Capítulo 8

311 133 243
                                        

Robert

Assim que saí do escritório da senhorita Lúcia recebendo minha nova tarefa, fui ao trilho do meu mais novo endereço, apesar de não me ter dado, eu sabia onde se localizava, afinal, tinha acabado de organizar a sua agenda e, sabia que havia essa reunião pendente. Apresentando-me lá, encontrei os sócios das empresas filiais e nossos fornecedores, em síntese, a British Company era um mundo grande. A reunião durou apenas uma hora, pois era apenas aquilo que chamamos de "cumprir formalidade", uma vez que realizou-se a conferência, exclusivamente, para tratar das licenças dos materiais, pelas quais, exercíamos nossos ofícios. Assim que termino, vou de sentido ao meu nobre Lexus, de que gostava muito. Decido andar pelas avenidas de Manchester que hoje estavam muito agradáveis, mas sempre perdido em meus pensamentos, ou melhor, com Lúcia Morgan sendo a protagonista em todos eles.

Lúcia era uma mulher bastante bonita, aliás, ela era linda. Tinha um corpo esbelto com curvas excessivamente acentuadas, seios médios, pernas torneadas e grossas, um lindo e redondo traseiro, além de muito chamativo, mas isso não era tudo. O seu rosto é que me deixava desnorteado, porque possuía uns olhos castanho-escuros, porém muito atractivos, dado que preservavam um brilho fora do comum, os seus lábios eram macios, notava-se apenas com um olhar e, quando os toquei, só pude comprovar minhas teorias, ainda mais quando eram carnudos e num tom avermelhado, seu nariz era delicado e, sua pele, tão suave tal como a de um bebé, muito mais do que um corpo violão, era dona de um cheiro incomparável, apesar de masculino, era inconfundível.

Se eu estava apaixonado? Perdidamente, desde o primeiro dia em que a vi, ao primeiro olhar, algo em mim já não funcionava correctamente, sentia um calor anormal percorrer o meu corpo, experienciava arrepios ao chegar perto dela e, por vezes, minhas mãos tremiam, além de que o seu perfume, era o que mais me desconcentrava. E, eu sabia que da maneira que as coisas andavam, ia acabar por amá-la doentiamente, pois ela havia-se transformado na minha maior doença.

Optei por parar o carro, para ver se, de algum modo, conseguiria tirá-la de minha mente. Desço e vou passeando rumo a um parque que ficava perto dos prédios em que tivemos a reunião, caminho em passadas morosas para aproveitar o dia e, foi quando me deparei com Lúcia, a minha Lúcia, atraente como sempre. Ela estava de olhos fechados e sentada na relva* que o espaço nos proporcionava, parecia estar a imaginar alguma coisa fora deste contexto, ou melhor, ela estava em um cosmo paralelo. Por um momento, hesitei em acercar-me dela, porque de qualquer forma, os acontecimentos recentes entre nós, foram desagradáveis para ela, contudo, para mim, tinham sido únicos, dado que pude tocar em seus preciosos lábios.

Talvez fosse a adrenalina, sendo que  não me conseguia conter sabendo que se mantinha tão próximo, eu queria sentir seu maravilhoso cheiro, mesmo que não pudesse tocá-la, já que sabia que se fizesse isso, haveria de ficar irritada. Quando cheguei perto,  agachei-me por trás dela. Comecei a inalar o cheiro do perfume presente em seu pescoço e, aquele momento, foi simplesmente inexplicável para mim, visto que consumia cada partícula daquela essência como se fosse algo magnífico e, realmente, era. A minha respiração batia contra o seu pescoço, e os meus olhos estavam cerrados durante todo aquele momento, sendo que queria aproveitá-lo ao máximo. No instante em que resolvi abrir os olhos, defrontei-me no igual segundo, com as suas íris castanho-escuras brilhantes. Estava tão perdido em senti-la, que não me apercebi do momento em que abriu os seus olhos, e contornou o seu pescoço em minha direcção.

Agora estávamos os dois ali, naquela situação, a olhar um para o outro, me fixava embriagado por seus olhos, e não conseguia controlar minhas emoções. Eu queria beijá-la, vivenciar o sabor de seu beijo e o calor de seus lábios, tentava, porém não conseguia. Por um impulso, me aproximei para encurralá-la, não obstante, ela colocou um de seus dedos entre os meus lábios para evitar, mas eu apenas não resisti e, retirei o seu dedo beijando-o com delicadeza, e beijando-a logo em seguida. Um beijo quente, terno, adocicado, único, puro e apaixonante.

Glossário

* Relva = Grama

Relva é utilizado pelo português PT.

Grama é utilizado pelo português BR. 

EYES & EYES [REVISÃO]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora