Preâmbulo de Porta Trancada.
“Naquele mesmo domingo, à tarde, e com medo dos líderes judeus — a portas trancadas —, os discípulos encontravam-se reunidos, quando, de repente, Jesus entrou. Colocando-se no meio deles, disse: ‘Que a paz esteja convosco’!”
Desde Edgar Allan Poe e seu conto “Os Assassinatos da Rua Morgue” — publicado há quase dois séculos — os enigmas de “sala trancada” (ou locked-room mystery) vêm desafiando a mente dos leitores e fãs de mistério. Ao longo deste tempo, diversos autores, de diferentes nacionalidades e épocas, dedicaram-se a esse subgênero, explorando o tema através de contos e romances. Dentre eles, destaca-se John Dickson Carr — amplamente reconhecido como o “rei” das histórias de sala trancada. No Brasil, cuja produção é ínfima, tivemos Hélio do Soveral e R. F. Lucchetti, que juntos escreveram “O Crime do Quarto Trancado”. Hélio do Soveral também produziu outras histórias, como “O Homem que Derreteu”.
Mas, afinal, do que trata esse tipo de trama? Basicamente: um aposento trancado — por dentro ou vigiado constantemente —, onde alguém é encontrado morto — ou simplesmente desaparece. Configura-se, assim, uma situação de crime ou sumiço aparentemente impossível, o que levanta dilemas instigantes, tais como: se o criminoso estava dentro, como saiu? Se estava fora, como cometeu o crime? E, se entrou e aparentemente 'evaporou', como o fez?
Continua abaixo...