Querida Morte
As vezes me esqueço que está logo ali a me observar, as vezes longe e outras tão perto. Tem dias que encontro-me a pensar em como você chegará. Se fará surpresa, ou se me dará a oportunidade de me despedir... Reconheço que me esbarrei algumas vezes com você por aí, um breve "até logo". Nada muito demorado, digamos um rápido aceno. Tenho visto como tem levado tantos em minha volta, uns ainda tão novos outros nem tanto assim. E me pego a perguntar quando será a minha vez, não me leve a mal querida, mas não quero lhe ver nem tão cedo. Nada pessoal é claro, mas devo informar que tenho certos planos... Confesso que por muitas vezes me encontrei com raiva de ti, por levar pessoas as quais eu amei, pessoas queridas. Porém reconheço que é o seu trabalho, por mais que eu queira não há nada que eu possa fazer. Sabe, as vezes tenho a sensação de que você e o senhor TEMPO são amantes as escondidas. Que se encontram sempre que podem, e acredito que sendo tão generoso como ele é deve lhe trazer vários "presentes". Histórias, sonhos, planos, tantas coisas encerradas... E você como boa anfitriã que é, acredito que tenha guardado tudo com muita zelo e cuidado. Como tesouros onde se encontram a setes chaves, ou melhor dizendo, a setes palmos...
- Até qualquer dia...
Mirella Ribeiro.

VOCÊ ESTÁ LENDO
Quando a alma resolve escrever.
AcakPalavras que eu não poderia dizer, mas meu coração insiste em desabafar...