Capítulo 9 - Novos Integrantes

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Era 4:50 da manhã. Estava frio, e ainda um pouco escuro. Boromir não soube ao certo porque se levantou mais cedo que o normal. Ainda assim, percebeu que não conseguiria pegar no sono de novo.

Estava sentindo saudades do leite e dos pães da casa de Josué e Magnólia, mas sabia não poderia voltar para lá. Os biscoitos oferecidos como café da manhã não chegavam aos pés daquela outra refeição.

Queria continuar a caminhadm casa, mas não poderia com os outros dormindo. Sem saber quando acordariam, entoou alguns hinos a Deus. Preferia louvar enquanto estava sozinho, ou ao menos se sentindo sozinho. Os integrantes da base em geral não eram muito tolerantes religiosamente, especialmente em relação ao Cristianismo.

Alguns enxergavam as religiões como um atraso de vida; outros como um "estilo de vida motivacional", ou até mesmo como "apoio emocional". Para Boromir, todas essas definições eram tolas. Sabia que a relação de uma pessoa com Deus era muito mais profunda do que definições meramente humanas, e que nisto se encontrava a razão de sua existência.

Pouco antes das 5 da manhã, o integrantes do grupo começaram a acordar, pouco a pouco. Os homens rapidamente se retiraram por conta de suas necessidades. Ainda assim, o cheiro de amônia proveniente da urina era forte pela baixa ingestão de água.

Um precário café da manhã fora realizado, ocasionando em um "surto" de pressão baixa dentre eles. Os efeitos da alimentação hipocalórica eram exacerbadamente visíveis. O grupo só parou a caminhada após Sebastiana sofrer um desmaio.

A vontade de se pronunciar praticamente não se conteve, mas a situação continuava aporrinhante. Boromir também estava cansado, queria "chegar em casa", mas não conseguiriam com paradas a cada 20 minutos.

Chegaram ao forte apenas à tarde, por volta dás 16 horas. Apesar de Boromir ter se alimentado um pouco melhor que os outros, estava esgotado, e só conseguia pensar em sua cama.

Ao chegar à base, tudo o que queria era "apagar". Dispensaria até mesmo o banho para poder dormir. Por mais incrível que possa parecer, Boromir não perguntou por Jessie. Entrou em seu quarto, jogou a mochila no chão, e dormiu ali mesmo, para não sujar a cama.

Jessie soube que tinham voltado durante a tarde, mas não se apressou em sair de seu quarto. Sabia que Colt estava bem, caso contrário, estariam comentando uns aos outros sobre algum acidente.

Sentiu vontade de saber como estava Boromir. Estranhou o jovem não falar com ela após o regresso. Talvez ele não estivesse bem, mas não tivessem contado à ela, por não o considerarem importante.

Pensando assim, por volta dás 20 horas, Jessie escovou os cabelos, pôs a comprida camisola, colocou os chinelos, e foi até o quarto de Boromir. Não se importava se iriam vê-la indo até o quarto dele, seria ainda melhor se soubessem que ela se sentia confortável quando ele estava por perto.

Jessie bateu à porta. Boromir não a abriu. Por um momento, pensou que talvez ele estivesse tomando banho, mas não escutava o barulho do chuveiro. Bateu de novo e esperou um pouquinho, mas ele não abriu. Sentiu-se um pouco desanimada, pensando que talvez ele não quisesse falar com ela, mas não havia motivo para pensar esse tipo de coisa.

Era um tanto teimosa, então tentou abrir a porta. Não estava trancada, então entrou no quarto e fechou-a. Ao virar-se, viu Boromir deitado no chão, ainda com as roupas sujas, e assustou-se. Tentou balança-lo, mas ele não dava indícios de que levantaria. Preocupada, conferiu se ele respirava normalmente. Parecia bem, mas não era do feitio de Boromir dormir sujo e sem organizar seus pertences.

Encontrou uma garrafa dentro da mochila de Boromir. Encheu-a com a água da pia do banheiro, e despejou no rosto do jovem. Ao sentir a água fria se  espalhar pelo rosto, Boromir franziu a testa e passou as mãos pelo rosto.

Usurpadores - Parte 1 Onde histórias criam vida. Descubra agora