Capítulo 2: Reconhecimento

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(Obs: O sinal * neste capítulo será usado para simbolizar o áudio do vídeo)

*Ta pronta? 1, 2, 3 e...*

*Olá, meu nome é Sabrina, eu tenho 16 anos, e moro em Angra dos Reis.*

Dezeseis anos?! Eu não pareço ter dezeseis... Angra?! Como eu não to sentindo calor com esse casaco?! São tantas perguntas, tantas incógnitas, que a minha cabeça começa a latejar.
No vídeo, estou em uma praça, tem crianças brincando no fundo, é um dia lindo. No começo dele tem uma voz, que não é minha, essa voz é familiar... É o Diego! Dou um sorriso ao ouvir a voz dele, mas não é um sorriso que entrega totalmente que a partir de agora posso confiar nele... Mas fico feliz, pois ele não mentiu pra mim.

– Nesse vídeo você tinha 16, mas agora você tem 19.
 
O loiro diz, com um sorriso no rosto, que me faz pensar, que realmente ele é muito apaixonado por mim.

*Eu moro, aqui desde que eu nasci, a minha mãe, Wanda, é uma das maiores modelos do mundo, ela já esteve em várias capas de revistas famosas como: Vogue, Rolling Stone, People e até mesmo Playboy. Ela, ultimamente, vem projetando uma escola para jovens modelos... *

Nossa, essa mulher não pode ser a minha mãe, como ela não quer que eu siga por este caminho também?... Eu respiro fundo, porque talvez eu esteja muito ansiosa pra saber quem sou...

* Eu prefiro as paisagens, criar, projetar, arquitetar as paisagens é arte pura, eu posso até parecer doida, mas acho que a paisagem pode mudar tudo, pensamentos, sentimentos, pode até criar inspirações também...*

– Além de gostar de paisagismo, eu devo usar droga também.

Falo isso pro Diego, mas com um tom de indignação tão forte, que o faz começar a rir. Com as risadas interrompendo a sua voz, o rapaz responde:

- Você não usa esse tipo de droga, você só bebe muito... E também é muito fissurada em paisagismo.

- Tá... Eu sou alcoólatra, viciada em paisagem, tenho um namorado e tenho uma mãe que é uma modelo...

- Sabrina! Você tá muito ansiosa, calma, o vídeo não acabou ainda.

Ele me interrompe muito preocupado comigo. Impedindo-me de fazer perguntas e continuar vendo o vídeo. Mas eu senti aquilo de novo, aquela sensação das palavras. Parece que quando ele fala algumas frases, me sinto mais segura e mais convicta no que ele está dizendo, sei lá, não sei explicar a sensação. Porém de qualquer forma, me acalma...

Que estranho.

*A minha mãe até entende o porque eu não quero seguir o mundo da moda, mas ela sempre insiste em me mostrar as oportunidades dessa profissão, mas sinceramente, andar com roupas que eu não quero é muito broxante...*

*E diz pra gente do seu pai, o grande Benjamin Safra*

- Meu pai...

*Ah! Eu não posso esquecer dele nunca. Ele é um arqueólogo, mas na maior parte do tempo ele é um ourives e também um lapidador. Ele encontrou sozinho uma caverna cheia de ouro numa ilha do México, disse que estava explorando aquela área, porque a muito tempo atrás existia um grupo de espanhóis que eram proprietários de escravos que garimpavam esse ouro.*

*Meu Deus como o seu pai achou isso sozinho? Deve ter demorado anos! Hoje a renda é alta, ja que ele vende para 19 países um dos metais mais preciosos. Ele também tem 42 joalherias espalhadas pelo mundo... *

Fico muito surpresa ao saber o quão rica a minha família é, não sei se isso é bom... Na pior das hipóteses, acho que sim, né? Eu começo a imaginar um mundo onde eu seria pobre, um pessoa necessitada. Será que eu teria esse apoio?

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