele. Ainda tenho as chaves da época que morava aqui, porque meu pai não quis que eu as devolvesse.

Eu entro no prédio e pego o elevador. Logo estou no quinto andar. Saio do elevador e assim que me aproximo da porta do apartamento de meu pai sinto o meu corpo gelar. A porta está aberta e alguns objetos estão espalhados na entrada. Não sei se deveria fazer isso, mas por instinto corro e entro na sala de estar.

Fico em choque quando vejo que tudo lá dentro está revirado, como se uma espécie de furacão tivesse passado por aqui. Sem conseguir raciocinar pela tensão grito por ele.

- Pai! Você está aí? – Chamo enquanto vou em direção ao quarto dele.

Quando chego no quarto tudo está fora do lugar, como no outro cômodo e não existe sinal do meu pai. Corro de volta para a sala e ligo para a portaria, talvez o porteiro saiba o que aconteceu aqui. O interfone chama e logo ouço a voz de Sr José. Ele trabalha há muitos anos aqui no condomínio e conhece muito bem todos nós.

- Sr José, aqui é a Anne. O senhor sabe onde está o meu pai? Viu ele passar pela portaria? – Pergunto aflita.

- Vi não Anne. O Sr Henrique não passou pela portaria hoje pela manhã. Por quê? Aconteceu alguma coisa? – Ele questiona.

- Aconteceu. O senhor pode vir aqui no apartamento dele? – Peço sentindo as lágrimas descerem pelo meu rosto.

- Claro que sim! Já estou subindo. – Ele responde.

Em pouco tempo, o Sr José chega e parece tão espantado quanto eu.

- Meu Deus Anne! O que aconteceu aqui? – Ele exclama.

- Eu também estou tentando entender. O senhor tem certeza de que não viu nada de estranho? – Indago.

- Não vi nada mesmo. Na Portaria tudo estava normal. A não ser que quem fez isso tenha saído direto pela garagem. – Ele sugere.

De repente vejo uma folha de papel em cima da mesa. Corro para ver se é uma pista que explique o que aconteceu aqui. Pego o bilhete, no entanto não reconheço a letra e assim que começo a ler sinto um aperto no coração.

O Resgate - Anne C. Sunshine e o Detetive DragãoOnde histórias criam vida. Descubra agora