A gente precisa começar a entender que decepcionar os nossos pais, às vezes, é necessário pra crescer. E não é sobre desrespeitar, é sobre se respeitar. A gente passa tanto tempo tentando ser o que eles esperam, tentando não frustrar ninguém, que acaba esquecendo de olhar pra dentro, e perguntar o que realmente faz a gente feliz.
Quando eu falo em decepcionar os pais, eu não tô dizendo pra virar as costas pra eles, mas sim pra começar a impor a própria voz, a tomar decisões que façam sentido pra gente, mesmo que isso não agrade. Os pais, muitas vezes, acreditam que sabem o que é melhor pra nós, e talvez saibam em alguns momentos, mas eles também erram. Eles projetam sonhos que são deles, não nossos.
Eu e a minha mãe, por exemplo, somos pessoas completamente diferentes. Ela sempre quis me transformar numa versão mais nova dela, mas eu não sou ela. E sabe o que é curioso? Quando eu comecei a “decepcioná-la”, a dizer “não”, a fazer as minhas escolhas, ela começou a me respeitar mais. Foi só quando deixei de ser o que ela queria que eu fosse, que ela começou a me enxergar como quem eu realmente sou. (Obs: ela ainda tenta me prender as vezes e fazer escolhas por mim).
A verdade é que nem sempre todo mundo vai sair sorrindo. Às vezes, pra gente se encontrar, alguém vai se frustrar no caminho, e tudo bem. Crescer dói, escolher cansa, mas viver tentando agradar é o que mais esgota. E nossos pais também estão incluídos nisso.