diary I

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Poder isso, sinto, é tudo o que posso

o tão pouco tudo o que podemos

-Paulo Leminski-



Uma vez li um livro, confuso, muito confuso

era um livro de poesias, por isso a confusão

raras poesias são, assim, excêntricas

li aquele livro três, cinco, sete vezes

pensavam ser por eu gostar muito dele, por ser interessante, por ser poético

eram apenas vinte poucas páginas, com menos da metade da folha preenchida com palavras. Duas páginas eu tinha entendido

não achei justo

se tava ali, em folhas, era sério, real, importante

se alguém transformou seus sentimentos e pensamentos em algo físico e palpável, merecia ser entendido, porque era algo real, e não apenas pensamentos, mas palavras, palavras de pensamentos  reais

li e reli e não entendi metade do livro de apenas vinte páginas

mas copiei os versos que entendi e percebi que era real PRO escritor, ELE escreveu os pensamentos DELE,

é óbvio que não vou entender tudo porque ele não escreveu palavras

escreveu pensamentos

passei anos reprimindo pensamentos, porque simplesmente não sabia como pensar, -sim eu não sabia como pensar- comecei a escrever e eles eram toscos, mas finalmente eu pensei eles, escrevi todos, ou quase todos, muitos tão confusos que nem eu entendi quando li, mas pensei, porque agora são reais, tão reais que agora tem forma, tão reais que outras pessoas estão vendo eles, bem aqui, bem agora..







(Os diary são, geralmente, meus pensamentos, descrições de eventos ou experiências, com intuito de contar algo ou só pra compartilhar. Comentários construtivos sempre são bem vindos, opiniões a respeito e experiências semelhantes também)

Sob meus olhosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora