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- Preciso de um plano, mas um plano muito bom.

- Se esse plano envolver euzinha saindo desse buraco, eu aceito.

- Não, você não vai sair daí de dentro, é perigoso.

- Droga, Josh. Eu preciso salvar minha família.

- Mas você já está fazendo isso, a polícia em algumas horas chega ao local.

- Esse "algumas horas" pode levar um século.

- Não posso dizer que não, afinal, aonde você está é literalmente o fim do mundo.

- Eu estou com medo, suando frio, minha boca está seca, meu açúcar no sangue deve ter caído. Vou morrer aqui dentro antes que eles me ache. Talvez encontrem meu corpo depois que você avisar onde estou.

- Porra, fique quieta. - Josh sentiu seu sangue ferver. Ele se apega fácil as pessoas, principalmente se as mesmas estiverem em um modo não muito bom. Sentia uma necessidade de que querer ajudar e ficar ao lado da mesma até melhorar. - Sério, fique quieta isso vai piorar sua situação.

- Me fala sobre você, qualquer coisa. Seja ela engraçada ou não. - Any disse desanimada. Ela precisava de algo para não perder suas forças. - Onde você está agora? Sentado em um sofá? Deitado na cama?

- Eu estou no banheiro. - Josh riu e Any fez o mesmo, mas baixinho.

- Fazendo oque ? Pelo amor de Deus, não me diga que...

- Molhando o rosto para o sono ir embora.

- Desculpa.

- Pelo o que ? - Desculpa de perguntar o motivo, a fixa de Josh caiu. - Não, não precisa se desculpar, por favor, não faça isso.

- E aí, você vai me falar sobre você?

- Claro, só preciso achar um lugar adequado para sentar.

Josh aproveitou momento para pensar em diversos acontecimentos que teve em sua infância, e até mesmo adolescência, mas ele não encontrou nada de pudesse entreter garota do outro lado da linha. Nada que lhe agrada partilhar.

- Josh.

- Oi.

- Eu acho que eles sabem aonde eu estou. - Any engoliu seco.

- Como assim ?

- Eles estão parados muito perto e_

- Pare de falar. - Josh a interrompeu. - Eles não sabem, não tem como saber.

- Mas Josh, tem uma fechadura aqui como alguém não abriria essa droga de porta.

- Alguém burro, eles podem ser burros.

Queria dizer como o Josh se encontrava no momento. Ele andava de um lado para o outro, tentando manter estabilidade intacta mas ele estava falhando. Mordia a sua língua para não começar a gritar, para que assim a garota pudesse sim entender que mesmo sozinho ela não estava de fato só.

Ele queria protegê-la e quem poderia culpa-lo por sentir essa vontade avassaladora dentro do seu peito? é normal, certo ? Normal querer cuidar de alguém que está em perigo.

- Me conte uma história, Josh. Ela pode ser a última que ouvirei, olha que privilégio. - Riu sem graça.

- Eu irei, definitivamente eu irei. - Era nítida a angústia na voz do loiro.

- Estou esperando. - Any chorava baixinho tentando não mostrar sua profunda incapacidade de permanecer sem medo.- Não demore .

- Quando eu tinha um 12 anos, brincávamos muito em um campo onde tinha apenas areia e duas traves sem redes. - Ele riu baixinho acompanhado de Any do outro lado da linha, que fungava vez ou outra. - Do outro lado desse enorme campo tinha um poço, não era muito fundo, mas ainda era um poço.

Last Call - BeauanyOnde histórias criam vida. Descubra agora