Prólogo

310 27 6
                                    

— E com vocês as menininhas! — Senhor Jeffrey berrou ao microfone naquela grande arena.

Sobre nossos cavalos entramos fazendo festa, hoje seria a grande apresentação de abertura do maior evento da cidade de toureiro. Estar em cima de Trovão era o que amava fazer, eu e eles estávamos juntos nós campeonatos a mais de cinco anos. Um entedia o outro, como se fossemos ligados por uma energia indescritível. Eu estava no auge dos meus dezessete anos, todos diziam que era a melhor em volteio, como se tivesse nascido para isso.

Galopando sobre a arena eu e o meu grupo de volteio, que era composto por cinco meninas da mesma idade. A apresentação corria bem como sempre, dávamos o nosso melhor, em cima de Trovão fazia as minhas acrobacias em sincronia com as garotas.

Com a arena lotada, o público ia à loucura a cada passo arriscado que fazíamos, o barulho do locutor Senhor Jeffrey ecoava nos quatro cantos do lugar. Festa definia aquele dia, a cidade inteira parava para ver aquele grande feito.

De relance olhei a arquibancada onde se encontrava uma parte da minha família, sorri para eles acenando. A minha mãe foi quem me treinou desde criança ela viu em mim grande potencial assim como a ela, que foi uma grande acrobata em volteio na sua adolescência, como imprevistos na vida acontece ela conheceu o meu pai e teve-me muito prematuramente tendo que largar o seu grande sonho. Desde então os dois estão juntos, sempre admirei muito os meus pais, nunca me deixaram faltar nada e sempre estavam ao meu lado, dando todo o suporte na minha vida.

Continuei em sincronia com as garotas, fazendo um passe com Olivia, a minha melhor amiga, onde nós dois ficávamos de cabeça para baixo em cima no cavalo, sendo segura apenas com as pernas que prendiam na cela.

Assim que finalizamos cada um seguiu para um lado, galopando, batendo palmas agitando a plateia que berrava enternecidamente, eu amava aquela loucura da arena. Quando estava a passar pelo lado da plateia vejo o meu namorado acenando para mim, retribuo a ele mandando um beijo. Andrei e eu namorávamos a um ano, se conhecemos na escola ele o capitão da equipa de beisebol o sonho de toda garota do colégio, e felizmente ele só tinha olhos para mim. Em plenos dezessete anos eu possuía tudo que uma garota na adolescência almejava, amava fazer volteio e tinha o namora mais amoroso e gato da cidade.

O número final ficava por minha conta, estava-me preparando juntamente com Trovão, as outras garotas galopavam a agitar a plateia.

Com muita prática fiquei em pé em cima do meu cavalo, que aumentava a velocidade conforme íamos a galopar. No momento seguinte tudo aconteceu muito rápido, trovão mudou o número que fazíamos a mas de um ano, se esquivando ele relinchou a ficar sobre as patas traseiras, um disparo ecoou na arena, atingindo o meu cavalo bem na cabeça. Com o impacto eu caí no chão, o meu cavalo atordoado caindo sobre as minhas pernas. No mesmo instante berrei de dor, o estádio que antes gritava loucamente estava em silêncio só se ouvia os meus berros de dor.

— Filha o meu Deus, minha filha! – Meu pai chegara primeiro ao meu lado.

Tentando sem sucesso tirar trovão de cima das minhas pernas, a dor era tanta que eu nem parei para perceber que o meu cavalo meu melhor amigo havia morrido sobre as minhas pernas que estavam a ser esmagadas por seu peso.

Os meus berros continuavam paramédicos chegaram com o resto da minha família e com a força de uns oito homens conseguiram tirar Trovão de cima de mim.

— Senhor e senhora Stewart? — Um policial se mostrou presente falando alto para que todos pudessem ouvir.

— São eles. — Tio Luiz apontou para os meus pais.

O policial andou em direção aos meus pais que estavam ao meu lado, retirando duas algemas do seu bolso, naquele momento eu esquecera-me dá dor infernal que sentia nas minhas pernas observando a cena.

— Vocês estão sendo presos por tráfico de drogas. — Ele passou por trás do meu pai prendendo a algema nele, fazendo o mesmo com a minha mãe.

O que estava a acontecer? Como tráfico de drogas? Deveria ser um grande engano, os meus pais eram honestos eles não faziam essas coisas.

— Papai, mamãe? — Choraminguei em meio a dor.

— Perdoe-me filha, perdoe-me... — Essas foram as palavras da minha mãe.

Os dois foram levados pelo policial me deixando sozinha ali em meio àquela dor. A minha vida estava a ser arruinada, o que seria de mim, chorando tentando erguer-me para ir atrás deles:

— Querida, por favor, fique quietinha. — Olhei para o lado vendo o meu tio Antônio se abaixando ao meu lado.

— Não consigo erguer-me titio, o que está a acontecer com as minhas pernas? – As minhas pernas estavam paralisadas.

— Apenas fique quietinha, será o melhor para você nesse momento. Deixe que vou cuidar de tudo para você Princesinha.

A dor não passava, mas eu contorcia-me. Um paramédico se aproximou de mim, abaixando ao meu lado dando uma injeção que me fez apagar de aquele pesadelo.

SEDUZIDA PELO SEGURANÇA (DEGUSTAÇÃO)Onde histórias criam vida. Descubra agora