Capítulo 7

418 48 7
                                        

Johnny foi visitar Jaehyun enquanto ele ainda estava internado, e ocasionalmente o via na cantina, e parava para conversar um pouco e saber como ele e Mark estavam indo.

E ele estava indo muita bem.

Jaehyun via progressos todos os dias.

E não apenas com Mark. O gelo estava derretendo entre ele e sua mãe também. Ela fazia uma visita dia sim, dia não, inicialmente com o pretexto de ver o neto, depois para levar suprimentos para Jaehyun, e finalmente, apenas para levar um presente.

Também foi sua mãe quem mostrou ser uma improvável fonte de conforto, quando o leite de Jaehyun começou a diminuir de repente.

— Quanto mais você se estressar com isso, pior vai ficar. – Sua mãe disse firmemente, enquanto Jaehyun chorava, usando a bomba para tirar o leite do peito inchado que tanto detestava.

Mas com apenas três semanas, Mark mamava muito pouco na mamadeira antes de ficar exausto, e tinha que receber a alimentação por meio de um pequeno tubo, que ia de sua boca até seu estômago. Jaehyun estava lutando para produzir leite suficiente, e odiava a sala asséptica onde sentava por horas, para produzir apenas uns poucos mililitros.

— É importante que ele receba o meu leite. – Jaehyun rangia os dentes. O especialista em lactação havia dito aquilo a ele.

— É mais importante que ele se alimente. – Sua mãe se recusou a recuar, ela estava cansada da pressão que o filho estava sofrendo, e frustrada por causa de Jaehyun. — Eu também não pude amamentar você, Jaehyun. Eu tive que começar a dar a mamadeira quando você só tinha quatro dias.

— E olhe só para mim agora.

Ele estava sobrecarregado, sentado ali, chorando frequentemente, os nervos à flor da pele, olheiras escuras e profundas por causa das mamadas a cada duas horas, falido, e ainda por cima, pai solteiro. Aquela era, na verdade, a sua primeira vaga tentativa de brincar com a mãe nos últimos tempos, e por um momento ela não entendeu. Então, ao abrir a boca para continuar com o sermão, a ficha caiu, ela olhou nos olhos do filho e começou a rir, e Jaehyun também.

— Você se deu muito bem. – Sua mãe disse, quando as gargalhadas diminuíram e as lágrimas, que nunca demoravam muito a chegar naqueles dias, enchiam os olhos de Jaehyun. Aquela era a coisa mais amável que sua mãe lhe dizia em muito, muito tempo. — Vá almoçar. – Sua mãe apanhou a mamadeira com a quantidade pequena de leite, colou um rótulo com o nome de Mark e colocou-a na geladeira. — Eu termino tudo por aqui. Vá relaxar um pouco.

Mas Jaehyun não conseguia relaxar.

Jaehyun preferia muito mais a rotina segura que ele mesmo havia estabelecido. Vivendo na pequena área reservada para os pais, ele estava feliz com seu quarto espartano, e as noites que passava conversando com outros pais e mães ansiosos. Seus dias eram preenchidos tentando amamentar Mark, ganhando mais autoconfiança com o filho sob o olhar vigilante da enfermeira, e demorando horas para escolher o que comer no cardápio que recebia uma vez por dia. Mas de vez em quando, sua mãe insistia para que ele fosse "relaxar". E Jaehyun detestava aquilo.

Não havia muita coisa para fazer.

Chamar os jardins do hospital assim era um grande exagero, o estoque dos caramelos preferidos de Jaehyun na lojinha de presentes acabou havia tempo, e ele já tinha lido cada uma das revistas disponíveis pelo menos duas vezes. Ele havia ido visitar o setor de emergência algumas vezes, mas parecia sempre chegar na hora errada, o departamento estava constantemente cheio e as pessoas, ocupadas, e ele ficava sentado, sentindo-se estranho e sozinho, na sala de convivência. Mas, acima de tudo, ele detestava a cantina, onde o melhor meio de se autodescrever era "quase, mas não exatamente".

One Little Miracle [Johnjae!MPREG]Onde histórias criam vida. Descubra agora