Capítulo 3 - A multidão

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Depois de nos estabelecermos em nossa mesa e do encontro com as duas fãs, pegamos nossos cardápios para decidir o jantar. Abro o cardápio e meu olho se arregala, mas tento disfarçar para Harry não perceber. Eu já esperava que os preços fossem altos, mas ainda assim é difícil de ver, creio que não poderei pagar uma refeição muito cara, então vejo as opções mais baratas.

- Peça o que quiser, eu irei pagar. - Harry deposita seu cardápio na mesa e diz olhando para mim, provavelmente ele percebeu que estou há um bom tempo analisando as opções.

- Não, tudo bem, eu pago.

- Mas o jantar era meu pedido de desculpas! - ele diz se fingindo de ofendido, mas logo abre um sorriso. 

- Que tal eu pagar metade então? - digo para Harry, eu com certeza não poderia pagar o meu jantar inteiro mesmo, mas não sinto que devo deixá-lo pagar tudo, preciso - e posso - contribuir com algo. 

- Claro, se é o que você quer.

Um garçom vem nos atender e fazemos nosso pedido, percebo que Harry tem uma certa dificuldade com italiano, pois ele se atrapalha com algumas palavras. Assim que o garçom se retira eu pergunto:

- Você é fluente em italiano?

- Não, ainda não, mas até que consigo me virar. Você é, certo?

- Sim, sou, sei que não falo como uma nativa, mas creio que meu italiano é muito bom. Estudei por anos a língua, porém o que mais me ajudou foi minha mãe, claro.

- Ah sim, entendo. Mas o que te traz a Roma? Além das questões familiares, é claro. Sinto que é um passo e tanto resolver deixar o seu país para viajar para outro continente sozinha.

- Bom, foi uma loucura mesmo, mas é que eu sentia... Eu precisava sair do Brasil, precisava recomeçar, em um lugar onde ninguém me conhecesse, entende? - ele concorda com a cabeça e eu continuo: - Sei que vai parecer que eu estou fugindo dos meus problemas, mas na realidade eu necessitava de uma mudanças assim. Estou sentindo muita falta de tantas pessoas queridas de lá, mas tem outras que eu fico feliz por não ver mais.

- Sei que não é a mesma coisa, mas eu te compreendo. É difícil quando todos parecem te conhecer e saber tudo sobre sua vida, até mais do que você. Eu gosto de Roma pois, além de ser um lugar belíssimo, é um dos meus refúgios, aqui não sou tão "perseguido". Às vezes sinto a necessidade de ficar longe das câmeras.

- Eu quase sempre me esqueço que você é um famoso internacional! Deve ser difícil ter que viver com a fama, claro, deve ter suas coisas boas, mas todas as ruins...

- Sim, é muito difícil às vezes. Mas sabe de uma coisa, o que eu mais gosto de você é que quando estou ao seu lado eu me sinto apenas um cara normal. Eu sinto que posso ser eu mesmo. - Harry diz olhando em meus olhos e por um momento fico hipnotizada, presa ao seu olhar.

- Que bom, quer dizer, quando estou com você eu também sinto que sou eu mesma. - abro um sorriso tímido, mas que se alarga conforme ele sorri também. Preciso superar essa minha timidez.

Comemos a nossa refeição e conversamos por um tempo, por Harry ser o imã de atenção que ele é às vezes eu percebia algumas pessoas nos encarando, cochichando, alguns pequenos alvoroços, mas ninguém estava tirando fotos nós. Agradeço mentalmente por isso, a última coisa que quero é ter atenção e olhos sobre mim, muito menos virar notícia. Mas apesar disso, sei que é inevitável por estar com Harry, esse é o preço de ser amiga de um famoso, um preço que estou disposta a pagar a todo custo, principalmente ele sendo meu único amigo nessa cidade, além de ser uma pessoa muito amável e bondosa, eu sempre quero a sua companhia. 

O amor só existe nos livros (EM HIATUS)Onde histórias criam vida. Descubra agora