Autorodair

Todo mundo perde alguma coisa na correria de dezembro. Um cachecol, um fone de ouvido, o horário do trem. Mas no subsolo da estação de Porto Nevoa, o trabalho de Bento é cuidar do que ninguém volta para buscar. Ele vive cercado de poeira e histórias que não são dele, achando que já viu de tudo naquele balcão de Achados e Perdidos.
          	
          	​Até que a Íris aparece.
          	
          	​Ela não perdeu uma chave ou uma bolsa. Com o rosto cansado de quem não dorme faz tempo, ela diz que perdeu a vontade de comemorar o Natal. Ela não sente mais o brilho das luzes e não aguenta mais o peso do silêncio na sua casa.
          	
          	​Bento podia apenas dizer que não pode ajudar, mas existe algo no jeito dela que faz ele querer abrir todas as caixas do depósito. Eles fazem um combinado: usar os objetos esquecidos por outras pessoas para tentar devolver a cor ao mundo da Íris. Um bilhete antigo, um enfeite de árvore que caiu de uma sacola, o cheiro de um doce que alguém deixou para trás.
          	
          	​Entre corredores apertados e o barulho dos trens passando lá no alto, dois estranhos começam a perceber que o Natal não é sobre o que a gente compra, mas sobre quem ajuda a gente a carregar o que sobrou.
          	
          	​Em Porto Nevoa, o que estava perdido finalmente encontrou um lugar para ficar.
          	
          	
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Todo mundo perde alguma coisa na correria de dezembro. Um cachecol, um fone de ouvido, o horário do trem. Mas no subsolo da estação de Porto Nevoa, o trabalho de Bento é cuidar do que ninguém volta para buscar. Ele vive cercado de poeira e histórias que não são dele, achando que já viu de tudo naquele balcão de Achados e Perdidos.
          
          ​Até que a Íris aparece.
          
          ​Ela não perdeu uma chave ou uma bolsa. Com o rosto cansado de quem não dorme faz tempo, ela diz que perdeu a vontade de comemorar o Natal. Ela não sente mais o brilho das luzes e não aguenta mais o peso do silêncio na sua casa.
          
          ​Bento podia apenas dizer que não pode ajudar, mas existe algo no jeito dela que faz ele querer abrir todas as caixas do depósito. Eles fazem um combinado: usar os objetos esquecidos por outras pessoas para tentar devolver a cor ao mundo da Íris. Um bilhete antigo, um enfeite de árvore que caiu de uma sacola, o cheiro de um doce que alguém deixou para trás.
          
          ​Entre corredores apertados e o barulho dos trens passando lá no alto, dois estranhos começam a perceber que o Natal não é sobre o que a gente compra, mas sobre quem ajuda a gente a carregar o que sobrou.
          
          ​Em Porto Nevoa, o que estava perdido finalmente encontrou um lugar para ficar.
          
          
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