Capítulo 2: Charles Adams.

194 24 3
                                    

De todas as loucuras que Brandon fez essa estava a ser de longe a mais louca, nunca vi o meu amigo agindo dessa forma por nenhuma mulher, eu esperava que isso não acabasse mal, tanto para ele quanto a ela. De última hora ele resolveu vir para esse fim de mundo, tudo porque ela respondeu a sua mensagem. Tenho pra mim que ele está a ficar apaixonado por Jhonlline, agora vai dizer isso para ele, vai dizer que e tudo tesão, passageiro.

Depois de ter cochilado no carro enquanto aguardava ele vir do jantar com a família de Jhon, estava a rolar nesse sofá minúsculo e apertado, inferno iria ser uma longa noite, e já estava a prever a dor nas costas do dia seguinte. Virei de lado e fiquei de olhos fechados pensando em como eu havia parado aqui, poderia estar na minha cama agora em plena sexta-feira a noite com uma mulher esquentando os meus lençóis.

Escutei passos de alguém andando pela casa, fiquei imóvel, poderia fingir que estava a dormir, não queria chamar atenção de ninguém, quando de repente um perfume suave invadiu o meu olfato fazendo-me virar de supetão e empurrar alguém, na hora do impulso não vi quem poderia ser, mas quem não sabia que em hipótese alguma se fazia algo assim com um homem desprevenido. Na minha frente caiu uma mulher, talvez uma menina não sabia dizer, pois a sala estava numa penumbra, e não dava para enxergar direito.

— Mas que droga! — ela praguejou ao chão, o que eu havia acabo de fazer.

— Quem é você e o que faz aqui? — não sabia quem era essa garota, não sabia nem que Jhonlline tinha uma irmã.

— Moro nessa casa cacete, quem deveria fazer essa pergunta sou eu! — a mulher estava brava, mas também eu o lugar dela estaria irado também.

Ofereci a minha mão a ela ajudando-a levantar, a garota a minha frente definitivamente não era uma menina e sim uma mulher, porém meio baixa. Eu continuava sem saber quem ela era, então insisti em saber:

— Será que agora posso saber quem é você? — falei a soar um pouco, mas calmo.

— Brianna, sou sobrinha da Elizabeth e do Antônio, quem é você?

— Charles, sou segurança do Brandon. — Por uma das poucas luzes que entravam na sala consegui ver ela franzir a boca.

— Continuo sem saber quem é você.

— Não sabe quem é Brandon? — ela fez que não com a cabeça, então eu prossegui — Pelo visto a Jhonlline não falou nada mesmo, Brandon e ela estão lá em cima no quarto dela, o resto já pode deduzir por si mesma.

Não iria ficar entrando em detalhes sobre a vida amorosa do meu amigo. Olhei para frente tentando observar a garota a minha frente, a pouca luz impedia-me de analisar ela, só consegui perceber que os seus cabelos eram dourados. Pelo visto ela estava a fazer o mesmo:

— Vai ficar aí babando por muito tempo? Ou vai dizer-me o que estava a fazer praticamente em cima de mim?

— Era só curiosidade, Bonitão, não precisa ficar se achando a última bolacha do pacote! — achei engraçado a sua reação, pois ela se sentiu ofendida com o meu comentário.

— Eu achando-me? Muito pelo contrário a última bolacha e sempre quebrada! — falei gargalhando baixo para ninguém da casa ouvir.

Precisava usar um banheiro:

— Sabe dizer-me onde fica o banheiro? – Falei levantando do sofá e ficando a sua frente.

Nesse momento percebi que a sua altura batia no meu ombro, olhei para baixo olhando nos seus olhos, algo nela atraia-me, mas isso só podia ser coisa da minha cabeça, do nada ela grudou no meu pescoço grudando os seus lábios ao meu, pego de surpresa a afastei de mim:

— Está louca garota?

No segundo seguinte ela saiu a correr igual a um fantasma, não vi para onde ela foi, mas também não fui atrás.

Agora iria ter que descobrir onde ficava o banheiro, o droga mesmo. Comecei andar pela casa abri duas portas e para a minha sorte na segunda eu acertei.

Assim que usei o banheiro, andei em direção ao sofá deitando novamente nele. Enquanto o sono não vinha fiquei a pensar na mulher louca, por essa eu não esperava, e eu pensando que essa seria somente mais uma noite de tédio. Não lembro em qual momento peguei no sono, só sei que adormeci a pensar nos lábios daquela mulher.

Acordei cedo com os pais de Jhon sussurrando na cozinha, se eles evitavam que eu acordasse não deu muito certo. Sentei no sofá, vestindo a minha camisa social preta. Levantei e fui direto para o banheiro, fazendo a minha higiene matinal, joguei uma água no meu rosto, e andei em direção da cozinha onde os dois conversavam:

— Bom dia! — falei ao entrar na cozinha.

— Bom dia querido, a mesa já está servida, sente-se aqui Charles. — Elizabeth finalizou apontando a uma cadeira vazia para eu sentar.

Sentei de frente a eles, uns minutos depois Brandon e Jhonlline se juntaram a nós a mesa. A conversa fluía bem entre eles e eu apenas prestava atenção, não costumava falar muito. Concentrado no diálogo ao meu redor, senti aquele cheiro adocicado invadir o meu olfato, olhei imediatamente da onde vinha, dando de cara com ela, a mesma mulher da noite anterior, ela é realmente linda, mas muito nova não faz o meu tipo, garotas novas procuram casamento e eu fujo disso.

Senhor Antônio brigava com ela, pois pelo que entendi ela era explorada no seu trabalho. Brianna era veterinária foi o que eles deram a entender. Eu prestava atenção nela e esqueci de ficar atento a conversa ao meu redor.

Os dois tios cuidavam da garota como se fosse uma filha, pegavam no pé dela por trabalhar demais nesta clínica veterinária. Observei Brianna sair brava da cozinha, com uma (calça) jeans justa ao seu corpo fazendo-me imaginar loucuras com essa mulher, tudo pensamento passageiro, logo dispensei eles. Curioso perguntei se ela pratica algum desporto, porque os seus tios disseram que ela poderia voltar para a equipe, a sua tia respondeu-me rapidamente:

— Brianna foi uma das melhores da cidade em volteio artístico, mas infelizmente aconteceu umas coisas.

O que era isso? Conhecia pouco sobre esse assunto, mas pelo que eu lembrava era algo relacionado a cavalos. Não deu tempo de aprofundar nesse assunto, pois Elisabeth logo mudou de assunto. Depois de um tempo conversando na mesa de café, senhor Antônio convidou nos para conhecer o haras do seu irmão, nada melhor que um dia sentindo cheiro de esterco de vaca. Eu definitivamente era um homem da cidade grande.

SEDUZIDA PELO SEGURANÇA (DEGUSTAÇÃO)Onde histórias criam vida. Descubra agora