Theodore

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 Eu era um ferrado mesmo.

 A minha vida estava entrando em um rumo certo... Aos poucos, eu estava conseguindo o que eu queria. Até, claro, meu primo Timothy resolver livrar-se de mim e casar com a primeira puta que apareceu em sua frente. Sem teto, sem condições de prosseguir no emprego que tinha (eu era caixa de uma locadora) e sem ter como pagar a faculdade, eu me vi em completo desespero. Eu tinha que recorrer a alguém. E eu fiz de tudo para não recorrer a Gus, mas foi inevitável... A vida dava um jeito de me foder 24/7.

 Vamos do começo.

 Tenho vinte e um anos e me chamo Theodore Stephen Thomas Montgomery Jr. Eu realmente não entendo a razão do nome gigantesco para uma pessoa tão pequena (pois é, digamos que a minha altura não seja lá das melhores). Eu detesto dois terços do meu nome, portanto, o resumiremos a Theodore Montgomery. Bem melhor.

 Nasci em Newark, New Jersey e, há dois anos, venho morando em New York com Timothy Montgomery, um primo de segundo grau... Bom, até uma semana atrás, é claro... Até ele decidir que não precisava mais da minha ajuda para pagar o aluguel. A minha vinda para aquela maldita cidade tinha um bom motivo (normalmente, as pessoas duvidariam que Theodore Montgomery fosse largar sua amada New Jersey, mas... Sabe como é... Nenhum lugar é melhor do que sua própria casa, mas meu futuro falava mais alto.)... E esse motivo era a faculdade de música. Desde o princípio dos tempos, - vulgo: desde que me entendo por gente - aquilo era o meu sonho. 

 Eu sempre toquei guitarra desde criança, meu avô havia me ajudado um tanto em meu gosto pela música e eu cresci, tornei-me um pequeno monstro viciado em puro rock’n roll e me vi pegando o primeiro voo para New York, dois meses depois de ter terminado o colegial. Desde que eu havia segurado um violão, pela primeira vez na minha vida, eu soube o que eu queria fazer até o fim dela.

 Eu queria fazer música.

 Eu queria tocar as pessoas com os meus acordes, com a melodia que eu podia gerar com meus dedos naquelas cordas. Eu queria olhar para multidões e sorrir para cada um daqueles rostinhos, ao que eles gritassem cada palavra de minhas músicas. Pois é, eu queria ser um rockstar.

 Não um bibliotecário sem casa para morar. Mas já irei chegar nessa parte de minha desastrosa vida.

 Na faculdade, conheci Gus. O filho de um empresário rico e irmão de um empresário igualmente rico. Mal sabia o que a família Lockhart fazia e eu realmente não me importava. Enquanto eu era louco para tornar-me um puta guitarrista, Gus tinha objetivo semelhante: ele queria tocar baixo. Embora ele não fosse lá grandes coisas (Que ele não me escute!), nós instantaneamente nos tornamos grandes amigos. Tínhamos os mesmos gostos a respeito de filmes de terror esquisitos, bandas de deathcore que ninguém conhecia e nos vestíamos como se recém tivéssemos saído de um show do Misfits. E, sinceramente, eu não sei mesmo como Gus havia conseguido uma noiva vestindo-se daquela maneira. Provavelmente deve ter sido por isso que eu também não havia conseguido ninguém na minha vida, até então. Só uns casinhos lá e cá, mas nada muito importante.

 Eu e Gus vivíamos por aí... Pipocando entre uma banda e outra, estagiando em estúdios e buscando qualquer tipo de oportunidade. Mas nada parecia dar certo desde o início do ano, para cá. E é óbvio que iria se complicar. Era claro que eu perderia meu emprego na locadora, já que facilmente iria falir com o número crescente de downloads pela internet e a quase nula procura por DVDs e VHS. Era claro também, que, como se não bastasse perder o emprego, eu iria ficar sem morar, meu primo iria me largar na rua, sem nem ao menos preocupar-se em me ajudar a achar qualquer fundo de poço em que eu pudesse me alojar. Porque é sério: até o fundo do poço deveria ser melhor do que a minha vida naquele instante.

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